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Em 2005, enquanto o furacão Katrina se aproxima de Nova Orleans, Daisy Williams (Cate Blanchett) pede à filha Caroline (Julia Ormond) que leia o diário de Benjamin Button. Ela está internada num hospital e quer dividir aquela história antes que lhe falte tempo. Nas páginas, Caroline conhece um homem que nasceu com o corpo de um idoso e ficou mais jovem a cada ano. Também descobre por que a mãe manteve contato com ele durante quase toda a vida.

Dirigido por David Fincher, “O Curioso Caso de Benjamin Button” acompanha Benjamin (Brad Pitt) desde o nascimento, em 1918. Sua mãe morre no parto, e o pai, Thomas Button (Jason Flemyng), assustado com a aparência e a saúde do bebê, o abandona à porta de uma casa de repouso. Queenie (Taraji P. Henson), que trabalha ali, decide criá-lo. Os médicos duvidam que ele sobreviva por muito tempo. Ela, felizmente, tem mais paciência que eles.

Um menino entre os idosos

Benjamin cresce cercado por moradores que, à primeira vista, parecem ter sua idade. Por dentro, porém, é uma criança curiosa, ansiosa para explorar a casa e sair dela. Essa diferença rende passagens divertidas, mas também restringe sua liberdade. Queenie o protege porque conhece suas dificuldades de saúde, enquanto ele quer descobrir o que seu corpo consegue fazer.

É ali que Benjamin conhece Daisy, neta de uma das moradoras. Os dois brincam e criam uma amizade que resiste às separações seguintes. Daisy cresce, aprende a dançar e sonha com os palcos. Benjamin ganha saúde e disposição à medida que sua aparência rejuvenesce. Quando ela visita a casa de repouso, encontra alguém familiar e, a cada vez, um pouco diferente.

As viagens de Benjamin

O trabalho num rebocador comandado pelo capitão Mike Clark (Jared Harris) permite que Benjamin deixe Nova Orleans. Ele conhece outros lugares, assume tarefas e passa a ganhar seu próprio dinheiro. A distância, porém, dificulta os encontros com Daisy. Os dois mantêm contato por cartas e cartões-postais, acompanhando apenas partes da vida um do outro.

Durante uma temporada longe de casa, Benjamin se envolve com Elizabeth Abbott (Tilda Swinton), uma mulher casada. A relação tem a intimidade de encontros frequentes e o limite imposto pela vida que ela já possui. Esse trecho dá a Benjamin uma história amorosa fora da amizade com Daisy e permite ver o quanto ele mudou desde que saiu de casa. Pitt faz do personagem um homem reservado, por vezes difícil de decifrar, mas atento às pessoas que lhe oferecem companhia.

Daisy, enquanto isso, constrói uma carreira na dança. Blanchett lhe dá uma energia que aparece tanto na dedicação ao trabalho quanto na impaciência diante de Benjamin. Quando se reencontram adultos, a afeição permanece, agora acompanhada de atração. Ainda assim, um visita o outro em momentos nem sempre favoráveis. Benjamin chega após longas ausências. Daisy tem apresentações, compromissos e uma vida que não ficou à espera dele.

Quando Daisy precisa parar

Um acidente interrompe a carreira de bailarina de Daisy. Benjamin vai procurá-la, mas ela rejeita sua ajuda. A decisão pode soar cruel, sobretudo porque ele fez uma longa viagem para vê-la. Blanchett deixa perceptível o que está em jogo para a personagem. Daisy perdeu o trabalho ao qual dedicou anos e ainda precisa aprender a viver com essa perda. Receber Benjamin naquele momento exigiria mostrar a ele uma vulnerabilidade que ela prefere enfrentar sozinha.

Fincher dá tempo a esse afastamento. O filme é longo e, em algumas passagens, parece mais interessado em registrar as pessoas que Benjamin conhece do que em fazer o romance avançar. Essas histórias, contudo, esclarecem uma questão que o acompanha desde a infância. Ele pode partir, trabalhar e se apaixonar, mas não consegue escolher a idade que seu corpo aparentará quando voltar. Daisy tampouco pode suspender a própria vida até que os dois estejam prontos.

A chance de ficar juntos

Mais tarde, Daisy retorna a Nova Orleans e procura Benjamin. Os dois se parecem, enfim, ter idades próximas e tentam construir uma rotina a dois. A casa, a convivência e os planos em comum dão ao relacionamento uma simplicidade que faltava às cartas e aos encontros de passagem. Por algum tempo, eles podem acordar no mesmo lugar e decidir o dia juntos.

A felicidade dessa fase não apaga a inquietação que os acompanha. Daisy continuará envelhecendo, enquanto Benjamin seguirá na direção contrária. Fincher preserva a ternura do casal sem fingir que o amor resolve essa diferença. No hospital, Caroline continua a ler o diário, e a tempestade se aproxima de Nova Orleans. Daisy escuta, intervém quando pode e deixa a filha avançar pelas páginas que ainda restam.


Filme: O Curioso Caso de Benjamin Button
Diretor: David Fincher
Ano: 2008
Gênero: Drama/Fantasia/Romance
Avaliação: 4/5 1 1
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