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Resgatado do Mar Mediterrâneo com duas balas nas costas e nenhuma lembrança, Jason Bourne (Matt Damon) percorre a Europa em busca da própria identidade. Lançado em 2002 e dirigido por Doug Liman, “A Identidade Bourne” acompanha esse homem entre Zurique e Paris, enquanto uma operação clandestina da CIA tenta localizá-lo. O motivo surge aos poucos. Embora Bourne não saiba quem é, seu corpo conserva habilidades que pertencem a alguém treinado para matar.

Pescadores italianos retiram Bourne da água durante a noite. Ele está ferido, inconsciente e sem qualquer documento que permita avisar parentes ou autoridades. Quando desperta, percebe que perdeu a memória, embora consiga falar vários idiomas e analisar o ambiente com uma atenção incomum.

O médico do barco encontra sob sua pele um pequeno projetor com o número de uma conta bancária em Zurique. A descoberta oferece a primeira pista concreta. Bourne desembarca na Europa, reúne algum dinheiro e segue para a Suíça, esperando que o banco devolva ao menos um nome.

Antes de chegar ao cofre, ele adormece num parque e é abordado por policiais. A reação surpreende até o próprio personagem. Bourne desarma os homens com movimentos precisos e foge antes que outros agentes apareçam. Matt Damon registra bem o espanto daquele homem diante das próprias capacidades. Ele teme os perseguidores, mas começa a desconfiar ainda mais de si mesmo.

O cofre guarda muitas identidades

No banco suíço, Bourne abre uma caixa abastecida com dinheiro de vários países, uma arma, documentos e passaportes emitidos sob nomes diferentes. Entre eles está o de Jason Bourne, identidade que ele decide adotar por falta de uma alternativa mais confiável. Também encontra o endereço de um apartamento em Paris.

O conteúdo da caixa resolve necessidades básicas, pois fornece dinheiro e documentos para atravessar fronteiras. Ao mesmo tempo, levanta perguntas incômodas. Uma pessoa comum dificilmente mantém tantas identidades, moedas estrangeiras e uma pistola dentro de um banco suíço. Bourne leva tudo, menos a arma, num gesto que revela certa resistência ao homem sugerido por aqueles objetos.

A passagem pelo banco, contudo, deixa um registro. Alexander Conklin (Chris Cooper), chefe da Operação Treadstone, recebe a notícia de que Bourne está vivo e ativa uma caçada. Fotografias são distribuídas, autoridades recebem alertas e assassinos profissionais entram em ação. Entre eles está o Professor (Clive Owen), um homem discreto que executa ordens sem precisar levantar a voz.

Uma carona muda a fuga

Perseguido pela polícia suíça, Bourne entra no consulado dos Estados Unidos usando o passaporte americano. A proteção dura pouco. Guardas tentam detê-lo, mas ele atravessa corredores, escadas e áreas externas até escapar pelo alto do prédio.

Doug Liman acompanha a movimentação sem transformar Bourne num herói satisfeito com a própria eficiência. O personagem age porque precisa sobreviver, embora cada fuga confirme que recebeu treinamento avançado. A câmera permanece próxima dele e mantém fora de quadro aquilo que ainda não conhece. O público descobre as informações na mesma velocidade do fugitivo.

Na saída do consulado, Bourne reconhece Marie Kreutz (Franka Potente), uma alemã com dificuldades financeiras e pouca disposição para obedecer à burocracia. Ele oferece 20 mil dólares para que ela o leve até Paris. Marie desconfia, faz perguntas e aceita a proposta, provavelmente porque excentricidade pesa menos quando o pagamento é generoso.

A viagem aproxima duas pessoas que ocupam lugares opostos. Bourne controla movimentos, placas e possíveis ameaças. Marie fala bastante, reclama e deseja saber por que seu passageiro carrega tantos documentos. Ele não diz, mas sua atenção às saídas, aos carros e aos desconhecidos revela um treinamento incompatível com a fragilidade daquele homem que acordou num barco sem conseguir informar o próprio sobrenome.

Franka Potente impede que Marie seja apenas uma acompanhante assustada. A personagem observa, questiona e decide até onde pretende participar daquela busca. Sua presença também expõe um lado menos mecânico de Bourne, que passa a considerar o risco imposto a alguém sem ligação com seu passado.

Paris fecha as portas

No apartamento indicado pelos documentos, Bourne vasculha objetos, examina registros e telefona para hotéis em busca dos nomes encontrados no cofre. Uma dessas identidades está associada a informações preocupantes. Antes que consiga avançar, um homem invade o local e tenta dominá-lo.

Bourne reage com a mesma precisão demonstrada em Zurique. A luta confirma que seus perseguidores conhecem o apartamento e acompanham os endereços ligados aos passaportes. Marie presencia a violência e percebe que a história do passageiro, por mais absurda que parecesse dentro do carro, possui ameaças bastante concretas.

Os dois deixam o imóvel e passam a fugir juntos pelas ruas de Paris. Liman prefere automóveis comuns, quartos modestos, mapas e telefones aos aparelhos extravagantes tradicionais das aventuras de espionagem. Essa escolha dá peso ao dinheiro, ao tempo e aos quilômetros percorridos. Perder um carro ou abandonar um hotel significa ficar sem abrigo antes que Conklin envie outro agente.

A habilidade vira ameaça

Conklin acompanha a perseguição por computadores, relatórios e ligações. Bourne, distante daquela estrutura, trabalha com papéis encontrados no cofre e fragmentos despertados por lugares e nomes. A diferença de recursos aumenta a pressão. A CIA dispõe de agentes e vigilância, enquanto o fugitivo depende de uma motorista improvisada e de lembranças que chegam sem aviso.

“A Identidade Bourne” acerta ao fazer cada sequência de ação produzir informação. Bourne luta para abrir uma saída, dirige para ganhar distância e consulta documentos para descobrir quem deseja matá-lo. Nada parece incluído apenas para exibir força ou velocidade. Até as pausas carregam perigo, pois permanecer muito tempo num endereço permite que Treadstone feche outra rota.

Matt Damon combina preparo físico com um medo contido que sustenta o mistério. Bourne pode derrubar adversários em poucos segundos, mas não consegue responder às perguntas mais simples feitas por Marie. Essa contradição humaniza um personagem que poderia virar apenas uma arma ambulante.

Quando Bourne decide procurar a ligação entre seus passaportes e a Operação Treadstone, a investigação deixa de envolver somente seu nome. Ele precisa descobrir quem o treinou, quais ordens recebeu e por que a CIA mobiliza tantos recursos para apagá-lo. Marie continua ao seu lado, enquanto Conklin entrega as novas coordenadas ao Professor e autoriza outra tentativa de execução.


Filme: A Identidade Bourne
Diretor: Doug Liman
Ano: 2002
Gênero: Ação/Mistério/Suspense
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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