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Do cinema direto pro sofá: a estreia que chegou ao Prime Video e já é Top 1 no Brasil Divulgação / Universal Pictures

Do cinema direto pro sofá: a estreia que chegou ao Prime Video e já é Top 1 no Brasil

No universo jurássico, a fantasia sempre dependeu de logística: jaula, gerador, rota de fuga, gente demais no lugar errado. “Jurassic World: Recomeço” assume essa matemática logo de início e coloca a ação para trabalhar como procedimento, não como vitrine, com Gareth Edwards conduzindo Scarlett Johansson, Mahershala Ali e Jonathan Bailey em torno de uma missão que precisa recolher material genético de criaturas colossais antes que a operação se torne inviável.

A premissa parte de um dado seco: cinco anos após “Jurassic World: Domínio”, a maior parte do planeta voltou a ser inóspita para os dinossauros, que se concentram numa faixa tropical próxima ao equador. O recorte reduz o mundo a um corredor de risco, onde cada deslocamento por helicóptero ou veículo vira custo, ruído e exposição. Edwards organiza a tensão em camadas, do briefing ao contato direto, e mantém a história presa a limites de tempo e de alcance.

Contrato com janela curta

O contrato chega com cláusulas que pesam como equipamento extra: autorização para entrar na biosfera, prazos rígidos e o interesse de uma empresa farmacêutica na coleta de DNA de três espécies, uma de terra, outra do mar e outra do ar. A narrativa trata isso como logística, não como slogan, e transforma ciência em tarefa sob pressão. O objetivo é sustentado pela promessa de um medicamento, mas a janela de extração é curta e cada minuto reconfigura o que é prioridade. Quando a equipe cruza o limite dessa zona, qualquer atraso vira perda de suprimento e força uma escolha de risco.

Perímetro na selva

Quando a ação se fixa no verde fechado, a selva vira um sistema que impõe protocolo: visibilidade curta, ruído que engana, trilha que muda de lugar, calor que cobra água e tempo. A direção favorece a leitura de espaço, com distância e altura sempre negociadas como instruções de um mapa tático. Os momentos mais tensos surgem de decisões pequenas, como manter silêncio, trocar bateria de equipamento e escolher quem avança primeiro. O suspense nasce do atrito entre contenção e pânico, e o perímetro cede no instante em que alguém tenta encurtar caminho.

Barco sob pressão

No eixo marítimo, o espaço se abre e a vulnerabilidade muda de escala: mar aberto, casco exposto, combustível finito, e a sensação de que a próxima manobra pode ser a última. Edwards filma a velocidade com clareza, sem perder orientação, e sustenta o suspense na mecânica do resgate, na aproximação e na retirada. O som de motores e de água vira marcador de urgência, enquanto a ameaça deixa de ser susto pontual para se tornar um problema de navegação. Cada correção de rumo exige custo imediato, e o oceano deixa claro que evacuação também é contenção.

Instalação fora do mapa

A mudança de cenário leva a equipe para uma antiga instalação de pesquisa ligada ao legado do projeto original, um lugar que carrega falha acumulada e contenção improvisada. Corredores, portas e iluminação reforçam que tecnologia também prende, isola e atrasa, e a ação passa a negociar com travas, rotas alternativas e espaços que não foram pensados para evacuação. A encenação sugere, em termos gerais, que sobram experimentos mal encerrados e espécies agressivas deixadas para trás, como se o edifício estivesse preparado para engolir qualquer plano. O avanço vira passo curto, e as opções diminuem.

Entre selva, mar e estrutura fechada, a narrativa ganha músculo quando trata a equipe de segurança como parte do problema, não como solução automática: protocolos de perícia, escolta e bloqueio entram em choque com o instinto de sobrevivência. A ação se aproxima de um thriller de operação, em que comunicação truncada e equipamento frágil obrigam escolhas rápidas, sem glamour e sem promessa de controle total. É nesse atrito que o ritmo se sustenta, porque autoridade e terreno raramente caminham na mesma direção. A cada ordem, alguém precisa escolher entre obedecer e sobreviver.

As atuações seguem esse registro de tarefa. Johansson segura o peso físico da líder que decide com pouca informação; Ali dá densidade ao corpo que conhece evacuação e custo; Bailey sustenta o cérebro aplicado que traduz ameaça em procedimento, sem transformar cada descoberta em discurso. Edwards insiste em rostos cansados, mãos feridas e respirações curtas, e evita heroísmo automático ao lembrar que toda vitória parcial consome recurso e tempo. Quando o rádio volta a chamar a extração, a decisão é prática e corporal: marcar o ponto de evacuação e correr.

Filme: Jurassic World: Recomeço
Diretor: Gareth Edwards
Ano: 2025
Gênero: Ação/Aventura/Ficção Científica/Thriller
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★