Ricos vão desenvolvendo hábitos estranhos até para si mesmos, tudo para se manter o mais distantes quanto conseguirem da massa ignara, os pobres mortais que, trocando em miúdos, permitem-lhes jamais descer do pedestal de glória e encantamento com que o destino os regalara. É claro que nunca há garantia o bastante de que fortunas colossais não derretam de um minuto para o outro e a magia se desvaneça para sempre. E por isso é que abastados e suas camarilhas rodeiam-nos primando pela sutileza, mas também sabendo projetar suas garras quando necessário, dando conta dos predadores antes de serem vistos. Muito dinheiro é capaz de esconder mazelas ainda mais penosas que a falta do mais básico, como Lone Scherfig mostra no atordoante “Clube dos Intocáveis”, um comentário mordaz sobre o poder como dispositivo de manipulações as mais repulsivas e aparentemente despropositadas, mas que guardam uma estranha lógica e uma razão.
Festim diabólico
Miles Richards chega a Oxford cheio de sonhos e de planos que podem ou não virar realidade. A dramaturga inglesa Laura Wade adapta o texto de “Posh”, sua peça levada aos palcos em 2010, fazendo do calouro o mestre de cerimônia da história. É a figura charmosa e enigmática que leva quem assiste pelos desvãos quase milenares de uma das mais rigorosas universidades do mundo, e logo percebe-se que certas lendas fazem sentido.
Miles é um rapaz decente, mas não é ingênuo e entende que precisa aceitar as regras do jogo caso queira fazer parte do Riot Club do título original e estar entre os que mandam, o que tem um preço. Scherfig mistura com destreza glamour e a atmosfera lúgubre que galvaniza o texto de Wade e, na versão cinematográfica, a crescente rivalidade entre os personagens de Max Irons e Sam Claflin ajuda a segurar o público até o último (e revelador) instante.

