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O adeus de Stanley Kubrick ao cinema: filme na HBO Max até hoje é cercado de mistério e controvérsias Divulgação / Warner Bros.

O adeus de Stanley Kubrick ao cinema: filme na HBO Max até hoje é cercado de mistério e controvérsias

“De Olhos Bem Fechados”, dirigido por Stanley Kubrick e estrelado por Tom Cruise, Nicole Kidman e Sidney Pollack, começa quando uma conversa conjugal tira o chão de um casamento aparentemente estável. No apartamento em Manhattan, Alice Harford (Nicole Kidman) conta ao marido, Bill Harford (Tom Cruise), que já desejou outro homem. A revelação não pede ação imediata, mas altera a posição de Bill dentro da própria casa. Ele perde o conforto da superioridade moral e ganha um incômodo que não cabe ali. O efeito é simples e concreto: Bill decide sair para a noite.

Bill começa a madrugada cumprindo um compromisso profissional e, ao terminar, opta por não voltar para casa. Em vez disso, aceita convites, cruza bares, entra em conversas rápidas e testa limites que antes pareciam distantes. O obstáculo não é uma pessoa específica, mas a necessidade constante de permissão para avançar. Nada acontece de graça. Cada porta aberta traz uma nova condição. O efeito se mede no tempo que passa e no dinheiro que sai do bolso, enquanto o controle escapa.

Senha errada, lugar certo

O desvio decisivo surge quando Bill reencontra Nick Nightingale (Todd Field), um músico que circula por eventos privados. Um endereço e uma senha prometem acesso a algo exclusivo, e Bill aposta que isso basta. Ele aluga fantasia, coloca a máscara e chega a uma mansão afastada do centro. O obstáculo muda de nível: ali, dinheiro não compra explicações e curiosidade vira ameaça. O efeito é imediato. Bill é identificado como alguém fora do lugar e perde qualquer proteção informal.

Dentro da mansão, a situação se fecha rapidamente. Uma mulher intervém e negocia a saída de Bill, impondo condições claras. Ele não diz, mas entende que discutir só pioraria tudo, ou melhor, percebe que já foi longe demais para bancar resistência. O efeito prático é a expulsão controlada e a instalação de um risco futuro. Ele sai inteiro, mas com a certeza de que foi visto e anotado.

O dia seguinte não alivia

Na manhã seguinte, Bill tenta reconstruir a noite para medir o tamanho do problema. Procura Nick, faz ligações, insiste em perguntas simples. Encontra silêncio, respostas vagas e portas que se fecham antes mesmo de abrir. O obstáculo agora é difuso, quase administrativo. Não há ameaça direta, só sinais de que alguém acompanha seus passos. O efeito é claro: continuar investigando reduz sua margem de segurança.

Em alguns momentos, a história deixa escapar um humor seco ao mostrar Bill usando dinheiro como atalho social. Ele paga, sorri, espera avanço rápido e recebe apenas tolerância provisória. A tentativa de leveza dura pouco. Cada nota entregue confirma que o privilégio tem limites bem definidos. O efeito imediato é a recusa educada, seguida de um aviso implícito para não insistir.

Medo administrado

As advertências se tornam mais diretas quando Bill é abordado em lugares comuns, sempre com frases medidas e sem elevação de voz. Não há perseguição visível, apenas controle. O obstáculo é não ter com quem negociar. Não existe rosto, cargo ou nome para confrontar. O efeito prático é a disciplina do comportamento: Bill recua, arquiva perguntas e aceita a posição de quem já ultrapassou uma linha.

No apartamento, o último confronto não envolve estranhos. Alice dorme, e a máscara reaparece fora de contexto, sobre um móvel, silenciosa e concreta. Bill a observa por alguns segundos e decide acordar a esposa. Em vez de proteger a própria imagem, ele expõe o que viveu. O efeito é imediato e verificável: ao falar, Bill troca o risco externo por uma conversa difícil, recuperando algum controle sobre o que pode acontecer a partir dali.

Filme: De Olhos Bem Fechados
Diretor: Stanley Kubrick
Ano: 1999
Gênero: Drama/Mistério/Suspense
Avaliação: 10/10 1 1
★★★★★★★★★★