Quem assistiu a “Toy Story” sabe que, no primeiro filme da franquia, Woody, o brinquedo favorito do garotinho Andy, sente ciúmes com a chegada de um novo brinquedo tecnológico, Buzz Lightyear, um patrulheiro espacial com asas, que fala à base de pilhas e tem uma luz vermelha de laser no braço. Woody é um brinquedo da década de 1950, cuja caixa de som funciona à base de corda. O filme mostra a transformação dos heróis, que passaram de caubóis a patrulheiros espaciais depois da chegada do homem à Lua.
Como Woody foi parar na coleção de brinquedos de Andy ninguém sabe. Mas o fato é que ele é o favorito do menino até a chegada de Buzz, um presente de aniversário dado por sua mãe. Com o novo boneco, Woody terá de aprender a dividir a atenção e o amor do menino.
Sequência de mestre
John Lasseter, diretor do filme, faz uma jogada de mestre na continuação. Em “Toy Story 2”, Woody vai parar na casa de um negociador de brinquedos que pretende mandar o boneco para um museu no Japão. O motivo? Woody é raríssimo e muito valioso. Parte de uma coleção antiga, ao lado de Jessie, Pete Fedido e Bala no Alvo, o caubói foi protagonista de uma série de televisão e tem um monte de brinquedos inspirados nele. Woody descobre que seu valor não precisa mais ser medido pela atenção de uma criança, já que, se for para o museu no Japão, terá milhares de olhos admirados sobre ele todos os dias.
A ideia parece sedutora e ele quase se dá por convencido. Mas a galerinha do quarto de Andy parte para o resgate de Woody. Buzz, Cabeça de Batata, Rex e Porquinho fogem pela vizinhança para encontrar a loja do negociador de brinquedos. Eles reencontram Woody após sequências hilárias e cativantes pelas ruas e pelos corredores do estabelecimento. Buzz chega a ser confundido pelos amigos com outro exemplar seu, mais novo, mas consegue provar sua identidade e abrir os olhos de Woody.
Redescobrindo seu valor
Woody havia esquecido o próprio valor com a chegada de Buzz. Ao encontrar Jessie, Bala no Alvo e Pete Fedido, descobriu sua história e se sentiu protagonista novamente. O que “Toy Story 2” nos faz refletir é que tanto Buzz, produzido em grande escala, quanto Woody, o raríssimo item de colecionador, são amados por Andy. Quem nos ama não define nosso valor por padrões externos ao relacionamento, à história e à convivência. Buzz não precisa ser único, nem Woody precisa ser tecnológico para marcar a infância de Andy. Eles são valiosos pelo que representam nessa breve aventura que é a infância. Andy irá crescer e vai parar de brincar. Mas o que importa é quais brinquedos tornarão essa infância mágica e especial. É como ele se sentirá amado e acolhido por aqueles brinquedos com quem atravessou o início da vida.
“Toy Story 2” teve uma indicação ao Oscar e, apesar de ter sido um sucesso absoluto, até mais lucrativo que o primeiro, foi feito sob um bocado de pressão. A Disney cobrava a sequência por causa do sucesso do filme original, enquanto Lasseter precisava se ausentar após longos períodos de trabalho para estar mais presente com a família. A primeira versão do filme, conforme os produtores contam no documentário “A História da Pixar”, foi um verdadeiro fiasco, e Lasseter teve de ser arrancado de suas férias para salvar a sequência. O diretor conhecia tão bem aquela história que conseguiu transformá-la no clássico que conhecemos e amamos hoje.

