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Gael García Bernal passou por meses de preparação física e treino de luta livre para estrelar “Cassandro”. No Prime Video, o filme de Roger Ross Williams encontra, sob o espetáculo do ringue, a história de um homem que decide ocupar um lugar que lhe era negado.

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Cassandro (2023)

Direção: Roger Ross Williams
Roteiro: David Teague e Roger Ross Williams
Duração: 1h47 no Prime Video · Classificação: 16 anos
Elenco: Gael García Bernal, Roberta Colindrez, Perla de la Rosa, Raúl Castillo, Joaquín Cosío e Bad Bunny

Saúl Armendáriz mora em El Paso e atravessa a fronteira para lutar no México. Nos pequenos eventos em que se apresenta, seu talento esbarra nas limitações do papel que lhe reservam. A parceria com uma treinadora abre outra possibilidade: assumir a persona de um exótico, figura de gestos femininos e figurino exuberante da lucha libre. Saúl quer levar essa presença ao centro do espetáculo e conquistar o público.

A transformação passa pela roupa e pela maquiagem, mas depende sobretudo da maneira de sustentar o olhar da plateia. Gael García Bernal faz sentir o esforço envolvido nessa conquista. Seu personagem combina atrevimento, graça e uma vulnerabilidade que não desaparece quando começa a ser aplaudido. A habilidade de provocar uma reação no ringue convive com a necessidade, bem mais difícil de satisfazer, de ser amado fora dele.

Roger Ross Williams dá espaço à vida que cerca as lutas. A relação com a mãe, interpretada por Perla de la Rosa, e o trabalho com a treinadora Sabrina, vivida por Roberta Colindrez, ajudam a entender de onde vem a confiança do protagonista. Esses encontros têm peso próprio: mostram pessoas que participam de sua formação e também aquilo que o reconhecimento profissional não consegue resolver sozinho.

A trajetória do lutador real inspira uma dramatização interessada nas tensões entre identidade, desejo e ambição. O prazer de assistir está em acompanhar alguém descobrindo como transformar uma característica usada para diminuí-lo em força de expressão. Há dureza nesse percurso, mas também humor e uma alegria física que Bernal transmite muito bem. Quando o personagem ocupa o ringue, a exuberância deixa de parecer um adereço: torna-se uma maneira de existir diante dos outros.

A preparação para entrar no ringueEm entrevista ao The Credits, publicação da Motion Picture Association, Bernal contou que fez seis meses de condicionamento físico e dois meses de treinamento de luta livre antes das filmagens. O trabalho precisava reunir exigência atlética e capacidade de entreter a plateia.

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