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Ação adulta, tensa e sem firulas — o tipo de filme que faz você largar o celular por 2 horas, na Netflix Divulgação / Lionsgate

Ação adulta, tensa e sem firulas — o tipo de filme que faz você largar o celular por 2 horas, na Netflix

Depois de ataques em solo americano atribuídos a uma rota de contrabando que passa pelo México, autoridades decidem enquadrar cartéis como ameaça terrorista e delegar a resposta a uma operação clandestina. É nesse ponto que “Sicário: Dia do Soldado” reúne Josh Brolin, Benicio del Toro e Isabela Moner sob a direção de Stefano Sollima. O conflito central é a tentativa do agente Matt Graver de fabricar uma guerra entre cartéis ao sequestrar Isabel Reyes sem deixar assinatura oficial, enquanto o mesmo governo que autoriza a ação se prepara para negar qualquer rastro. Para que a manobra funcione, ele precisa produzir efeito no México sem abrir prova nos Estados Unidos, e o custo imediato é que cada novo parceiro aumenta o risco de vazamento.

O sequestro como gatilho e a refém como evidência viva

Graver escolhe a filha de um chefão como alvo porque precisa de um gatilho que obrigue o cartel a reagir com paranoia, abrindo espaço para rivais atacarem e para informantes venderem lealdade a quem pagar mais. Para executar o sequestro, ele autoriza articulação com forças mexicanas e intermediários que podem ser descartados se algo der errado, o que dá velocidade e também cria dependências. O obstáculo aparece no terreno: a inteligência chega por fragmentos, e cada decisão tomada cedo demais pode colocar a equipe em rota previsível. A consequência é que Isabel vira, ao mesmo tempo, moeda e evidência viva, reduzindo a margem de negação a cada quilômetro.

A escolta como contenção e o risco dentro da própria equipe

Com Isabel sob custódia, Alejandro Gillick assume a escolta e decide limitar conversas, paradas e contatos, porque entende que o maior perigo não é só o cartel, mas a desordem de um grupo que opera sem respaldo formal. A motivação é manter a adolescente viva até cumprir sua função e impedir que um detalhe banal transforme o caso em crise pública. O obstáculo é a própria Isabel, que resiste, testa limites e tenta ler hierarquias para influenciar quem a guarda, além de perceber que o silêncio de alguns esconde dúvida e não apenas disciplina. O efeito é que a escolta passa a funcionar como contenção, e cada tentativa de diálogo vira mais uma variável no controle do risco.

Quando Washington muda a missão e transforma agentes em problema

Quando a operação ameaça respingar em quem a autorizou, vozes em Washington decidem mudar o objetivo no meio do caminho para reduzir responsabilidade. A ordem passa a ser encerrar a missão e eliminar a prova mais comprometida, porque uma refém pode virar testemunha e um agente pode virar réu. O obstáculo para Graver é imediato: ele já acionou recursos, comprometeu parceiros e atravessou uma linha que não permite retorno limpo, e agora precisa decidir entre obedecer e matar o próprio plano ou ganhar tempo e desagradar a cadeia de comando. A consequência é que a operação troca de alvo, e o homem encarregado de executar vira, por definição, um problema a ser resolvido.

A recusa de Alejandro e a fuga sem rede

Alejandro se recusa a matar Isabel quando percebe que ela virou descarte. Ele decide tirá-la do alcance de ordens voláteis e proteger a própria sobrevivência. O obstáculo é andar sem rede, com poucos contatos e pouco tempo, e isso transforma a missão em fuga.

O recrutamento de Miguel e a violência como moeda de entrada

Do lado mexicano, Miguel decide entrar no circuito do contrabando para ganhar dinheiro e respeito rápido, porque o entorno já mede valor por arma e acesso. O obstáculo é que o recrutamento exige obediência imediata: tarefas começam como vigilância e passam a cobrar violência, e a recusa é tratada como traição diante do grupo. A consequência é que Miguel vira peça útil para fechar o cerco, registrando movimentos e repassando sinais sobre quem cruza e por onde, e essa coleta de detalhes fortalece a capacidade do crime de reconhecer veículos e rostos quando uma operação fora do comum atravessa a região.

O colapso do segredo e a ação sob fogo

Com o segredo se desfazendo e o relógio político encurtando, Graver decide acelerar a movimentação de Isabel para retomar iniciativa antes que surja uma instrução impossível de contornar. A motivação é prática: velocidade pode compensar a perda de cobertura institucional. O obstáculo aparece em ataques coordenados e em forças locais que mudam de lado conforme a vantagem, comprimindo espaço e tempo e obrigando a equipe a improvisar sob fogo em vez de cumprir um plano linear, ou melhor, a aceitar que a cadeia de comando virou terreno instável e que qualquer pausa vira oportunidade para o adversário. Sollima traduz isso ao cortar comunicações, alternar pontos de vista e limitar o que se sabe no mesmo ritmo em que as opções se fecham, e o efeito é que cada troca de rota parece uma aposta feita sem recibo.

Comunicação como armadilha e a fronteira como claustro

Graver tenta falar com alguém acima dele para saber qual regra ainda vale e decide agir como se a resposta pudesse ser uma armadilha, porque a mesma mão que autoriza também apaga. Alejandro segue com Isabel, evita lugares óbvios e escolhe caminhos que oferecem atraso, não proteção, já que pedir ajuda pode atrair quem quer silenciá-los. O obstáculo para ambos é que cada ligação denuncia posição e cada hesitação abre uma janela para captura. Graver encara a tela acesa, espera a linha completar, escuta apenas estática e segura o telefone até ele voltar a vibrar.

Filme: Sicário: Dia do Soldado
Diretor: Stefano Sollima
Ano: 2018
Gênero: Ação/Crime/Drama/Mistério/Suspense
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★