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“Donnie Darko” acompanha um adolescente perturbado por visões que, em 1988, passa a investigar acontecimentos estranhos após escapar por acaso de uma morte improvável. Dirigido e escrito por Richard Kelly, “Donnie Darko” chegou aos cinemas em 2001 e transformou Jake Gyllenhaal em um dos rostos mais reconhecíveis de sua geração. O ator interpreta Donnie, um estudante de 16 anos que vive com a família em Middlesex, uma comunidade suburbana da Virgínia, e já enfrenta dificuldades na escola, conflitos dentro de casa e acompanhamento psiquiátrico. Sua rotina muda de vez quando ele sai de casa durante a madrugada e escapa de ser atingido por uma turbina de avião que despenca exatamente sobre seu quarto. A partir daquela noite, uma figura vestida de coelho passa a visitá-lo e anuncia que algo muito maior está prestes a acontecer.

Donnie mora com os pais, Rose (Mary McDonnell) e Eddie Darko (Holmes Osborne), além das irmãs Elizabeth (Maggie Gyllenhaal) e Samantha (Daveigh Chase). É uma família funcional, embora longe de ser silenciosa. Discussões durante o jantar, provocações entre irmãos e a personalidade difícil do protagonista dão ao começo de “Donnie Darko” um ar doméstico que torna tudo ainda mais estranho quando a ficção científica invade aquela casa aparentemente comum.

Em uma madrugada de outubro de 1988, Donnie deixa o quarto enquanto dorme e segue até um campo de golfe. Ali encontra Frank (James Duval), uma figura usando uma enorme e assustadora fantasia de coelho. Frank avisa que o mundo terminará em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. Quando Donnie retorna para casa pela manhã, descobre que uma turbina caiu sobre sua cama. Se tivesse permanecido dormindo, provavelmente estaria morto.

O detalhe mais perturbador surge depois. Ninguém consegue explicar com segurança de qual avião veio aquela peça. Donnie sobreviveu porque saiu de casa sem saber exatamente por quê, guiado por uma figura que somente ele parece enxergar. Para um adolescente que já toma medicamentos e frequenta sessões de terapia, separar uma possível alucinação de algo realmente sobrenatural torna-se uma tarefa bastante complicada.

Frank começa a dar ordens

A presença do coelho deixa de ser apenas assustadora quando Frank começa a interferir nas decisões de Donnie. O garoto passa a agir sob influência dessas aparições enquanto tenta descobrir por que foi escolhido e o que significa a contagem regressiva anunciada naquela primeira noite.

Sua psiquiatra, Dra. Lilian Thurman (Katharine Ross), procura chegar às causas de suas visões por meio de sessões de terapia e hipnose. Donnie relata experiências cada vez mais difíceis de enquadrar numa explicação simples. Ele também percebe fenômenos estranhos relacionados ao tempo e passa a considerar seriamente a possibilidade de que exista uma lógica física por trás do que está vivendo.

Essa curiosidade leva Donnie ao professor de ciências Kenneth Monnitoff (Noah Wyle). As conversas entre os dois apresentam conceitos relacionados a viagens no tempo e universos paralelos, mas o professor impõe limites quando o assunto começa a esbarrar em questões religiosas e filosóficas. Donnie, que nunca demonstrou grande talento para aceitar limites impostos por adultos, continua procurando sozinho.

Gretchen oferece alguma normalidade

Dentro da escola, Donnie conhece Gretchen Ross (Jena Malone), uma nova aluna que chega carregando seus próprios problemas familiares. A aproximação entre os dois é uma das partes mais delicadas da história. Donnie pode discutir física, questionar professores e falar sobre o fim do mundo, mas continua sendo um garoto bastante desajeitado quando precisa demonstrar interesse por alguém.

Gretchen aceita suas peculiaridades com uma facilidade que poucas pessoas demonstram. A relação oferece a Donnie algumas horas de vida adolescente comum, com conversas, cinema e inseguranças afetivas. Jena Malone interpreta Gretchen sem transformá-la em simples acompanhante do protagonista. Ela possui medos, perdas e uma situação familiar que ajuda a explicar por que se aproxima de um garoto que a maioria da escola considera estranho.

Jake Gyllenhaal também acerta ao não buscar simpatia o tempo inteiro. Donnie pode ser engraçado, gentil e apaixonado, mas também é agressivo, arrogante e impaciente. Há momentos em que suas provocações parecem típicas de um estudante inteligente demais para suportar certas conversas. Em outros, o sofrimento aparece sem qualquer charme juvenil.

A escola vira outro campo de batalha

O cotidiano escolar ganha importância quando Donnie começa a questionar a professora Kitty Farmer (Beth Grant), defensora entusiasmada das ideias do palestrante motivacional Jim Cunningham (Patrick Swayze). Cunningham construiu uma carreira ensinando que as decisões humanas poderiam ser divididas entre medo e amor, uma simplificação que irrita profundamente o protagonista.

Donnie rejeita aquele raciocínio e enfrenta tanto a professora quanto Cunningham. Richard Kelly usa esses episódios para mostrar um adolescente que observa as contradições dos adultos enquanto quase ninguém leva suas próprias percepções a sério. Há uma ironia saborosa nessa inversão. O garoto tratado como problemático percebe coisas que os cidadãos considerados exemplares da comunidade preferem ignorar.

Patrick Swayze aproveita muito bem a imagem impecável de Cunningham. Seu sorriso treinado, suas frases motivacionais e a


Filme: Donnie Darko
Diretor: Richard Kelly
Ano: 2001
Gênero: Drama/Ficção Científica/Mistério/Suspense
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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