Tudo quanto paira um metro acima das nossas cabeças ora faz brotar do mais escuro do homem suas idiossincrasias menos óbvias e quase luminosas, ora leva-o para os recantos ainda mais sombrios de sua alma. Àquilo que tinge a realidade de tensão e de alguma magia, puxando remorsos, trazendo lembranças e requentando mágoas — que ninguém sabe direito o que podem fazer com o destino de uma pessoa — deu-se o nome de terror, o gênero mais diversificado do cinema. David F. Sandberg dá outra prova disso em “Until Dawn: Noite de Terror”, uma mistura equilibrada (e também caótica) de gore, terror festivo, terror para jovens adultos e slasher. Sandberg e os roteiristas Gary Dauberman e Blair Butler põem euforia, certa inocência e muito sangue nas mãos de personagens oprimidos por questões desse plano que assombram como o diabo. Por uma boa razão.
A morte é só o começo
Clover, Max, Nina, Abel e Megan são amigos até morrer — literalmente. É o que se dá não uma, mas em várias ocasiões enquanto a manhã não chega, numa história inspirada no videogame lançado pela Sony em 2015. Sandberg abusa do fantástico ao juntar os cinco numa viagem que lembra uma jornada por algum território paralelo, preenchida com resmungos, acusações e lavação de roupa suja, até pararem numa casa. Olhares treinados acham evidências de “A Morte Te Dá Parabéns” (2017), dirigido por Christopher B. Landon, ou “Quando as Luzes se Apagam” (2016), do próprio Sandberg, ambos elogiados pela crítica, além de uma pitada de “Stranger Things” (2016–2025), a série distópica de Matt e Ross Duffer, sem prejuízo do frescor (ou quase). Um homem mascarado é o assassino em série aqui, mas Megan, a vidente interpretada por Ji-young Yoo, empresta uma providencial aura de misticismo ao que se tem no segundo ato, embora o repeteco persista.

