Uma moléstia desconhecida se alastra pela Terra e infecta a todos com uma velocidade assustadora, sem oferecer chance de defesa, transformando seres humanos em zumbis. Paulatinamente, fica claro que a infestação a que alude o enredo de “Apocalipse Z: Novo Mundo” é uma metáfora quase peremptória para se chegar ao que Carles Torrens julga fundamental para uma vida aqui neste planeta. O roteiro de Ángel Agudo, inspirado no universo criado pelo espanhol Manel Loureiro, conversa com produções como “The Walking Dead” (2010-2022), mas mantém o frescor graças a diálogos que saem do ramerrão das caçadas de mortos-vivos coléricos e miram aspectos colaterais da trama. Agora, Torrens e Agudo deslocam-se de Manel, um alter ego do escritor, para Roberto, um jovem soldado que resiste num grupamento militar das Ilhas Canárias enquanto ainda há fé.
Tema os vivos
O vírus TSJ ameaça tomar o arquipélago, derradeiro refúgio contra a peste na Europa. Roberto participa de uma missão para buscar suprimentos em Madri, batendo-se com as hordas de infectados que cruzam seu caminho e causando uma batalha de egos por liderança. Em seu roteiro, Agudo aposta nas cenas de ação para capturar a audiência, mas este é apenas um atalho para esgrimir assuntos menos cativantes como notícias falsas, negacionismo e a má conduta das autoridades. A incúria criminosa dos políticos e a manipulação do desespero dos mais vulneráveis é uma ideia que Torrens escarafuncha com retórica sofisticada, deixando claro que sobreviver às vezes é questão de ter por perto alguém de confiança. Para tanto, dispõe do talentoso Carlos Alcaide, que, como o protagonista, serve de mestre de cerimônia a um elenco quase irretocável.

