Jessie Buckley ganhou o Oscar por “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, disponível no Prime Video. Ao lado de Paul Mescal, ela sustenta um drama que procura Shakespeare dentro de casa: nos afetos, nas ausências e numa perda que a fama do escritor não consegue explicar.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (2025)
Na Inglaterra do século 16, Agnes constrói uma família com Will, um jovem cujo interesse pelo teatro o levará a Londres. Ela permanece em Stratford com os filhos, cercada pelas tarefas e pelos vínculos que mantêm a casa funcionando. Quando a doença ameaça esse cotidiano, a distância entre os dois deixa de ser apenas geográfica. O casamento precisa suportar uma experiência para a qual nenhum talento oferece resposta imediata.
A escolha decisiva de Chloé Zhao é dar a Agnes um centro de gravidade próprio. O escritor célebre não organiza sozinho a narrativa, e a esposa não existe apenas para esclarecer a origem de uma peça. Sua relação com os filhos e com o mundo natural estabelece uma vida anterior à tragédia. É esse investimento nos gestos cotidianos que dá peso ao que se rompe.
Buckley trabalha a passagem entre a presença física de Agnes e sua dificuldade de permanecer no mundo depois da perda. Há força nas explosões de sentimento, mas também no esforço de escutar, tocar e reconhecer os outros. Mescal oferece um contraponto mais recolhido. A diferença entre as atuações impede que o sofrimento do casal pareça uma experiência idêntica, compartilhada sem atrito ou desencontro.
A aproximação entre luto e criação artística pede envolvimento: a encenação e a música conduzem abertamente a emoção. Ainda assim, o interesse maior está na pergunta que atravessa o drama. O que uma obra pode oferecer a quem perdeu alguém, se não pode devolver essa pessoa? Vale assistir por essa tensão e pela atuação de Buckley, sem esperar uma biografia convencional nem uma explicação histórica definitiva para o nascimento de “Hamlet”.
Do romance ao OscarO roteiro adapta o romance de Maggie O’Farrell e imagina a intimidade da família Shakespeare; não é uma reconstituição documental. Jessie Buckley venceu o Oscar de atriz em 2026 por esse trabalho.Leia a crítica completa

