Em Los Angeles, três irmãs enfrentam os problemas da vida adulta quando o pai adoece e a responsabilidade familiar recai sobre apenas uma delas.
Meg Ryan, Diane Keaton e Lisa Kudrow interpretam mulheres que cresceram na mesma família, mas desenvolveram maneiras bastante diferentes de lidar com os próprios problemas. Lançado em 2000, “Linhas Cruzadas” acompanha os desentendimentos entre três irmãs após a hospitalização do pai, um homem de 79 anos que apresenta sinais de demência. Entre telefonemas, cobranças e lembranças dolorosas, a comédia dramática aborda as dificuldades de cuidar de um familiar doente quando os demais parentes parecem sempre ocupados demais para ajudar.
Três irmãs e um pai que precisa de cuidados
Eve Marks (Meg Ryan) tem marido, filho, trabalha como organizadora de festas e ainda consegue encontrar tempo para resolver os problemas de praticamente toda a família. Sua rotina fica especialmente complicada quando o pai, Lou Mozell (Walter Matthau), de 79 anos, adoece e precisa ser hospitalizado. Em “Linhas Cruzadas”, comédia dramática de 2000 dirigida por Diane Keaton, ela acaba assumindo quase sozinha os cuidados do idoso, enquanto suas duas irmãs continuam envolvidas com as próprias carreiras. A situação seria difícil em qualquer família, mas Lou tem uma personalidade complicada e algumas contas emocionais pendentes com as filhas.
Georgia Mozell (Diane Keaton), a mais velha, é uma empresária bem-sucedida e editora de uma revista feminina que leva seu nome. Acostumada a administrar compromissos profissionais e cuidar da própria imagem, ela dedica boa parte do tempo ao trabalho. Maddy Mozell (Lisa Kudrow), a caçula, é atriz de novela e ainda procura conquistar reconhecimento profissional. Ambas acompanham as notícias sobre o pai, especialmente por telefone, mas a responsabilidade de comparecer ao hospital, conversar sobre sua saúde e administrar as necessidades cotidianas permanece com Eve.
Entre uma ligação e outra, a irmã do meio precisa conciliar as preocupações médicas com os compromissos profissionais e familiares. Georgia e Maddy têm opiniões sobre os cuidados com Lou, embora nem sempre encontrem disponibilidade para participar deles. Eve, naturalmente, começa a perder a paciência. Afinal, receber orientações de quem está confortavelmente distante costuma ser menos agradável do que parece.
Uma infância que deixou ressentimentos
A convivência com Lou também está longe de ser simples. Rabugento, exigente e pouco cuidadoso com os sentimentos das filhas, ele preserva uma personalidade difícil mesmo diante das limitações impostas pela idade. Eve guarda uma lembrança particularmente dolorosa de um episódio ocorrido sete anos antes. Ainda assim, continua acompanhando sua hospitalização e tentando garantir que receba a assistência necessária.
O problema é que a doença não apaga automaticamente as experiências desagradáveis do passado. Eve se preocupa com a saúde do pai, mas também sente raiva de determinadas atitudes dele. Essa contradição dá à personagem uma dimensão bastante humana. É possível amar profundamente um familiar e, ainda assim, carregar mágoas que resistiram durante anos. Meg Ryan interpreta essa mulher com uma mistura convincente de sensibilidade, irritação e cansaço, especialmente quando percebe que sua disponibilidade passou a ser considerada uma obrigação pelas irmãs.
A mãe das três, Pat Mozell (Cloris Leachman), ajuda a compreender parte dessas dificuldades. Após o divórcio, ela se afastou emocionalmente do ex-marido e das filhas, deixando uma ausência importante na formação da família. Eve acabou assumindo uma espécie de papel maternal, tornando-se a pessoa procurada sempre que alguém precisava de apoio ou de uma solução. Agora, com Lou hospitalizado, essa distribuição desigual de responsabilidades se torna ainda mais evidente.
Telefonemas, cobranças e pouca ajuda
O título original, “Hanging Up”, faz referência aos telefonemas que atravessam a relação entre as protagonistas. Georgia, Eve e Maddy conversam constantemente, mas nem sempre conseguem realmente ouvir umas às outras. As ligações misturam notícias médicas, questões profissionais, reclamações e desentendimentos antigos. Para Eve, atender ao telefone frequentemente significa receber outra cobrança quando já está tentando resolver uma quantidade considerável de problemas.
O roteiro, escrito pelas irmãs Nora e Delia Ephron a partir do romance de Delia, aproveita essas conversas para construir situações engraçadas. Georgia consegue administrar uma revista de sucesso, mas demonstra muito menos desenvoltura diante das necessidades do pai. Maddy, por sua vez, acrescenta às discussões uma mistura de insegurança e distração que combina com a interpretação de Lisa Kudrow. As personalidades das três são suficientemente diferentes para transformar uma conversa aparentemente banal em uma discussão familiar.
Diane Keaton, que também dirige o longa, investe bastante nessa dinâmica entre as protagonistas. Meg Ryan assume a personagem emocionalmente mais sobrecarregada, enquanto Keaton e Kudrow interpretam irmãs que possuem suas próprias preocupações, embora demonstrem pouca disposição para assumir uma parcela equivalente dos cuidados paternos. A comédia surge principalmente desse desequilíbrio, especialmente quando todas acreditam estar fazendo sua parte e Eve continua sendo a única presente no hospital.

