A vida não é nada menos que uma cadeia de fenômenos em que a falta de sentido é a lei. Como o sonho foge da razão, alimentamos a quimera do mundo perfeito, o que, claro, contempla em grande medida, na maior medida, o amor a simbolizar uma força verdadeiramente poderosa, refratária a qualquer mecanismo de controle. Desesperadoramente curto, o intervalo entre nascer e morrer é um desafio permanente que define boa parte de quem somos e, mais importante, do que podemos vir a ser. Francesco Lucente coloca muito de suas impressões acerca dos maravilhosos desvarios da existência em “Estrela Brilhante”, uma fábula sobre transcendência, fé e aquele velho desejo. Entre uma e outra meditação poética, o diretor arrisca-se a mirar temas espinhosos, mas sem renunciar ao encanto que o longa traz no título.
Pedi e recebereis
Aisling é uma predestinada. Há algum tempo, ela sobreviveu ao acidente em que a mãe acaba morrendo e, embora não supere o trauma, não se deixa envenenar pela ira. Crescer dói, esquecer é difícil, mas essa jornada nunca vira uma tortura graças a mistérios como o que a leva a encontrar um amuleto, e essa pequena estrela numa corrente dourada vai espalhando seu brilho sem pressa. O diretor e os corroteiristas Joseph Bitonti e Olimpia Lucente reservam a introdução para situar o público na rotina algo melancólica de Aisling, e então parece ainda mais repleta de magia seu triunfo sobre a mágoa e a revolta. Sua metamorfose também acontece com uma mãozinha aqui deste plano, depois que ela se aproxima de Joshua, herdeiro de um império que comprova que grandes fortunas podem atrair maldições. A paixão deles é o que vale, porém: Alexandra Dowling e Diego Boneta têm uma afinidade que suaviza o exagero temático.

