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Rosa Salazar e Catherine Keener conduzem o pesadelo de “Vingança Sabor Cereja”, minissérie de oito episódios da Netflix. Ambientada na Hollywood dos anos 1990, a produção combina ambição artística, feitiçaria e horror corporal numa história de imagens difíceis de esquecer.

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Vingança Sabor Cereja (2021)

Lisa Nova chega a Los Angeles com um curta-metragem e a determinação de dirigir seu primeiro longa. O encontro com o produtor Lou Burke parece abrir a porta que faltava, mas a negociação logo expõe uma relação de poder que ameaça tirar dela o próprio trabalho. Furiosa, Lisa procura Boro, uma mulher que oferece meios sobrenaturais de atingir o produtor. A proposta inaugura uma dívida cujo preço está longe de ser transparente.

O universo do cinema dá ao terror um terreno particularmente fértil. Todo mundo parece avaliar o que pode obter do outro, e uma promessa profissional pode esconder uma forma de apropriação. A feitiçaria radicaliza essa lógica: desejos se transformam em transações, enquanto favores criam obrigações difíceis de medir. O corpo passa a registrar o que os personagens tentam negociar com palavras. Daí vêm algumas das imagens mais desconcertantes da série, que aposta na estranheza e no desconforto físico.

Salazar interpreta Lisa com uma determinação que mistura fascínio e imprudência. É possível entender sua indignação sem ter certeza de que ela conhece as consequências do caminho escolhido. Keener, por sua vez, faz de Boro uma presença acolhedora e ameaçadora, capaz de apresentar o absurdo com a naturalidade de quem explica uma tarefa doméstica. A relação entre as duas sustenta boa parte da tensão, porque a promessa de ajuda também estabelece uma nova dependência.

Criada por Lenore Zion e Nick Antosca, a minissérie usa os oito episódios para aproximar o pesadelo sobrenatural de um ambiente profissional predatório. O humor aparece em situações grotescas, sem neutralizar a violência. É uma indicação para quem procura terror adulto e aceita acompanhar uma narrativa que nem sempre oferece imagens confortáveis ou explicações imediatas. Com classificação de 18 anos, a produção está na Netflix e encontra sua personalidade justamente no encontro entre o desejo de criar e o risco de entregar esse desejo a outra pessoa.

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