O ano nem bem virou e já vejo um envelope extravasando na caixinha do correio. Na certa é outra conta, saboto minha alegria. Não, está manuscrito — empresas não manuscrevem envelopes, esta é meio que uma regra.
Sou tomado de uma alegre surpresa quando, antes mesmo de entender a letra feia e decifrar remetente, vejo o carimbinho dos Correios naquele formato Correios do Brasil. E a cidade: Quiprocó da Serra de Santo Grande do Sul. A data da postagem: 9 de dezembro de 2025.
Claro, é o Seu Osvaldo.
Abro. O envelope tem apenas um cartão. Na capa, a imagem de um presépio, o menininho divino no centro da manjedoura iluminada, uns burricos pastando ao fundo. E lá no alto, onde era para ser a estrela atraindo os magos, o artista teve a liberdade poética de fazer um trenó puxado por sete renas voadoras conduzido por um senhorzinho barrigudo vestindo vermelho.
Meu caro amigo daí de longe, que passa frio quando é hora de suar no calor,
Escrevo para lhe desejar um Feliz Natal, com saúde, que é o que mais importa. Que você tenha um Ano Novo direitinho, desses em que a gente até consegue dormir sem preocupação demais na cabeça.
Aqui em Quiprocó está tudo mais ou menos igual como sempre. O movimento não anda grande, mas também não dá para dizer que algum dia foi. No fim das contas é até melhor assim porque aí a gente consegue conversar com as pessoas.
Mando este cartão porque acho que certas coisas não se resolvem só por mensagem de aplicativo. Tem estima que precisa ir pelo correio, passar de mão em mão, pegar um pouco da poeira do caminho. Senão fica parecendo recado apressado, carinho desleixado, mensagem que aparece na tela e depois some sem nem deixar rastro na memória.
Espero que esteja tudo bem por aí. Quando puder, escreva. Carta é conversa que não tem pressa.
Encerro com meus mais sinceros votos de um 2026 de conscientes votos aqui no Brasil. E muita paz, que acho que está meio em falta ultimamente.
Cordiais saudações,
Osvaldo R. de S.
Ps.: Vi ontem o Dênis no Bar do Macaco Prego jogando carteado. Fiquei com dó. Anda bebendo muito o rapaz e aí, alegrinho, aposta até as cuecas no carteado e volta embora para casa já de manhãzinha, mão na frente, outra atrás. Pedi para a Dona Suzete, que é boa das mandingas, fazer uma simpatia para curar o menino. Ela disse que a chave é Santo Onofre.
Antes que me esqueça: o Dênis mandou um abraço.


