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Quanto vale uma garrafa de vinho? A pergunta parece simples enquanto permanecemos no mundo normal, aquele em que se entra numa loja, olha-se a etiqueta, leva-se um pequeno susto ou uma grande alegria e vai-se embora. No andar de cima do mercado, onde bilionários, colecionadores e casas de leilão disputam garrafas que sobreviveram a guerras, mudanças de regime, falências familiares e gerações de herdeiros, a conversa é outra.

Em março de 2026, em Nova York, uma Romanée-Conti 1945 de 750 mililitros foi vendida por US$ 812.500. Pela cotação de R$ 5,0908 utilizada nesta lista, são cerca de R$ 4,14 milhões. Se algum proprietário suficientemente rico e desprendido resolvesse abri-la e servir cinco taças de 150 mililitros, cada uma sairia por aproximadamente R$ 827 mil. Convém não esbarrar na mesa.

O líquido, evidentemente, explica apenas parte da conta. O resto é feito de safra, procedência, raridade, conservação, reputação do produtor e daquela velha doença humana de desejar com mais intensidade justamente o que quase ninguém pode ter. A Romanée-Conti 1945 teve produção de cerca de 600 garrafas e foi a última safra antes do replantio das vinhas. Não há dinheiro capaz de fabricar outra.

É também por isso que chamar estes objetos simplesmente de “vinhos caros” chega a ser impreciso. Depois de determinado ponto, eles abandonam o mundo das bebidas e entram no território dos quadros, relógios, automóveis antigos e manuscritos raros. Pode-se beber, claro. O problema é ter coragem.

Para evitar uma lista tomada quase inteiramente pela Domaine de la Romanée-Conti, que ocupa posições repetidas entre as maiores vendas da história, selecionamos dez ocorrências diferentes e documentadas. Os valores em reais correspondem à conversão do preço efetivamente pago. Não significam que uma garrafa idêntica, posta à venda amanhã, alcançaria a mesma cifra. Nesse mercado, como veremos, até a matemática bebe.

1

Domaine de la Romanée-Conti Romanée-Conti 1945

Côte de Nuits, Borgonha, França Preço de referência: US$ 812.500 (R$ 4,14 milhões)
Garrafa do vinho Domaine de la Romanée-Conti Romanée-Conti 1945

Durante quase oito anos, parecia que alguém já tinha cometido em 2018 toda a extravagância financeiramente possível com uma Romanée-Conti 1945. Naquele ano, uma garrafa foi arrematada por US$ 558 mil e estabeleceu o recorde mundial. Em 28 de março de 2026, num leilão realizado em Nova York, apareceu outra. O martelo só caiu em US$ 812.500. O preço representa cerca de R$ 4,14 milhões e fez daquela garrafa de 750 mililitros a mais cara já vendida em leilão.

Há, por trás do número obsceno, uma combinação praticamente perfeita para enlouquecer colecionadores. A safra de 1945 produziu apenas cerca de 600 garrafas e encerrou uma época do vinhedo, pois as velhas videiras seriam arrancadas e replantadas. Não existe uma segunda chance industrial. Acabou, acabou. A garrafa de 2026 tinha ainda uma procedência capaz de acalmar o temor que assombra qualquer comprador de vinho antigo: pertencera à adega de Robert Drouhin, personagem central de uma das grandes famílias da Borgonha.

É possível discutir durante horas se algum vinho pode valer R$ 4 milhões. A pergunta talvez esteja errada. Quem pagou isso não comprou simplesmente vinho. Comprou uma das pouquíssimas coisas no mundo que outro milionário, por mais dinheiro que tenha, talvez nunca consiga comprar.

Características

Pinot Noir; Romanée-Conti Grand Cru; safra 1945; 750 ml; produção de cerca de 600 garrafas, a última antes do replantio das vinhas.

Harmonização

Caça de pena, pato assado, vitela e pratos delicados com cogumelos ou trufas. Na prática, uma garrafa desse nível é hoje sobretudo peça de coleção.

