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O terror mais brutal e assustador dos últimos 5 anos está na HBO Max Divulgação / Metrol Technology

O terror mais brutal e assustador dos últimos 5 anos está na HBO Max

“Fale Comigo”, dirigido por Danny Philippou e Michael Philippou, com Sophie Wilde, Alexandra Jensen e Joe Bird, mostra um grupo de jovens que passa a invocar espíritos por meio de um ritual simples demais para parecer perigoso. Mia (Sophie Wilde) entra nesse círculo carregando um luto recente e uma necessidade concreta de pertencer. A mão embalsamada garante acesso ao ritual e estabelece regras mínimas de tempo. O problema surge porque ninguém sustenta essas regras com autoridade. O efeito imediato é a transformação do risco em entretenimento compartilhado.

As sessões se organizam como eventos sociais. Riley (Joe Bird) observa, pede a vez e aceita os limites porque quer fazer parte. Jade (Alexandra Jensen) tenta impor cautela, mas recua diante da empolgação coletiva. Vídeos circulam, aplausos validam excessos, e a pressão para ir além cresce. O obstáculo não é externo, mas interno ao grupo, que normaliza cada avanço. O resultado é um acesso cada vez mais fácil a algo que ninguém entende direito.

Quando o limite falha

O ritual funciona com um prazo claro, contado em segundos, e essa contagem vira o único freio real. Mia decide alongar o tempo, convencida de que consegue controlar a experiência. A mão volta à cena como permissão e, logo depois, como ameaça. O obstáculo aparece quando o limite é ultrapassado e a porta não se fecha. O efeito é concreto: o jogo vira emergência, e as consequências deixam de ser abstratas.

Riley é quem paga primeiro. Uma decisão tomada sob aplausos termina em hospital, vigilância e culpa coletiva. Jade perde espaço ao tentar barrar novas sessões. Mia, isolada, insiste em manter contato e passa a agir sem testemunhas. Cada retorno promete alívio emocional imediato. O risco se infiltra em quartos e corredores, encurtando o tempo de reação e ampliando os danos.

Luto em primeiro plano

O filme nunca transforma o luto de Mia em discurso, mas o usa como combustível para decisões ruins. Ela busca a mão com um objetivo específico, reabrir um contato, mesmo sem garantias. O impedimento vem de mensagens confusas e da dificuldade de saber quem responde do outro lado. Ainda assim, ela cede porque o acesso parece valer o preço. O efeito é uma dependência crescente, que substitui cuidado por urgência.

Há um momento em que tudo parece desacelerar, ou melhor, parece ganhar controle. A encenação oculta informações, alonga silêncios e reduz alternativas, ele não diz, mas deixa claro que cada tentativa empurra Mia para fora do grupo e para dentro do risco. O resultado é isolamento prático: menos apoio, mais exposição, nenhuma autoridade para interromper o processo.

Tentativas de freio

Jade tenta retomar o controle. Ela recolhe o objeto, apaga registros e busca ajuda adulta, tentando impor um limite externo. O obstáculo é o atraso, já que os danos estão em curso. O efeito é parcial: o acesso diminui, mas não desaparece. Mia contorna a proibição e recupera a mão por outros meios, agora sem regras nem plateia.

Poucas ações deslocam o conflito para um ponto sem retorno. Riley segue vulnerável, Mia insiste, e a tentativa de contenção falha por falta de tempo e consenso. A consequência é a perda total de controle do ritual, que deixa de ser brincadeira coletiva e vira ameaça constante.

A conta final

A escalada termina sob pressão máxima. Mia precisa escolher entre interromper o contato ou avançar para obter uma resposta definitiva. O obstáculo é a incerteza sobre quem fala do outro lado e o estado físico de Riley. O efeito é imediato e mensurável: ferimentos, deslocamentos forçados e o colapso das regras iniciais. A mão, antes símbolo de acesso, se impõe como risco absoluto.

O encerramento vem em forma de gesto concreto, que confirma o custo acumulado de cada concessão anterior. O horror se fecha pela soma de decisões pequenas e verificáveis que ninguém conseguiu barrar a tempo.

Filme: Fale Comigo
Diretor: Danny Philippou e Michael Philippou
Ano: 2023
Gênero: Terror
Avaliação: 10/10 1 1
★★★★★★★★★★