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Uma moléstia desconhecida se alastra pela Terra e infecta a todos com uma velocidade assustadora, sem oferecer chance de defesa, transformando seres humanos em zumbis. Paulatinamente, fica claro que a infestação a que alude o enredo de “Apocalipse Z: Novo Mundo” é uma metáfora quase peremptória para se chegar ao que Carles Torrens julga fundamental para uma vida aqui neste planeta. O roteiro de Ángel Agudo, inspirado no universo criado pelo espanhol Manel Loureiro, conversa com produções como “The Walking Dead” (2010-2022), mas mantém o frescor graças a diálogos que saem do ramerrão das caçadas de mortos-vivos coléricos e miram aspectos colaterais da trama. Agora, Torrens e Agudo deslocam-se de Manel, um alter ego do escritor, para Roberto, um jovem soldado que resiste num grupamento militar das Ilhas Canárias enquanto ainda há fé.

Tema os vivos

O vírus TSJ ameaça tomar o arquipélago, derradeiro refúgio contra a peste na Europa. Roberto participa de uma missão para buscar suprimentos em Madri, batendo-se com as hordas de infectados que cruzam seu caminho e causando uma batalha de egos por liderança. Em seu roteiro, Agudo aposta nas cenas de ação para capturar a audiência, mas este é apenas um atalho para esgrimir assuntos menos cativantes como notícias falsas, negacionismo e a má conduta das autoridades. A incúria criminosa dos políticos e a manipulação do desespero dos mais vulneráveis é uma ideia que Torrens escarafuncha com retórica sofisticada, deixando claro que sobreviver às vezes é questão de ter por perto alguém de confiança. Para tanto, dispõe do talentoso Carlos Alcaide, que, como o protagonista, serve de mestre de cerimônia a um elenco quase irretocável.


Filme: Apocalipse Z: Novo Mundo
Diretor: Carles Torrens
Ano: 2026
Gênero: Drama/Terror/Suspense
Avaliação: 4/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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