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Nove indicações ao Oscar ajudam a dimensionar a passagem de “Marty Supreme” pelo cinema, mas é Timothée Chalamet quem dá urgência ao filme. No Prime Video, o drama de Josh Safdie transforma a busca por reconhecimento numa corrida em que talento e irresponsabilidade se confundem.

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Marty Supreme (2025)

Na Nova York dos anos 1950, Marty Mauser trabalha numa loja de calçados e acredita ter um destino muito maior: tornar-se uma referência mundial no tênis de mesa. Dinheiro, viagens e adversários parecem obstáculos provisórios diante dessa certeza. Para atravessá-los, ele negocia, mente, contrai dívidas e envolve outras pessoas em seus planos. Cada oportunidade abre uma nova frente de conflito, dentro e fora das competições.

Josh Safdie filma a ambição como uma forma de inquietação. O protagonista raramente se permite reconhecer um limite, e a narrativa acompanha essa incapacidade de parar. As partidas importam, mas o suspense não depende apenas do placar. Uma conversa, um favor ou uma cobrança podem colocar tudo a perder. O esporte funciona como medida concreta de um desejo de grandeza que invade o restante da vida.

Chalamet dá ao personagem uma mistura produtiva de sedução e inconveniência. É possível entender por que alguém acreditaria nele e, na cena seguinte, desejar que finalmente escutasse um não. O ator não precisa torná-lo simpático o tempo inteiro para sustentar o interesse. Gwyneth Paltrow e Odessa A’zion ajudam a expor diferentes faces dessa personalidade, sobretudo quando as necessidades alheias deixam de caber no projeto que Marty inventou para si.

O filme encontra sua força na distância entre torcer por uma conquista e aprovar os meios empregados para alcançá-la. Essa fricção impede que a história se reduza a uma celebração da perseverança. A duração extensa e a sucessão de problemas exigem disposição para acompanhar um sujeito exaustivo; a recompensa está na energia da encenação e na recusa de tratar ambição como virtude automática. Uma escolha para quem gosta de protagonistas que mobilizam admiração e resistência ao mesmo tempo.

Entre os indicados de 2026A produção recebeu nove indicações ao Oscar de 2026, entre elas filme, direção, ator para Timothée Chalamet e roteiro original para Ronald Bronstein e Josh Safdie.Leia a crítica completa

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