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Lindsay Gossling reúne quatro famílias em Minninnewah, Oklahoma, onde um tornado transforma conflitos particulares numa corrida pela sobrevivência. “13 Minutos de Tormenta” começa longe da agitação esperada de um filme-catástrofe. A diretora prefere acompanhar os moradores durante uma manhã comum, enquanto cada família enfrenta dívidas, preconceitos, segredos e decisões que já pareciam grandes antes da mudança do tempo. O tornado ainda está distante, mas a cidade carrega tempestades suficientes dentro de suas casas.

O roteiro escrito por Lindsay Gossling e Travis Farncombe apresenta muitos personagens e demora a juntar suas histórias. Essa escolha permite conhecer quem estará em perigo, embora também deixe a primeira metade carregada de assuntos. O filme fala de imigração, homossexualidade, aborto, violência doméstica, intolerância religiosa e dificuldades financeiras. Há tanto material que Minninnewah parece ter concentrado os principais debates americanos numa única manhã.

Uma cidade cheia de conflitos

Rick (Trace Adkins) administra uma fazenda com problemas financeiros. Doente, ele esconde sua condição porque teme perder autoridade dentro da propriedade. Sua mulher, Tammy (Anne Heche), trabalha numa clínica e segue convicções religiosas rígidas, que interferem tanto na relação com os pacientes quanto na vida familiar.

O filho do casal, Luke (Will Peltz), mantém um relacionamento com Daniel (Davi Santos), mas ainda teme contar aos pais que é gay. O rapaz sabe que a revelação pode afastá-lo da família, especialmente por causa da postura conservadora de Tammy. Rick está preocupado com a fazenda e mal percebe o sofrimento do filho. O silêncio preserva a rotina por algumas horas, porém aumenta o risco de uma ruptura dentro de casa.

Daniel é filho de Ana (Paz Vega) e Carlos (Yancey Arias), um casal que economiza para comprar a primeira casa. Ana trabalha na limpeza de um motel, onde recebe menos do que deveria porque o gerente conhece sua situação vulnerável. Carlos, que possui pouca familiaridade com o inglês e vive sem documentação regular, aceita um serviço temporário na fazenda de Rick.

A proximidade entre as famílias cria uma contradição incômoda. Rick depende do trabalho de Carlos, mas oferece pouca consideração ao homem que ajuda a manter sua propriedade. Carlos suporta o tratamento porque precisa do dinheiro. Ana, por sua vez, assina os documentos da casa desejada e comemora uma conquista que ainda pode desaparecer diante de qualquer problema no emprego ou na imigração.

Uma gravidez divide a cidade

Na oficina próxima ao motel trabalha Jess (Thora Birch), mãe de Maddy (Sofia Vassilieva). A jovem está grávida e pensa em interromper a gestação. O pai da criança, Eric (James Austin Kerr), oferece pouca segurança e tem seus próprios segredos. Maddy precisa decidir o que fará sem contar com o apoio responsável do rapaz.

Jess respeita a escolha da filha, embora saiba que qualquer decisão trará mudanças para ambas. Tammy adota uma postura diferente e tenta convencer Maddy a manter a gravidez. O filme apresenta esse conflito com pouca sutileza. Cada personagem recebe falas que deixam sua opinião devidamente etiquetada, quase com nome, endereço e código postal.

Thora Birch dá humanidade a Jess por meio de uma atuação firme e sensível. A personagem fala com aspereza, mas permanece atenta ao medo da filha. Anne Heche interpreta Tammy sem suavizar suas certezas. A personagem acredita estar ajudando, porém sua fé frequentemente ocupa o espaço que deveria pertencer às escolhas alheias.

O alerta perde força

Enquanto os moradores cuidam desses problemas, Kim (Amy Smart) acompanha a formação de uma tempestade severa. Ela trabalha com informações meteorológicas e percebe que o fenômeno pode atingir Minninnewah. Seu namorado, Brad (Peter Facinelli), também conhece os riscos do clima, mas a relação dos dois guarda feridas que tornam a vida doméstica tão insegura quanto o céu.

A cidade está acostumada a sirenes e previsões alarmantes. Muitos habitantes tratam os avisos com displicência porque já ouviram alertas que terminaram apenas em chuva forte. Essa familiaridade cria o maior perigo da história. Quando a ameaça cresce, parte da população continua trabalhando, dirigindo ou resolvendo assuntos pessoais.

O título indica o tempo disponível após a confirmação do risco. Os moradores terão apenas 13 minutos para buscar proteção antes da chegada do tornado. A partir desse aviso, o filme ganha a urgência que demorou a aparecer. Carlos está longe de Ana, Luke pensa em Daniel, Jess tenta proteger quem está por perto e Maddy precisa cuidar da jovem Peyton (Shaylee Mansfield).

Treze minutos mudam tudo

Gossling corta de uma família para outra enquanto o vento se aproxima. Estradas, carros, porões, oficinas e quartos de motel passam a determinar quem possui alguma chance de proteção. A sirene oferece o mesmo prazo para todos, mas cada pessoa dispõe de recursos diferentes. Alguns têm veículos e abrigos. Outros estão presos ao trabalho, separados da família ou expostos numa estrada.

A ação ocupa menos espaço do que o título pode sugerir. “13 Minutos de Tormenta” dedica boa parte de seus 108 minutos à apresentação dos moradores e reserva sua sequência mais intensa para a parte posterior. Quem espera duas horas de destruição pode estranhar. O objetivo de Gossling está nas pessoas atingidas, embora o roteiro nem sempre desenvolva todas com a profundidade necessária.

Quando o tornado chega, o som assume grande importância. O barulho encobre diálogos, interrompe telefonemas e torna qualquer orientação difícil de ouvir. A montagem mantém alguns personagens distantes de seus familiares, aumentando a aflição sem revelar cedo demais quem conseguiu abrigo. A destruição impressiona mais quando surge perto de casas, veículos e estabelecimentos já conhecidos pelo público.

Destroços e procura por sobreviventes

Depois da passagem do tornado, os moradores saem à procura de parentes, vizinhos e desconhecidos. A cidade que antes discutia religião, imigração e sexualidade precisa lidar com feridos, desaparecidos e estruturas destruídas. Algumas diferenças perdem espaço porque retirar alguém dos escombros exige braços disponíveis, não discursos.

A segunda metade tem mais força porque as ações substituem parte das falas explicativas. Paz Vega se destaca como Ana, uma mulher acostumada a trabalhar muito e receber pouco. Thora Birch também oferece uma presença convincente, enquanto Amy Smart transmite o peso de quem conhecia o risco, mas não podia obrigar toda a cidade a reagir.

“13 Minutos de Tormenta” deseja falar sobre solidariedade, preconceito e desigualdade por meio de uma catástrofe. O excesso de temas enfraquece alguns personagens, que ficam presos a uma única questão. Ainda assim, a história mantém o interesse quando abandona as explicações e acompanha a busca por sobreviventes. Entre ambulâncias, destroços e nomes de desaparecidos, cada pessoa precisa descobrir quem conseguiu sair, quem continua preso e quanto tempo ainda resta para salvá-lo.


Filme: 13 Minutos de Tormenta
Diretor: Lindsay Gossling
Ano: 2021
Gênero: Ação/Drama/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
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