Discover

Ptolomeu (Anthony Hopkins), já idoso no Egito, dita a um escriba as lembranças de Alexandre, rei da Macedônia que, no século IV a.C., atravessou a Ásia para derrotar o Império Persa. Dirigido por Oliver Stone, “Alexandre” acompanha a formação do conquistador, as batalhas que lhe deram poder e o desgaste provocado por sua insistência em avançar. O longa procura revelar o homem por trás da figura histórica, dividido entre a influência dos pais, a lealdade aos companheiros e uma ambição que nenhum território parece satisfazer.

Antes de comandar exércitos, Alexandre (Colin Farrell) cresce em uma família cercada por desconfiança. Sua mãe, Olímpia (Angelina Jolie), alimenta a ideia de que o filho possui uma origem grandiosa e nasceu para ocupar uma posição superior. O pai, Filipe II (Val Kilmer), prefere ensinar autoridade por meio da força, da disciplina e da humilhação. Entre os dois, o jovem aprende cedo que a sucessão ao trono depende tanto de alianças quanto da coragem demonstrada diante dos soldados.

Aristóteles (Christopher Plummer) participa da educação do príncipe e desperta sua curiosidade por territórios distantes, culturas estrangeiras e formas diferentes de governo. Alexandre também conquista respeito ao dominar Bucéfalo, cavalo que ninguém conseguia controlar. O gesto aproxima pai e filho por algum tempo, mas não encerra a disputa familiar. Olímpia continua pressionando o herdeiro, enquanto Filipe observa com preocupação a confiança crescente daquele rapaz.

A situação piora quando Filipe se casa com Eurídice (Marie Meyer), jovem pertencente a uma família macedônia influente. A união cria a possibilidade de outro herdeiro e ameaça o lugar de Alexandre na corte. Durante uma celebração, o príncipe reage a uma provocação e enfrenta publicamente o pai. A discussão rompe a frágil convivência entre os dois e deixa evidente que o palácio oferece menos segurança que qualquer campo de batalha.

A coroa abre caminho para a guerra

Após a morte de Filipe, Alexandre assume o trono e precisa agir antes que seus adversários interpretem sua juventude como fraqueza. Ele contém rebeliões, confirma o domínio macedônio sobre os gregos e reúne um exército para enfrentar Dario III (Raz Degan), soberano da Pérsia. A campanha também cumpre um desejo herdado do pai, embora Alexandre logo transforme o plano militar em um projeto muito mais pessoal.

Heféstion (Jared Leto), amigo desde a infância, permanece ao lado do novo rei. A ligação entre ambos oferece a Alexandre uma confiança rara em uma corte movida por interesses. Stone trata essa proximidade com cuidado, deixando que gestos e conversas revelem uma intimidade incompatível com as expectativas impostas ao soberano. Heféstion conhece suas inseguranças, mas também presencia o momento em que a confiança do companheiro começa a se confundir com uma certeza quase divina.

A Batalha de Gaugamela ocupa o centro militar da história. Alexandre enfrenta um contingente persa maior e aposta na velocidade da cavalaria para romper as linhas inimigas. O terreno coberto por poeira, o barulho dos cavalos e a dificuldade de transmitir ordens transformam a luta em uma sucessão de escolhas urgentes. Stone acompanha os deslocamentos sem esconder a brutalidade daquele avanço. Quando a estratégia funciona, o rei conquista passagem para as cidades mais ricas do império e ganha uma autoridade que poucos homens ousam questionar.

Babilônia muda o vencedor

A entrada em Babilônia representa uma virada para Alexandre. Os palácios, os tesouros e a diversidade da população mostram que vencer uma batalha é bem mais simples que governar povos diferentes. Em lugar de tratar todos os persas como inimigos permanentes, ele incorpora costumes locais e aproxima integrantes da elite vencida. A atitude possui uma finalidade política, já que um território tão extenso não poderia permanecer sob controle apenas pela presença de soldados macedônios.

Os oficiais, porém, esperavam privilégios maiores depois de anos de campanha. Muitos veem a aproximação com os persas como uma afronta aos homens que lutaram desde a Grécia. Alexandre preserva sua autoridade, mas começa a perder a familiaridade que mantinha com os companheiros. Os banquetes ficam mais tensos, as discordâncias ganham peso e qualquer crítica pode ser interpretada como deslealdade. Até a escolha das roupas do rei vira assunto político, prova de que o figurino também pode arrumar uma boa confusão entre soldados cansados.

Roxana (Rosario Dawson), princesa da Báctria, passa a ocupar um lugar decisivo quando Alexandre resolve se casar com ela. A união fortalece os vínculos com uma região recém-dominada e contribui para o projeto de aproximar macedônios e asiáticos. Olímpia, distante do filho, cobra um herdeiro capaz de assegurar a continuidade da dinastia. Heféstion recebe a notícia com desconforto, pois o casamento interfere na relação afetiva e política mantida com Alexandre.

A ambição atravessa a Índia

Mesmo depois de controlar importantes territórios persas, Alexandre decide continuar rumo à Índia. A marcha prolongada desgasta homens que passaram anos longe de casa e já acumularam ferimentos, perdas e promessas adiadas. O rei acredita que interromper a campanha significaria abandonar a missão que atribuiu a si mesmo. Seus soldados, por outro lado, começam a avaliar se ainda existe alguma recompensa capaz de compensar tamanha distância da Macedônia.

Na Índia, o exército enfrenta chuva, mata fechada, terreno desconhecido e elefantes de guerra. As condições diminuem a vantagem das formações macedônias e aumentam o risco de cada movimento. Alexandre continua à frente da tropa, expondo o próprio corpo para conservar o respeito dos combatentes. A coragem permanece, mas já não produz a mesma obediência. Cada nova ordem exige mais esforço, pois os homens que antes seguiam o rei por confiança agora precisam ser convencidos a permanecer.

O homem atrás da conquista

Colin Farrell interpreta Alexandre com uma mistura de entusiasmo, vaidade e insegurança. Seu desempenho ganha força quando o rei percebe que a admiração dos soldados possui prazo e depende de resultados. Angelina Jolie apresenta uma Olímpia calculista, afetuosa e ameaçadora, capaz de transformar a proteção materna em pressão política. Val Kilmer oferece a Filipe uma brutalidade atravessada por frustração, enquanto Anthony Hopkins dá a Ptolomeu o peso de quem revisita acontecimentos que ajudou a construir.

Oliver Stone reúne guerra, drama familiar e disputa política em uma produção grandiosa, embora a narração de Ptolomeu por vezes entregue informações que poderiam surgir melhor nas relações entre os personagens. As batalhas impressionam pela escala, mas o trecho mais envolvente nasce do desgaste dentro dos acampamentos. Ali, Alexandre já conquistou cidades, tesouros e exércitos, porém precisa aguardar a reação de homens exaustos antes de ordenar outra marcha.

“Alexandre” ganha interesse quando abandona por instantes a imagem do herói invencível e observa o governante cercado pelas consequências das próprias escolhas. Ele deseja integrar culturas, preservar amizades, cumprir as expectativas da mãe e superar o pai, tarefas difíceis de acomodar na mesma coroa. Ao avançar para territórios cada vez mais distantes, Alexandre conserva o comando formal, mas vê diminuir o número de companheiros dispostos a acompanhá-lo.


Filme: Alexandre O Grande
Diretor: Oliver Stone
Ano: 2004
Gênero: Ação/Drama/Guerra
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

Leia Também