Jack Thorne, de “Adolescência”, assina a primeira adaptação televisiva de “O Senhor das Moscas”. Disponível no Globoplay, a minissérie de quatro episódios retoma o romance de William Golding para acompanhar como medo e desejo de poder desorganizam um grupo de meninos.
O Senhor das Moscas (2026)
Um acidente de avião deixa um grupo de meninos britânicos numa ilha, sem adultos por perto. A necessidade de conseguir abrigo, organizar tarefas e chamar a atenção de um possível resgate sugere uma solução: estabelecer regras e escolher quem conduzirá o trabalho. Ralph, apoiado pelo racional Porquinho, tenta preservar essa ordem. Jack, ligado à caça e à promessa de proteção, oferece outra forma de liderança. Enquanto esperam que alguém os encontre, os sobreviventes começam a divergir sobre o que devem fazer para permanecer juntos.
Publicado em 1954, o romance de William Golding chegou ao cinema antes de receber esta primeira versão para a televisão. A adaptação foi escrita por Jack Thorne, um dos criadores de “Adolescência”, e dirigida por Marc Munden. Winston Sawyers interpreta Ralph; Lox Pratt, Jack; David McKenna, Porquinho; e Ike Talbut, Simon. Os quatro episódios foram disponibilizados no Globoplay em julho de 2026. É um formato que permite acompanhar a história completa sem depender de novas temporadas.
A situação de isolamento torna visível um problema que costuma ficar escondido sob instituições já estabelecidas: por que alguém aceita obedecer a outra pessoa? A organização do grupo depende de acordos frágeis, sujeitos ao medo, à fome e à busca por reconhecimento. Uma regra pode perder força quando quem a propõe parece incapaz de oferecer segurança. É nesse terreno que a necessidade de cooperação se aproxima da disposição para excluir, intimidar e transformar diferenças em ameaças.
A ligação com “Adolescência” oferece um ponto de partida para o público interessado na forma como meninos aprendem a ocupar espaços de poder. Aqui, essa questão passa pela adaptação de um clássico literário e por uma experiência coletiva de sobrevivência. A indicação também vale para quem conhece o livro e quer observar sua passagem à narrativa seriada. O interesse não depende de antecipar o destino dos personagens: está em acompanhar as pequenas decisões que mudam o sentido de pertencer a um grupo.

