Charles Bingley (Crispin Bonham-Carter), um jovem rico e solteiro, aluga Netherfield, propriedade próxima à cidade de Meryton, na Inglaterra do início do século 19. A notícia desperta o entusiasmo da senhora Bennet (Alison Steadman), mãe de cinco filhas em idade de casar. Para ela, a chegada do vizinho representa uma rara oportunidade de garantir segurança financeira a uma das jovens.
Dirigida por Simon Langton, “Orgulho e Preconceito” acompanha principalmente Elizabeth Bennet (Jennifer Ehle), a segunda filha da família, e Fitzwilliam Darcy (Colin Firth), amigo de Bingley. O romance entre os dois nasce cercado por diferenças sociais, avaliações precipitadas e informações incompletas. Antes que qualquer afeto seja admitido, ambos precisarão enfrentar as próprias certezas.
Bingley comparece a um baile local e demonstra interesse por Jane Bennet (Susannah Harker), a filha mais velha dos Bennet. Gentil, receptivo e disposto a conversar, ele conquista a simpatia da vizinhança. Darcy produz o efeito oposto. Reservado e muito mais rico, recusa convites para dançar e trata os moradores com frieza. Elizabeth escuta uma observação depreciativa feita por ele e passa a enxergá-lo como um homem arrogante.
A primeira impressão estabelece uma barreira difícil de derrubar. Elizabeth possui inteligência, vivacidade e suficiente orgulho para não esquecer uma ofensa. Darcy, acostumado à deferência que seu sobrenome provoca, descobre uma mulher pouco interessada em agradá-lo. Os dois começam a observar um ao outro, embora cada encontro pareça fornecer novas razões para manter distância.
Longbourn tem destino marcado
A preocupação da senhora Bennet vai além de um desejo exagerado por festas de casamento. Longbourn, a propriedade da família, não poderá ser herdada pelas cinco filhas. Na ausência de um descendente homem, a casa passará ao senhor William Collins (David Bamber), primo dos Bennet e clérigo protegido pela poderosa Lady Catherine de Bourgh (Barbara Leigh-Hunt).
Collins visita a família decidido a escolher uma esposa entre as primas. Sua presença reúne cortesia, vaidade e uma capacidade quase atlética de transformar qualquer conversa curta numa cerimônia. Ele acredita que o casamento poderá preservar parte da propriedade dentro da família, além de fortalecer sua respeitabilidade como religioso. Elizabeth, porém, percebe que a proposta exigiria uma vida inteira de paciência diante de um homem que raramente escuta outra voz além da própria.
A situação mostra por que casamento e patrimônio caminham juntos naquela sociedade. Elizabeth deseja escolher com liberdade, mas não possui renda ou propriedade que garantam seu futuro. Charlotte Lucas (Lucy Scott), sua amiga, enfrenta a mesma realidade com prioridades diferentes. Enquanto Elizabeth procura afeto e respeito, Charlotte considera a estabilidade oferecida por uma casa. Cada escolha possui um custo financeiro bastante concreto.
O senhor Bennet (Benjamin Whitrow) permite que Elizabeth decida por conta própria, embora tenha poucos recursos para proteger as filhas depois de sua morte. A senhora Bennet reage com desespero porque conhece o risco que ronda a família. Alison Steadman transforma a personagem numa figura espalhafatosa e inconveniente, mas também revela uma mulher aterrorizada pela possibilidade de ver as filhas sem moradia ou renda.
Wickham oferece uma história conveniente
A chegada de um destacamento militar oferece novas distrações às irmãs mais jovens. Lydia Bennet (Julia Sawalha) e Kitty Bennet (Polly Maberly) ficam encantadas com uniformes, bailes e oficiais disponíveis. Elizabeth conhece George Wickham (Adrian Lukis), homem simpático que demonstra conhecer Darcy e apresenta uma versão comprometedora sobre o passado do rival.
Wickham afirma ter sido prejudicado por Darcy numa questão ligada à herança e ao trabalho que lhe teria sido prometido. A história encontra terreno fértil porque confirma a opinião que Elizabeth já formou. Ela possui motivos para desconfiar de Darcy e pouca disposição para investigar alguém que se mostra educado, atraente e disposto a ouvi-la. O relato de Wickham fortalece seu ressentimento e deixa Darcy numa posição ainda menos favorável.
Darcy, por sua vez, começa a demonstrar interesse por Elizabeth. Ele a convida para dançar em Netherfield e procura conversar durante encontros sociais. A aproximação está longe de ser tranquila. Elizabeth responde com ironia, questiona suas atitudes e não oferece a admiração que sua fortuna costuma comprar. Jennifer Ehle dá à personagem uma energia espirituosa, enquanto Colin Firth mantém Darcy preso entre desejo, orgulho e constrangimento.
Jane perde acesso a Bingley
O relacionamento entre Jane e Bingley parecia avançar, mas sofre interferência de pessoas que consideram os Bennet socialmente inadequados. Jane é discreta demais para exibir a intensidade de seus sentimentos. Bingley, influenciável e preocupado com a opinião dos amigos, afasta-se sem oferecer uma explicação satisfatória.
Jane viaja para Londres e espera reencontrá-lo, mas permanece ignorada. Elizabeth observa o sofrimento da irmã e suspeita que Darcy participou do afastamento. A acusação torna o relacionamento entre os protagonistas ainda mais difícil. Para Elizabeth, ele deixou de ser apenas um homem grosseiro e passou a representar uma ameaça concreta à felicidade de Jane.
A minissérie dedica tempo às consequências dessa separação. Jane tenta preservar a dignidade, enquanto Elizabeth reúne indignação suficiente para enfrentar Darcy quando surge a oportunidade. A diferença entre as irmãs também ganha força. Jane procura enxergar bondade nas pessoas, enquanto Elizabeth confia demais na própria capacidade de julgá-las.
Uma carta muda a leitura
Quando Darcy revela seus sentimentos, escolhe palavras que também expõem seu incômodo com a posição inferior dos Bennet. Elizabeth rejeita a abordagem e apresenta tudo aquilo que acredita saber sobre ele. A conversa reúne desejo e ressentimento sem transformar nenhum dos dois em herói perfeito. Darcy fala mal, Elizabeth julga com segurança excessiva e ambos saem feridos.
Uma carta entregue depois desse encontro oferece a Elizabeth informações sobre Bingley, Jane e Wickham. O documento não apaga as atitudes anteriores de Darcy, mas obriga a jovem a examinar os fatos por outro ângulo. Ela percebe que sua inteligência não a protege de acreditar numa versão conveniente. O orgulho que criticava nele também participou de suas próprias escolhas.
Simon Langton mantém cartas, visitas e bailes ligados ao avanço da história. Cada informação muda a maneira pela qual Elizabeth observa Darcy, enquanto cada gesto dele revela algo que suas primeiras palavras esconderam. O roteiro de Andrew Davies preserva o espaço necessário para que atração e confiança cresçam sem pressa.
“Orgulho e Preconceito” ainda conquista as pessoas porque trata o romance como parte de uma disputa diária por casa, renda e reputação. Elizabeth e Darcy precisam superar erros reais antes de cogitar uma vida em comum, enquanto Jane, Bingley, Charlotte e as demais irmãs enfrentam limites diferentes. Em Meryton, um baile permite aproximações, uma carta derruba certezas e um casamento pode decidir quem conservará acesso a Longbourn.

