A vontade de recomeçar é sempre um ótimo ponto de partida nas histórias sobre gente ávida por girar em volta do seu próprio eixo. Essas sagas existenciais materializam-se por motivos os mais diversos, mas essa urgência de manter os vínculos com o que somos desde antes que soubéssemos como seria o existir não deixa de suscitar outros sofrimentos, alguns reveladores, quase todos inúteis. Existem os que se lançam pelos descaminhos que parecem um atalho para a felicidade, do mesmo modo que há quem não se conforme com aquilo que todos julgam como o natural, ideia axial em “Brideshead: Desejo e Poder”. Julian Jarrold encara o desafio de adaptar o romance de Evelyn Waugh (1903-1966) condensando uma narrativa cheia de pormenores e autocentrada em 134 minutos. Ele acerta, mas também comete deslizes lamentáveis.
Fantasmas de uma aristocracia decadente
Waugh ancora o enredo nas memórias de Charles Ryder, um homem de origem humilde que nunca escondeu sua intenção de subir. Suas memórias levam-no aos anos de estudante em Oxford, quando conheceu Sebastian Flyte, o filho de uma família aristocrática tradicional de quem vai aproximando-se, sem saber direito o sentimento que nutre pelo ricaço. Despretensioso, o roteiro de Jeremy Brock e Andrew Davies mistura as lembranças de Ryder na mansão Brideshead durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) com as passagens em que os dois, já adultos, lidam com reveses como paixões súbitas e frustradas e alcoolismo, além da intolerância religiosa da mãe de Flyte, Lady Marchmain, que faz valer sua autoridade. As atuações de Matthew Goode, Ben Whishaw e Emma Thompson garantem a diversão, mas a série exibida pela ITV em 1981 é melhor.

