Depois de “Bebê Rena”, Richard Gadd criou e protagonizou “Pela Metade”, minissérie de seis episódios disponível na HBO Max. Ao lado de Jamie Bell, ele acompanha uma relação construída ao longo de décadas, atravessada por afeto, ressentimento e violência.
Pela Metade (2026)
Gênero: drama
Elenco: Richard Gadd, Jamie Bell, Stuart Campbell e Mitchell Robertson
Quando Ruben aparece no casamento de Niall, o reencontro traz para a celebração uma história que os dois não deixaram para trás. Eles cresceram como irmãos, embora não tenham laços de sangue, e carregam uma intimidade difícil de explicar a quem os conhece apenas no presente. A violência desse encontro abre caminho para revisitar a formação do vínculo. O passado permite observar como duas pessoas podem se tornar indispensáveis uma à outra e, ao mesmo tempo, acumular razões para tentar se afastar.
Richard Gadd assina a criação e interpreta Ruben, enquanto Jamie Bell vive Niall. Stuart Campbell e Mitchell Robertson também integram o elenco dessa produção da HBO e da BBC. A narrativa acompanha diferentes momentos da vida dos personagens, o que desloca a pergunta inicial sobre o reencontro para outra, mais demorada: como essa relação chegou até ali? O formato de minissérie concentra a trajetória em seis episódios, disponíveis na HBO Max brasileira.
O ponto de interesse é a dificuldade de separar cuidado, dependência e controle quando todos parecem fazer parte do mesmo vínculo. Uma lembrança compartilhada pode aproximar os dois homens e também funcionar como cobrança. Gratidão, medo e lealdade não precisam aparecer em momentos distintos: podem orientar simultaneamente uma decisão. A história oferece, assim, um caminho para examinar formas de intimidade masculina em que o sentimento encontra mais espaço na proteção e no confronto do que na conversa.
A associação com “Bebê Rena” ajuda a identificar o autor, mas a nova produção pede atenção a seus próprios personagens e à passagem do tempo. A escolha funciona para quem procura um drama de relações, com conflitos que se formam ao longo de anos e voltam a interferir no presente. A tensão nasce da proximidade entre os protagonistas e da dificuldade de imaginar quem cada um seria sem o outro. É uma indicação para acompanhar como uma ligação familiar pode continuar governando a vida adulta mesmo depois de um afastamento.

