Amy Madigan ganhou o Oscar por “A Hora do Mal”, disponível na HBO Max. O desaparecimento de uma turma escolar conduz o terror de Zach Cregger, que reúne Julia Garner e Josh Brolin e faz a investigação avançar entre suspeitas, medo e versões conflitantes.
A Hora do Mal (2025)
Dezessete crianças saem de casa na mesma madrugada e desaparecem. Todas pertencem à mesma turma; apenas um aluno continua frequentando a escola. Sem respostas, os moradores voltam a atenção para Justine Gandy, a professora interpretada por Julia Garner. Archer Graff, vivido por Josh Brolin, tem um filho entre os desaparecidos e decide procurar explicações por conta própria. O que liga aquelas famílias começa a produzir desconfiança entre elas.
Zach Cregger organiza a narrativa em capítulos que acompanham personagens diferentes. Cada mudança de perspectiva acrescenta informações e altera o sentido do que já foi visto. A estrutura pede atenção a pequenos encontros e comportamentos: uma pessoa que parecia secundária pode ter presenciado justamente aquilo que falta aos outros. O espectador participa dessa montagem de pistas sem receber antecipadamente um mapa seguro.
Garner e Brolin sustentam duas reações ao mesmo vazio. A professora precisa enfrentar a acusação coletiva; o pai transforma o desespero em movimento. Nenhum deles dispõe da serenidade necessária para investigar, e essa fragilidade aproxima o mistério de conflitos reconhecíveis. O medo se espalha por salas de aula, corredores e casas que deveriam oferecer proteção.
A presença de Amy Madigan acrescenta uma mudança decisiva de temperatura, mas sua personagem merece ser descoberta durante a sessão. Basta saber que a interpretação rendeu um Oscar à atriz. Para quem procura terror com construção narrativa, o interesse está em acompanhar como Cregger aproxima trajetórias aparentemente dispersas. Há violência e humor desconfortável no percurso, com uma ameaça que cresce à medida que a comunidade tenta dar um nome ao que aconteceu.
Um Oscar quatro décadas depoisNa cerimônia de 1986, Amy Madigan foi indicada a atriz coadjuvante por “Duas Vezes na Vida”. Em 2026, venceu a mesma categoria por “A Hora do Mal”. O intervalo de 40 anos entre as duas indicações dá à conquista uma dimensão particular em sua carreira.Leia a crítica completa

