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Clarice Starling (Julianne Moore) comanda uma operação do FBI em Washington que termina com mortos, policiais feridos e grande repercussão na imprensa. A agente toma uma decisão difícil diante de uma criminosa armada, mas seus superiores preferem atribuir a ela a responsabilidade pelo fracasso. É nesse ambiente que “Hannibal”, lançado em 2001 e dirigido por Ridley Scott, reencontra a personagem dez anos depois dos acontecimentos de “O Silêncio dos Inocentes”. Experiente e respeitada por parte dos colegas, Clarice ainda precisa trabalhar sob o comando de homens que parecem mais incomodados com sua personalidade do que com seus resultados.

O desgaste devolve a agente ao caso de Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), psiquiatra, assassino e canibal que escapou da prisão. Ninguém sabe ao certo onde ele vive, mas Clarice continua sendo uma das poucas pessoas pelas quais o criminoso demonstra interesse. Essa ligação chama a atenção de Mason Verger (Gary Oldman), milionário que sobreviveu a um encontro brutal com Lecter e carrega graves sequelas. Verger deseja capturá-lo para executar uma vingança planejada durante anos. Para isso, precisa usar Clarice como isca e transformar uma investigação pública em assunto particular.

Uma nova vida em Florença

Lecter está em Florença, na Itália, onde assume a identidade de Dr. Fell e busca permanecer como curador de uma biblioteca histórica. Cercado por livros, obras de arte e salões elegantes, ele leva uma vida confortável e bastante diferente daquela que teria um dos criminosos mais procurados dos Estados Unidos. Anthony Hopkins aproveita essa liberdade para interpretar um Hannibal mais expansivo. O personagem conversa sobre história, frequenta ambientes refinados e mantém sua conhecida educação, embora qualquer gesto gentil possa esconder uma ameaça nada civilizada.

O inspetor Rinaldo Pazzi (Giancarlo Giannini) começa a desconfiar do novo curador enquanto investiga o desaparecimento do homem que ocupava o cargo anteriormente. Quando Clarice solicita à polícia italiana imagens relacionadas a uma pista, Pazzi percebe quem está diante dele. Em vez de avisar seus superiores, o policial se interessa pela recompensa oferecida por Verger. O dinheiro transforma a descoberta em um negócio clandestino e deixa o inspetor sem a proteção da própria corporação. O problema é que vigiar Lecter costuma ser uma atividade perigosa, sobretudo quando ele nota que está sendo seguido.

Uma carta encurta a distância

A ligação entre Clarice e Hannibal volta a ganhar força quando ela recebe uma carta enviada por ele. O papel guarda indícios que podem revelar a origem da mensagem, e a agente procura especialistas para examinar um aroma presente no envelope. A descoberta aponta para poucos estabelecimentos de Florença e oferece ao FBI uma região onde concentrar a busca. Clarice consegue avançar, mas depende da colaboração de uma polícia estrangeira e desconhece os interesses financeiros de Pazzi. Cada informação compartilhada pelas autoridades também pode chegar aos homens contratados por Verger.

Paul Krendler (Ray Liotta), funcionário do Departamento de Justiça, piora a situação. Ele tem influência sobre o caso e alimenta uma antiga hostilidade contra Clarice, que rejeitou suas investidas. Krendler usa o fracasso da operação em Washington para questionar a competência da agente e limitar seu acesso à investigação. Ray Liotta interpreta o personagem com uma arrogância que chega a ser cômica pela falta de vergonha. Enquanto Lecter esconde crimes atrás de boas maneiras, Krendler nem se preocupa em disfarçar o prazer de humilhar uma colega.

Verger transforma vingança em operação

Mason Verger acompanha a busca de uma propriedade luxuosa, cercado por empregados e recursos suficientes para financiar sua própria equipe. Gary Oldman aparece quase irreconhecível sob a maquiagem pesada, mas preserva a voz e a ironia necessárias para revelar o homem por trás das cicatrizes. Verger não pretende entregar Hannibal ao FBI. Ele quer capturá-lo vivo e aplicar uma punição preparada com requintes de crueldade. Clarice representa o caminho mais seguro para atraí-lo, pois o interesse de Lecter por ela sobreviveu ao tempo e à distância.

O plano ganha força quando Verger se aproxima de Krendler e usa sua influência para prejudicar Clarice dentro do governo. A agente passa a enfrentar duas buscas paralelas. Uma tenta localizar Lecter dentro da lei, enquanto a outra compra pistas e contrata homens para sequestrá-lo. Ela sabe que Verger deseja algo muito diferente de justiça, porém suas advertências encontram resistência. O FBI protege a reputação da instituição, Krendler protege os próprios interesses e Clarice fica com menos autoridade quando mais precisa dela.

Hannibal retorna aos Estados Unidos

Ao descobrir que Clarice está sendo atacada profissionalmente, Lecter abandona a segurança relativa de Florença e volta aos Estados Unidos. Sua decisão aproxima o criminoso, a agente e o milionário, tornando a perseguição mais perigosa. Hannibal deseja reencontrar Clarice por razões que misturam curiosidade, afeto e domínio. Verger aposta nessa aproximação para completar sua vingança. Clarice, por sua vez, tenta impedir que qualquer um dos dois determine seu destino.

Ridley Scott prefere apresentar Lecter fora da cela, circulando por ruas, estações e espaços luxuosos. A liberdade muda o tipo de ameaça. Em “O Silêncio dos Inocentes”, o personagem assustava mesmo preso atrás de um vidro. Em “Hannibal”, ele escolhe onde ir, quem observar e quando desaparecer. Essa mudança oferece sequências mais violentas e um tom menos contido, mas também diminui parte do mistério que tornava o encontro entre Lecter e Clarice tão perturbador.

Julianne Moore assume uma personagem associada a Jodie Foster sem tentar copiar a interpretação anterior. Sua Clarice parece mais cansada, firme e consciente das disputas internas do FBI. Anthony Hopkins, por outro lado, transforma Lecter em uma presença quase aristocrática, sempre educada e perigosamente satisfeita consigo mesma. O filme exagera em certos momentos e perde parte da delicadeza psicológica de seu antecessor, mas sustenta o interesse ao colocar Clarice entre um assassino fascinado por ela e homens influentes que desejam utilizá-la. Quando a armadilha de Verger se fecha, a agente precisa agir mesmo sem autorização, apoio ou garantia de que conseguirá sair ilesa.


Filme: Hannibal
Diretor: Ridley Scott
Ano: 2001
Gênero: Crime/Drama/Suspense
Avaliação: 4/5 1 1
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