O diretor de “Um Contratempo”, Oriol Paulo, encontrou num romance de Harlan Coben o material para “O Inocente”. Com Mario Casas e Aura Garrido, a minissérie espanhola da Netflix distribui por oito episódios uma história em que reconstruir a vida exige lidar com o passado.
O Inocente (2021)
Mateo se envolveu numa briga que terminou em morte. Depois de cumprir pena, tenta construir uma rotina com Olivia, sua mulher, que está grávida. O casal se prepara para uma nova etapa quando uma comunicação perturbadora, vinda do celular dela, abala aquilo que parecia seguro. A ameaça entra pela intimidade: antes de descobrir o que aconteceu, Mateo precisa perceber quanto desconhece da vida que acredita ter recuperado.
Mario Casas interpreta o protagonista, Aura Garrido vive Olivia e Alexandra Jiménez assume a investigadora Lorena Ortiz. A presença da policial abre outra linha de apuração, associada à morte de uma freira. O interesse está em acompanhar como trajetórias aparentemente afastadas passam a ocupar o mesmo espaço narrativo. Pessoas que conhecemos por uma função ou por uma relação podem guardar histórias que ainda não tiveram oportunidade de contar.
O encontro entre Coben e Paulo oferece um bom motivo para escolher a minissérie. O escritor fornece a arquitetura do romance; o realizador espanhol, que também participa do roteiro, trabalha com a instabilidade das versões. A adaptação convida a rever impressões sobre os personagens conforme novas informações aparecem. O passado não entra apenas como explicação: ele interfere nas escolhas que cada um consegue fazer no presente.
É uma indicação para quem gosta de suspense encadeado, com mudanças de perspectiva e perguntas que atravessam os capítulos. Oito episódios permitem acompanhar a história até seu desfecho sem depender de novas temporadas. Vale resistir à vontade de pesquisar personagens durante a sessão, porque parte do prazer está em descobrir suas conexões no tempo previsto pela narrativa. A promessa inicial basta: um homem acredita ter recomeçado, até perceber que sua história continua em disputa.
O roteiro é assinado por Jordi Vallejo, Oriol Paulo e Guillem Clua. Ao anunciar a produção, a Netflix destacou o romance homônimo de Harlan Coben e o trabalho anterior de Paulo em “Um Contratempo” e “Durante a Tormenta”.

