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Em 2009, Kate Beckinsale enfrentou um assassinato na Antártida em “Terror na Antártida”, suspense de Dominic Sena sobre isolamento, culpa e sobrevivência. Carrie Stetko (Kate Beckinsale) trabalha como marechal dos Estados Unidos na estação de pesquisa Amundsen-Scott, no Polo Sul. Após dois anos em um dos lugares mais inóspitos do planeta, ela se prepara para voltar ao país e abandonar a carreira. Faltam apenas três dias para sua partida quando um cadáver é descoberto em uma área remota do continente. A chegada da primeira tempestade do inverno dá a Carrie pouquíssimo tempo para investigar.

Lançado em 2009, apesar de algumas fichas antigas indicarem datas diferentes, “Terror na Antártida” tem direção de Dominic Sena e adapta a história em quadrinhos escrita por Greg Rucka e ilustrada por Steve Lieber. O filme acompanha a investigação do primeiro homicídio registrado naquela região. A vítima aparece no gelo sem os equipamentos necessários para suportar o frio, o que afasta a hipótese de acidente e coloca os integrantes das bases científicas sob suspeita.

O piloto Delfy (Columbus Short) leva Carrie e o médico John Fury (Tom Skerritt) ao local onde o corpo foi localizado. Fury, conhecido por todos como Doc, examina a vítima e identifica ferimentos incompatíveis com uma morte causada apenas pelas condições climáticas. O cadáver pertence a Anton Weiss (Marc James Beauchamp), integrante de uma equipe que procurava meteoritos. Outros dois pesquisadores do mesmo grupo estão desaparecidos.

Carrie poderia entregar o caso às autoridades e embarcar no último avião. Sua consciência profissional, porém, fala mais alto que a vontade de ir embora. A escolha também expõe uma mulher ainda abalada por uma experiência anterior em Miami, onde a confiança depositada em um colega terminou em violência. A lembrança ajuda a explicar sua dificuldade para acreditar nas pessoas, embora o roteiro volte ao assunto mais vezes do que seria necessário.

Um agente cercado por dúvidas

A busca pelos pesquisadores leva Carrie até outra instalação no continente. O deslocamento seria perigoso em qualquer circunstância, mas se torna pior com ventos intensos, baixa visibilidade e poucas horas disponíveis antes do fechamento das rotas aéreas. Durante a apuração, ela percebe que alguém está disposto a matar para impedir que o segredo da equipe venha à tona. O assassino conhece o terreno, usa o branco ao redor para desaparecer e transforma cada saída da base em uma aposta bastante ingrata.

Robert Pryce (Gabriel Macht), agente de segurança das Nações Unidas, surge durante a investigação e afirma ter sido enviado para colaborar. Ele é educado, seguro e misterioso na medida esperada de um homem que entra num suspense usando roupas escuras e oferecendo poucas informações. Carrie aceita sua ajuda porque precisa de recursos e acesso a outras instalações, mas mantém certa distância. Depois do que viveu em Miami, confiar num desconhecido parece tão sensato quanto passear no gelo sem casaco.

Gabriel Macht interpreta Pryce com serenidade e deixa dúvidas suficientes sobre suas intenções. A relação entre ele e Carrie movimenta a parte policial da história, pois os dois precisam trabalhar juntos sem conhecer plenamente os interesses um do outro. Kate Beckinsale, por sua vez, dá à protagonista uma firmeza que não apaga o medo. Carrie sofre, hesita e sente o peso das escolhas, mas permanece ativa diante do crime.

Tom Skerritt oferece um contraponto mais acolhedor no papel de Doc. Prestes a se aposentar, o médico conhece a rotina da estação e acompanha Carrie desde sua chegada ao continente. A proximidade entre os dois permite que a marechal revele a dor causada pelo antigo parceiro. O vínculo também dá ao ambiente alguma humanidade, algo valioso num lugar onde até uma conversa amigável parece congelar antes de chegar ao fim.

Um avião sob o gelo

As pistas levam Carrie, Pryce e Delfy aos destroços de um avião soviético desaparecido décadas antes. A aeronave permaneceu enterrada sob o gelo, preservando em seu interior evidências ligadas aos pesquisadores mortos. Entrar na fuselagem oferece uma possível explicação para o crime, mas também coloca o grupo diante de estruturas frágeis, temperaturas fatais e saídas difíceis.

O avião aproxima o passado das mortes recentes sem interromper a investigação. Dominic Sena aproveita túneis, portas metálicas, cordas de segurança e rádios para criar situações em que pequenos erros cobram um preço alto. Na Antártida, retirar uma luva por alguns segundos pode provocar uma lesão grave. Perder contato com a base pode deixar alguém preso fora do abrigo. O cenário possui mais força que vários suspeitos reunidos.

Essa escolha distingue “Terror na Antártida” de produções policiais ambientadas em cidades, onde investigadores podem pedir reforços, seguir um carro ou bater à porta de outra testemunha. Carrie depende de aviões, pilotos, mapas e previsões meteorológicas. Quando uma pista surge, chegar até ela já representa metade do problema. O inverno próximo ainda ameaça manter todos na estação durante seis meses de escuridão.

O diretor também usa a tempestade para esconder informações da protagonista e do público. Em certas sequências, a neve apaga rostos, caminhos e construções. Carrie enxerga apenas alguns metros à frente, enquanto o criminoso pode estar muito perto. O efeito é eficiente porque nasce das condições do lugar. O vento não precisa de música ameaçadora para parecer hostil. Ele já chega com trabalho suficiente.

O tempo fecha todas as saídas

Sam Murphy (Shawn Doyle), responsável pela estação, precisa retirar pesquisadores e funcionários antes da chegada da tempestade. Carrie pede mais tempo para continuar a apuração, pois acredita que o responsável pelas mortes ainda está entre eles. O impasse possui um motivo simples. Se o embarque acontecer sem uma identificação, o assassino poderá deixar o continente. Se os voos forem adiados, dezenas de pessoas correrão o risco de permanecer isoladas durante o inverno.

A narrativa perde força quando insiste em pistas fáceis e distribui desconfiança de maneira calculada. Algumas figuras parecem suspeitas desde a primeira entrada, enquanto outras recebem tão pouco espaço que mal participam do mistério. Também há passagens nas quais a ação ocupa o lugar da investigação e deixa perguntas interessantes em segundo plano. O cenário promete um policial mais rigoroso do que o roteiro consegue entregar.

Ainda assim, “Terror na Antártida” preserva interesse pela protagonista e pelo uso do espaço. Kate Beckinsale carrega o filme com uma atuação física, mas sem transformar Carrie numa heroína invulnerável. Cada saída deixa marcas, e cada descoberta cobra uma nova permanência no continente que ela desejava abandonar. A marechal precisa decidir até onde continuará procurando o assassino quando o último avião partir, a tempestade cobrir as pistas e todas as portas da estação forem fechadas.


Filme: Terror na Antártida
Diretor: Dominic Sena
Ano: 2009
Gênero: Ação/Crime/Mistério/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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