2

Screaming Eagle Cabernet Sauvignon 1992

Oakville, Napa Valley, Califórnia, EUA Preço de referência: US$ 500 mil (R$ 2,55 milhões)
Garrafa do vinho Screaming Eagle Cabernet Sauvignon 1992

A Screaming Eagle 1992 prova que não é necessário ter séculos de castelos, monges e aristocratas franceses na família para produzir uma garrafa de preço delirante. Às vezes bastam Napa Valley, Cabernet Sauvignon e dinheiro americano. Em 2000, uma garrafa de seis litros da safra inaugural da Screaming Eagle alcançou US$ 500 mil no Auction Napa Valley. Em valores convertidos pela cotação adotada aqui, cerca de R$ 2,55 milhões.

Há uma ressalva importante. A venda ocorreu num leilão beneficente, o que torna o preço diferente daquele obtido numa disputa estritamente comercial. O comprador não estava pagando apenas pelo vinho. Entravam na conta a doação, o prestígio da ocasião e, imagina-se, o prazer nada desprezível de levantar a mão e produzir espanto numa sala cheia de gente rica.

Ainda assim, a garrafa não chegou ali por acaso. A safra de 1992 foi a primeira da Screaming Eagle e teve produção estimada em apenas 175 caixas. Em pouco tempo, o pequeno produtor californiano tornou-se um daqueles nomes que fazem colecionadores perderem temporariamente a relação com o dinheiro. A velha Europa pode ter inventado o vinho de culto. Os americanos, naturalmente, descobriram como transformá-lo em espetáculo.

Características

Cabernet Sauvignon; safra inaugural de 1992; Oakville, Napa Valley; o lote-recorde era uma Imperial de 6 litros; produção original estimada em cerca de 175 caixas.

Harmonização

Carnes bovinas grelhadas ou assadas, cordeiro, cortes de sabor intenso e queijos duros maturados.

3

Romanée-Conti 1999, Methuselah

Côte de Nuits, Borgonha, França Preço de referência: US$ 322.275 (R$ 1,64 milhão)
Garrafa do vinho Romanée-Conti 1999, Methuselah

Não demoramos muito para voltar à Romanée-Conti. E não será a última vez. A culpa não é da lista. Em 2020, uma Methuselah de Romanée-Conti 1999 foi vendida em Hong Kong por US$ 322.275, aproximadamente R$ 1,64 milhão na conversão usada nesta reportagem. Methuselah é o nome dado à garrafa de seis litros, equivalente a oito garrafas convencionais.

O tamanho ajuda a compreender o preço. Grandes formatos são produzidos em quantidades muito menores e exercem sobre colecionadores uma atração peculiar. Não basta ter uma Romanée-Conti. É melhor, pelo visto, ter uma Romanée-Conti gigantesca. Naquele ano, a Domaine de la Romanée-Conti respondeu por cerca de 20% das vendas de vinho da Sotheby’s e por quase metade do faturamento obtido pela casa com vinhos da Borgonha. É uma concentração impressionante em torno de um único produtor e ajuda a explicar por que seu nome atravessa qualquer ranking deste tipo como Pelé atravessava listas de futebol.

Se dividíssemos os R$ 1,64 milhão pelas oito garrafas convencionais que cabem numa Methuselah, chegaríamos a pouco mais de R$ 205 mil por unidade. Visto assim, quase parece uma promoção. Quase.

Características

Pinot Noir; Romanée-Conti Grand Cru; safra 1999; Methuselah de 6 litros, equivalente a oito garrafas convencionais de 750 ml.

Harmonização

Caça de pena, pato, vitela e pratos com cogumelos ou trufas, servidos sem molhos excessivamente pesados.

