Sophie Sheridan (Amanda Seyfried) prepara a reinauguração do hotel de sua família na ilha grega de Kalokairi. Ela quer homenagear Donna, sua mãe, e manter vivo o lugar construído com tanto esforço. Enquanto a jovem enfrenta problemas na organização da festa e a distância do marido, o passado revela como Donna, vivida na juventude por Lily James, chegou à ilha e conheceu os três homens que poderiam ser o pai de Sophie.
Dirigido por Ol Parker, “Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo” mistura continuação e origem na mesma história. A ação alterna a vida adulta de Sophie com os acontecimentos de 1979, quando Donna acaba de deixar a Universidade de Oxford e decide viajar pela Europa. As duas épocas dialogam por meio das canções do ABBA, dos romances e das escolhas feitas por mulheres que desejam seguir seus próprios planos, mesmo quando tudo ao redor parece colaborar com o caos.
Sophie assume o legado da mãe
Na fase atual, Sophie administra o Hotel Bella Donna e prepara uma grande festa de reabertura. O trabalho possui um valor afetivo, pois o estabelecimento representa a vida que Donna construiu em Kalokairi. Sam Carmichael (Pierce Brosnan), viúvo de Donna, permanece por perto e procura ajudar a enteada, embora também esteja abalado pela perda.
Sky (Dominic Cooper), marido de Sophie, está em Nova York e recebeu uma oportunidade profissional. A distância cria um impasse entre o casal. Ele considera começar uma nova etapa nos Estados Unidos, enquanto ela deseja permanecer na ilha e cuidar do hotel. As conversas por telefone revelam duas pessoas apaixonadas, mas separadas por planos que já não cabem na mesma mala.
A preparação da festa também começa a desandar. Uma tempestade prejudica a organização e ameaça impedir a chegada dos convidados. Sophie tenta resolver os problemas sem abandonar a homenagem que planejou. Quanto maior o compromisso com a memória de Donna, maior fica sua responsabilidade sobre o hotel e sobre as pessoas que dependem dele.
Donna parte sem endereço certo
O passado começa em 1979, quando Donna (Lily James) conclui seus estudos em Oxford ao lado das amigas Tanya (Jessica Keenan Wynn) e Rosie (Alexa Davies). Ruby, mãe de Donna, não comparece à formatura. Cansada das ausências maternas, a jovem decide viajar e procurar um lugar onde possa viver sem depender das expectativas familiares.
Donna cruza a Europa com pouco dinheiro, nenhuma reserva confortável e uma confiança quase ofensiva na própria sorte. Lily James dá à personagem energia suficiente para transformar contratempos em convites para uma nova aventura. Sua interpretação preserva a liberdade associada a Donna, mas acrescenta uma vulnerabilidade importante. A jovem deseja viver sem pedir autorização, embora ainda desconheça o preço de algumas escolhas.
Em Paris, ela conhece Harry Bright (Hugh Skinner), um britânico educado, tímido e bastante ansioso para agradá-la. Harry oferece hospedagem e se apaixona com uma velocidade que seria preocupante fora de uma comédia musical. O número de “Waterloo” aproveita o constrangimento romântico do personagem e transforma um restaurante francês numa declaração pública, cercada por garçons muito mais envolvidos do que qualquer sindicato recomendaria.
Donna gosta dele, mas não abandona seus planos de chegar à Grécia. Harry permanece ligado àquela breve passagem, enquanto ela segue viagem sem saber que o encontro ainda terá consequências muitos anos depois.
Três romances cercam Donna
A travessia até Kalokairi depende de Bill Anderson (Josh Dylan), um jovem aventureiro que oferece uma carona em seu barco. A proximidade entre os dois cria outro romance durante a viagem. Bill representa uma vida sem compromissos duradouros, cheia de deslocamentos e decisões tomadas ao sabor da próxima oportunidade.
Na ilha, Donna conhece Sam Carmichael (Jeremy Irvine), que a ajuda durante uma situação complicada e desperta um sentimento mais profundo. Os dois passam a imaginar uma vida juntos em Kalokairi. A possibilidade, porém, esbarra numa informação que Sam manteve escondida. A descoberta destrói a confiança da jovem e encerra os planos que ela começava a construir.
Donna ainda precisa lidar com a passagem dos três homens por sua vida em um período muito curto. Harry oferece carinho, Bill oferece aventura e Sam oferece a perspectiva de permanência. Nenhum deles consegue, naquele momento, garantir a segurança emocional que ela procura. A jovem permanece na ilha e começa a criar sozinha as condições para morar ali.
O roteiro não trata Donna apenas como a mulher que teve três romances e deixou uma dúvida sobre a paternidade de Sophie. Sua história ganha maior peso quando revela as dificuldades enfrentadas por uma jovem sem apoio familiar, com pouco dinheiro e uma gravidez pela frente. A escolha de permanecer em Kalokairi nasce tanto do amor pelo lugar quanto da necessidade de construir um futuro possível.
As Dynamos chegam para ajudar
No presente, Tanya (Christine Baranski) e Rosie (Julie Walters) viajam até o hotel para apoiar Sophie. As antigas companheiras de Donna conhecem cada canto da propriedade e carregam lembranças que ajudam a jovem a descobrir detalhes da mãe. Christine Baranski mantém a ironia elegante de Tanya, enquanto Julie Walters oferece a Rosie uma espontaneidade capaz de transformar qualquer reunião familiar numa conversa indiscreta.
As duas personagens também impedem que a tristeza domine a história. Tanya observa os homens ao redor com um interesse que não diminuiu com a idade. Rosie revive frustrações amorosas com Bill Anderson (Stellan Skarsgård) e reage a elas com pouca cerimônia. O filme usa essas relações para criar leveza sem apagar a saudade compartilhada pelas amigas.
Harry (Colin Firth), Bill e Sky tentam chegar a Kalokairi para participar da reabertura. O mau tempo e a falta de transporte impedem a viagem pelos caminhos previstos. A festa corre o risco de acontecer sem boa parte das pessoas convidadas, deixando Sophie diante de um hotel preparado para receber uma celebração que talvez não ocorra.
Passado e presente cantam juntos
Ol Parker organiza as duas épocas por associações entre músicas, lugares e decisões. Uma canção iniciada no passado pode revelar o estado emocional de alguém no presente. Essa alternância também aproxima Sophie de Donna sem depender apenas de lembranças narradas por terceiros. A filha conhece a mãe ao acompanhar as ações da jovem que ela foi.
Lily James assume a maior parte da história e sustenta a difícil tarefa de interpretar Donna antes de Meryl Streep. Ela não procura copiar os gestos da atriz veterana. Sua versão possui entusiasmo, impulsividade e uma coragem alimentada por certa falta de juízo, combinação bastante adequada para alguém que atravessa países sem dinheiro e acaba criando raízes numa ilha grega.
Amanda Seyfried oferece a Sophie uma maturidade marcada pela saudade. A personagem deseja honrar Donna, preservar o hotel e salvar seu casamento, mas descobre que não pode controlar todas essas frentes sozinha. Sua ligação com a mãe cresce quando ela reconhece experiências semelhantes na própria vida.
“Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo” repete a alegria do primeiro longa, porém trata a ausência de Donna com sensibilidade. As canções do ABBA mantêm a festa em movimento, enquanto as duas épocas revelam mulheres obrigadas a escolher onde desejam viver e quem poderá acompanhá-las. Quando familiares e amigos conseguem alcançar Kalokairi, Sophie recebe a ajuda necessária para abrir o Hotel Bella Donna e manter a homenagem que planejou.

