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Manco Kapac (Russell Crowe) saiu da Albânia e construiu uma vida confortável em Los Angeles, onde administra uma boate badalada. Tem dinheiro, uma bela casa e a companhia da namorada, Sunny (Teresa Palmer). A aposentadoria entra em seus planos depois de um problema cardíaco durante uma relação sexual, associado ao uso excessivo de Viagra. Em “O Último Grande Assalto”, de Derrick Borte, a recomendação de mudar de hábitos esbarra numa atividade pouco compatível com repouso. Manco usa seu estabelecimento para lavar dinheiro de um cartel mexicano e precisa encontrar uma maneira de abandonar o serviço.

O criminoso Rodriguez (Daniel Zovatto) comanda o cartel e confia ao empresário a movimentação de seus recursos. Entre as noites na boate e as obrigações com esse cliente, Manco mantém uma rotina que cobra seu preço. O susto com a saúde oferece uma razão convincente para vender o negócio e partir para uma ilha distante. Um comprador interessado existe, mas a possibilidade de descanso fica mais remota quando alguém rouba os 75 mil dólares que ele transportava para Rodriguez.

Uma aposentadoria interrompida pelo assalto

O possível comprador é Joe (Luke Evans), um homem misterioso cuja proposta desperta o interesse de Manco. A venda permitiria deixar a casa noturna e aproveitar a vida longe dali. O problema é que o dinheiro roubado pertence ao cartel, e a intenção de se aposentar perde espaço para uma preocupação mais urgente. Antes de fazer as malas, o empresário precisa lidar com o prejuízo provocado pelo assalto.

Adaptado do romance “Strip”, publicado por Thomas Perry em 2010, “O Último Grande Assalto” reúne pessoas que entram no crime por caminhos diferentes. Borte, que também assina o roteiro com Daniel Forte, aposta nessa variedade para combinar suspense e comédia. Manco é o centro de uma história em que cada participante acrescenta uma dificuldade à vida alheia. A premissa tem graça porque a desejada temporada de descanso começa com um problema de saúde e logo esbarra no dinheiro desaparecido de um traficante.

O ponto fraco está na distância entre os perigos apresentados e a preocupação que eles despertam. O coração de Manco exige cuidados, Rodriguez tem razões para cobrar explicações e os assaltantes continuam por perto. Ainda assim, falta uma sensação convincente de que o empresário possa perder tudo. As ameaças se acumulam, mas nem sempre fazem o espectador temer por ele.

Um professor obrigado a roubar

O responsável pelo assalto é Jeff (Aaron Paul), professor de uma faculdade comunitária que mantém uma atividade paralela. Ele escreve, às escondidas, redações de candidatura universitária para estudantes, prometendo bolsas integrais nas instituições escolhidas. O serviço lhe traz problemas quando um dos clientes não consegue a bolsa esperada. O pai do rapaz, o policial Slosser (Josh McConville), usa a fraude para chantageá-lo.

Sob ameaça de prisão, Jeff é obrigado pelo policial a roubar Manco. Essa ligação entre o professor e o agente oferece uma das melhores situações da trama. Slosser transforma a possibilidade de punição em uma ferramenta para obrigar outra pessoa a cometer um delito. Jeff, que já ganhava dinheiro com uma fraude, passa a responder às exigências de alguém que pode colocá-lo atrás das grades.

Aaron Paul tem um papel favorável a esse tipo de comédia criminal, em que uma tentativa de escapar de problemas acaba criando outros. Jeff precisa cumprir a ordem do policial, mas também decide ficar com uma parte do dinheiro roubado. É ao tentar depositar essa quantia que chama a atenção de Carrie (Nina Dobrev), a funcionária do banco que identifica a irregularidade. O assalto, que deveria livrá-lo de uma ameaça, acaba colocando mais uma pessoa em seu caminho.

Uma bancária quer participar do crime

Carrie poderia representar outro risco de denúncia, mas seu interesse é bem diferente. Fã de “Caçadores de Emoção”, ela vê na descoberta a oportunidade de participar de um assalto e viver suas fantasias de Johnny Utah. Em vez de se afastar de Jeff, exige acompanhá-lo no próximo roubo. Para o professor, já submetido à chantagem de Slosser, surge uma parceira que deseja experimentar a aventura da qual ele gostaria de escapar.

A oportunidade aparece quando o policial manda Jeff assaltar Manco novamente, durante outra entrega de dinheiro de Rodriguez. A insistência no mesmo alvo acrescenta uma dose de absurdo à situação. O empresário tenta abandonar o crime, o professor procura se livrar de um policial corrupto e a bancária quer entrar por vontade própria nessa confusão. Cada um busca algo diferente, mas as decisões acabam atingindo as mesmas pessoas.

Paul e Dobrev formam a dupla mais estimulante desse conjunto. A interação entre os dois dá energia às cenas e aproveita a diferença entre o envolvimento forçado de Jeff e o entusiasmo de Carrie. Há material suficiente nessa relação para despertar vontade de acompanhá-los por mais tempo. Quando a atenção retorna às outras histórias, a ausência dos dois pode pesar.

O elenco sustenta uma trama irregular

Crowe também contribui para o lado mais divertido da produção. Reunido com Borte depois de “Fúria Incontrolável”, o ator assume Manco com disposição para o exagero e acrescenta outro sotaque peculiar ao seu repertório. Sua presença ajuda a sustentar um personagem que reúne dinheiro, cansaço e uma vontade bastante compreensível de ficar longe de confusão. O prazer do ator em interpretar esse homem oferece parte do encanto que falta ao suspense.

Borte, porém, tem dificuldade para unir todas essas histórias com a mesma desenvoltura. Algumas situações rendem boas cenas isoladas, mas o encontro entre os diferentes personagens não entrega toda a satisfação prometida. A passagem da leveza inicial para acontecimentos mais violentos e sombrios também é pouco fluida. Quando o tom fica mais pesado, a comédia perde espaço sem que o perigo adquira força equivalente.

“O Último Grande Assalto” traz cerca de cem minutos de entretenimento adulto, apoiado em um elenco competente e numa história que dispensa grandes complicações para despertar interesse. A execução fica aquém das possibilidades abertas pelo professor chantageado, pela bancária aventureira e pelo empresário que precisa cuidar do coração enquanto transporta dinheiro de cartel. Crowe, Paul e Dobrev garantem boas passagens, mas a combinação de crime e humor rende mais nos encontros entre os atores do que na reunião de todas as peças. Entre uma cobrança e outro assalto, Manco continua sem conseguir a tranquilidade que foi aconselhado a procurar.


Filme: O Último Grande Assalto
Diretor: Derrick Borte
Ano: 2026
Gênero: Ação/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
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