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Aos dezessete anos, uma pessoa pode acreditar sinceramente que atravessar o Atlântico seja uma solução razoável para resolver problemas familiares. Daphne Reynolds nunca conheceu o pai, dispõe apenas das histórias que a mãe contou e de uma fotografia antiga e, portanto, faz o que qualquer adolescente cinematográfica de 2003 faria: compra uma passagem para Londres, aparece sem aviso na porta dele e espera que o universo cuide do restante. “Tudo que uma Garota Quer” pertence àquela era feliz das comédias juvenis em que o mundo ainda podia ser consertado com um vestido, uma música e pais que finalmente admitiam seus erros.

Dirigido por Dennie Gordon e inspirado na peça “The Reluctant Debutante”, o filme transforma Amanda Bynes em Daphne, filha da americana Libby e do aristocrata britânico Henry Dashwood, vivido por Colin Firth. A garota desembarca em Londres e descobre que o pai não é apenas rico: pertence a um universo de tradição, política e aparências no qual sua chegada espontânea constitui uma pequena catástrofe.

Amanda Bynes encontra o melhor Colin Firth

Amanda Bynes era uma comediante física muito melhor do que o cinema destinado a adolescentes costumava exigir. Ela usa o corpo inteiro para mostrar o desconforto de Daphne no meio de jantares, cerimônias e roupas que parecem ter sido concebidas para impedir qualquer movimento humano. Gordon explora o contraste sem grande sutileza — americanos são livres, ingleses são empalhados; jovens dançam, adultos reprimem; plebeus sentem, aristocratas calculam —, mas Bynes consegue salvar o esquema porque sua personagem não deseja destruir aquele mundo. Quer apenas que o pai a reconheça dentro dele.

E Colin Firth é a razão pela qual essa segunda metade funciona mais do que deveria. Henry poderia ser somente o pai aristocrático que aprende a abandonar convenções, mas o ator imprime ao personagem uma tristeza ligeiramente deslocada do resto do filme. Há sempre a sensação de que ele também perdeu alguma coisa quando Libby partiu. A chegada de Daphne não bagunça apenas um projeto político ou o casamento cuidadosamente encaminhado com Glynnis; devolve-lhe uma versão de si mesmo que Henry tratara de enterrar.

O romance com Ian, o músico interpretado por Oliver James, as disputas com Clarissa e os rituais de transformação da protagonista obedecem ao manual do gênero. Às vezes, obedecem demais. “Tudo que uma Garota Quer” perde força sempre que se esquece da filha e do pai para cumprir obrigações de comédia adolescente, como se nenhum estúdio em 2003 acreditasse que uma garota pudesse se interessar por uma história sem um rapaz de cabelos estrategicamente desalinhados.

O filme envelheceu, mas não exatamente mal. Há ingenuidades que hoje soam quase como luxo. Daphne acha que descobrir quem é seu pai ajudará a descobrir quem ela própria é; depois percebe que o processo pode funcionar ao contrário. Bynes leva o filme até esse ponto com uma energia que não cabe nos salões ingleses, e Firth compreende que Henry não precisa ensiná-la a pertencer àquele mundo. É ele quem precisa reaprender a sair dele. No fundo, o que essa garota queria era bem menos complicado que um título de nobreza. Queria um pai.


Filme: Tudo que uma Garota Quer
Diretor: Dennie Gordon
Ano: 2003
Gênero: Comédia/Drama/Musical/Romance
Avaliação: 3.5/5 1 1
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