Discover

Emma Stone e Jonah Hill atravessam mundos improváveis em “Maniac”, minissérie de dez episódios da Netflix. Criada por Patrick Somerville e dirigida por Cary Joji Fukunaga, a produção combina ficção científica, humor e uma pergunta íntima: como encontrar companhia na dor?

Bula StreamingNetflix

Maniac (2018)

Annie Landsberg e Owen Milgrim chegam a um teste farmacêutico trazendo problemas que não conseguem resolver. Ela vive presa a uma perda; ele enfrenta o isolamento e uma relação difícil com a família. O laboratório promete um tratamento capaz de eliminar o sofrimento psicológico, mas o experimento envolve um médico vulnerável e um computador cujas emoções comprometem a suposta neutralidade da pesquisa. Durante as sessões, os dois desconhecidos passam a se encontrar em realidades que escapam ao controle dos cientistas.

A partir desse laboratório, a série muda de cenário, figurino e gênero com uma liberdade incomum. Histórias policiais, aventuras e fantasias passam a funcionar como maneiras indiretas de lidar com experiências dolorosas. O desenho visual mistura máquinas antigas e tecnologias improváveis, criando um futuro que parece ter sido imaginado em outra época. Há prazer na invenção desses ambientes, mas também uma continuidade emocional que impede cada mudança de parecer um simples exercício de estilo.

Stone e Hill precisam interpretar personagens que assumem outras identidades sem perder o vínculo com Annie e Owen. Essa alternância produz momentos de humor e deixa pequenas vulnerabilidades atravessarem os disfarces. Justin Theroux e Sonoya Mizuno, no núcleo do laboratório, ajudam a deslocar a autoridade dos especialistas: quem conduz o procedimento também tem limitações. A promessa de uma solução perfeita encontra, por todos os lados, pessoas que mal conseguem organizar a própria vida.

Cary Joji Fukunaga dirige os dez episódios, enquanto Patrick Somerville assina a criação. A unidade da direção dá forma a uma narrativa deliberadamente mutável, interessada no que acontece quando duas pessoas começam a se escutar. Vale a indicação para quem procura ficção científica com imaginação visual e atenção aos personagens. Por trás das máquinas, das pílulas e dos cenários extravagantes, permanece uma necessidade muito simples: ter alguém por perto quando as explicações disponíveis já não parecem suficientes.

Leia Também