éEm 1926, no Egito, a bibliotecária Evelyn Carnahan decide procurar a lendária Hamunaptra e acaba despertando uma ameaça enterrada havia milhares de anos. Dirigido por Stephen Sommers, “A Múmia” acompanha uma expedição que começa como busca arqueológica e logo vira uma corrida pela sobrevivência. Evelyn Carnahan (Rachel Weisz), seu irmão Jonathan (John Hannah) e o aventureiro Rick O’Connell (Brendan Fraser) chegam à cidade dos mortos atrás de descobertas e tesouros. O problema começa quando o grupo interfere em uma tumba antiga e desperta Imhotep (Arnold Vosloo), sacerdote egípcio condenado a uma maldição terrível. A partir desse encontro, armas, inteligência e sorte passam a valer igualmente.
Rick O’Connell (Brendan Fraser) já conhece Hamunaptra quando Evelyn Carnahan (Rachel Weisz) cruza seu caminho. Alguns anos antes, ele esteve na região durante uma batalha e conseguiu sair vivo de um lugar que quase ninguém consegue localizar. Evelyn trabalha como bibliotecária e tem enorme interesse pelo Egito antigo. Quando surge uma pista que pode levá-la à cidade perdida, ela descobre que Rick é uma das poucas pessoas capazes de indicar o caminho.
Em “A Múmia”, Stephen Sommers não demora a reunir os personagens. Evelyn quer chegar a Hamunaptra por interesse histórico e arqueológico. Jonathan Carnahan (John Hannah), seu irmão, mostra entusiasmo bem maior diante da possibilidade de encontrar objetos valiosos. Rick possui a experiência necessária para atravessar o deserto, embora esteja em situação bastante delicada quando os irmãos o procuram. Libertá-lo passa a ser o primeiro passo da viagem.
O trio funciona porque nenhum dos três ocupa exatamente o mesmo espaço. Rick é corajoso, hábil com armas e acostumado a situações perigosas. Evelyn conhece idiomas, história e documentos antigos, mas sua curiosidade costuma levá-la além do recomendável. Jonathan tem talento especial para identificar qualquer oportunidade que envolva dinheiro e também para piorar determinadas situações. A diferença entre eles produz uma convivência leve mesmo quando a viagem começa a ficar perigosa.
A disputa começa sob a areia
Hamunaptra não está vazia quando eles chegam. Outro grupo de exploradores também procura riquezas nas ruínas, e a descoberta transforma a expedição numa disputa por tumbas, objetos e passagens escondidas. Evelyn procura registros capazes de revelar informações sobre a cidade. Os demais integrantes vasculham câmaras e sarcófagos esperando encontrar ouro ou peças valiosas.
A curiosidade cobra seu preço quando os exploradores mexem em coisas que ficaram enterradas por milhares de anos. Entre os restos da antiga cidade está Imhotep (Arnold Vosloo), sacerdote ligado a um crime cometido no Egito antigo e submetido a uma condenação brutal. Sua história envolve Anck-su-namun (Patricia Velásquez), amante do faraó Seti I (Aharon Ipalé), e ajuda a explicar por que sua sepultura foi cercada por tantos avisos.
Quando Imhotep retorna, a expedição deixa de procurar apenas tesouros. O grupo precisa descobrir quem ele é, por que foi condenado e o que pode detê-lo. Evelyn passa a ter um papel ainda mais importante porque livros, inscrições e conhecimentos sobre o passado oferecem informações que nenhuma arma consegue fornecer. Rick continua recorrendo às soluções que conhece melhor, embora perceba cedo que enfrentar uma criatura sobrenatural exige mais do que munição.
Rick e Evelyn sustentam a aventura
Brendan Fraser transforma Rick em um herói que parece saber o que está fazendo mesmo quando a situação sugere exatamente o contrário. Ele enfrenta inimigos, atravessa o deserto e reage ao sobrenatural com uma mistura de valentia e incredulidade. Há algo simpático em sua insistência em resolver problemas extraordinários com recursos bastante terrenos.
Rachel Weisz faz de Evelyn muito mais que a intelectual do grupo. Ela conhece aquilo que os outros ignoram, comete erros por excesso de curiosidade e participa ativamente das decisões que mantêm todos vivos. Sua inteligência não elimina sua desorganização, e essa combinação dá personalidade à personagem. Evelyn pode interpretar uma inscrição antiga num minuto e provocar uma pequena catástrofe no seguinte.
A aproximação entre ela e Rick também cresce sem interromper a aventura. Eles começam unidos por interesse. Evelyn precisa do homem que conhece o caminho até Hamunaptra, enquanto Rick recebe uma chance de escapar de um destino bastante desagradável. Depois, a convivência cria confiança e atração em meio a fugas, descobertas e criaturas que tornam qualquer tentativa de romance consideravelmente mais complicada.
Jonathan ocupa o espaço mais divertido desse equilíbrio. John Hannah interpreta o personagem sem transformá-lo apenas em alívio cômico. Ele é interesseiro, medroso em determinadas ocasiões e surpreendentemente útil em outras. Sua presença quebra a solenidade que uma história sobre maldições egípcias poderia adquirir.
A maldição muda as regras
Imhotep cresce como ameaça à medida que recupera poder. Arnold Vosloo dá ao personagem uma presença física suficiente para que ele assuste mesmo antes das demonstrações mais grandiosas de força. O sacerdote também possui um objetivo ligado ao próprio passado, o que impede que seja apenas uma criatura perseguindo pessoas dentro de uma tumba.
Sommers mantém a narrativa em movimento alternando investigação, perseguição, aventura e fantasia. Quando Rick acredita que pode enfrentar um adversário com força, Evelyn descobre que uma informação antiga vale mais. Quando o grupo encontra uma saída, outro elemento da maldição aumenta o risco. Essa alternância torna o filme fácil de acompanhar mesmo com tantos personagens, lendas e objetos circulando pela história.
Há também uma consciência divertida do absurdo. Pessoas que acabaram de descobrir a existência de múmias vivas ainda encontram espaço para discutir dinheiro, ciúme ou decisões ruins. O longa aceita sua natureza de aventura popular e prefere divertir a transformar cada descoberta em algo solene.
Uma aventura que continua leve
Lançado em 1999, os personagens de “A Múmia” recebem tanta atenção quanto a ameaça sobrenatural. A cidade perdida pode oferecer tumbas, maldições e criaturas, mas o prazer está também em acompanhar Rick, Evelyn e Jonathan tentando resolver problemas para os quais nenhum deles estava realmente preparado.
Stephen Sommers mistura ação, fantasia, romance e elementos de terror sem deixar um gênero sufocar os demais. O perigo existe, algumas imagens são sombrias e Imhotep representa uma ameaça real, mas o longa nunca perde a leveza. Até nos momentos mais tensos, os personagens mantêm suas personalidades.
Quando a expedição percebe a dimensão do erro cometido em Hamunaptra, voltar para casa já não resolve o problema. Rick precisa proteger o grupo, Evelyn depende dos conhecimentos acumulados nos livros e Jonathan tenta permanecer vivo enquanto todos procuram uma maneira de enfrentar aquilo que despertaram. A cidade que prometia uma descoberta arqueológica transforma a viagem numa batalha contra uma maldição milenar, e ninguém sai dali com a aventura que imaginava.