4

Château Mouton Rothschild 1945

Pauillac, Bordeaux, França Preço de referência: US$ 310.700 (R$ 1,58 milhão)
Garrafa do vinho Château Mouton Rothschild 1945

Algumas safras precisam esperar décadas para ganhar uma história. A Mouton Rothschild 1945 já nasceu com uma. Era o ano do fim da Segunda Guerra Mundial. Para celebrá-lo, o château colocou no rótulo um V dourado de vitória, acompanhado por uma coroa de louros e pela inscrição “Année de la Victoire”. O vinho carregava assim, desde o primeiro dia, algo que nenhum departamento de marketing poderia fabricar posteriormente: uma data que dividiu o século 20 ao meio.

Em 2007, um jeroboam da safra foi vendido em Nova York por US$ 310.700, aproximadamente R$ 1,58 milhão hoje pela conversão adotada aqui. Naquele momento, tornou-se o vinho mais caro já negociado em leilão numa única garrafa. O recorde naturalmente caiu. Recordes existem para isso, sobretudo quando há milionários e vinho na mesma sala.

O interesse da Mouton 1945, porém, sobrevive ao número. O comprador levou um dos grandes Bordeaux do século, num formato raro, e ao mesmo tempo um pequeno documento material do fim de uma guerra que matou dezenas de milhões de pessoas. Quanto daqueles US$ 310 mil foi pago pelo vinho e quanto pelo ano de 1945? Impossível saber. Provavelmente essa distinção já não fazia sentido para quem estava levantando a placa.

Características

Pauillac, Premier Grand Cru Classé; safra 1945; histórico rótulo “V de Vitória”; lote-recorde em grande formato; Bordeaux tinto de longa guarda.

Harmonização

Cordeiro assado, carne bovina, caça e queijos curados.

5

Romanée-Conti 1937, Magnum

Côte de Nuits, Borgonha, França Preço de referência: US$ 310 mil (R$ 1,58 milhão)
Garrafa do vinho Romanée-Conti 1937, Magnum

O famoso leilão realizado em Nova York em 2018 ficou marcado pela Romanée-Conti 1945 vendida por US$ 558 mil. Só que um pouco abaixo, onde em qualquer outro leilão estaria o acontecimento principal, havia três magnums da safra de 1937. Cada uma alcançou US$ 310 mil, cerca de R$ 1,58 milhão na conversão atual adotada nesta lista. As três estabeleceram então um recorde mundial para magnums.

A procedência ajudava. As garrafas pertenciam à coleção pessoal de Robert Drouhin. No mercado de vinhos muito antigos, isso vale uma fortuna porque o comprador não quer apenas saber o que existe dentro da garrafa. Quer conhecer a biografia dela. Uma garrafa com oito décadas de vida pode ter passado por caves inadequadas, viagens, mudanças bruscas de temperatura ou mãos menos cuidadosas. Para piorar, o mercado de raridades conhece falsificações sofisticadas. Uma cadeia de propriedade confiável funciona quase como um segundo rótulo.

O mais curioso daquela tarde talvez tenha sido a repetição. Não houve uma única disputa irracional que pudesse ser explicada pela empolgação de dois sujeitos particularmente obstinados. Três garrafas chegaram separadamente ao mesmo valor. Às vezes a loucura, quando se repete, ganha a respeitabilidade de um preço de mercado.

Características

Pinot Noir; Romanée-Conti Grand Cru; safra 1937; Magnum de 1,5 litro; três exemplares vendidos separadamente pelo mesmo preço em 2018.

Harmonização

Pato, aves de caça, vitela e preparações com cogumelos ou trufas.

6

Château Cheval Blanc 1947, Imperial

Saint-Émilion, Bordeaux, França Preço de referência: US$ 304.375 (R$ 1,55 milhão)
Garrafa do vinho Château Cheval Blanc 1947, Imperial

Uma garrafa Imperial contém seis litros de vinho, oito vezes o volume convencional. Chamar o objeto de “garrafa” continua correto, mas começa a parecer uma brincadeira. Em novembro de 2010, uma Imperial de Château Cheval Blanc 1947 foi colocada em leilão em Genebra. Saiu por US$ 304.375, aproximadamente R$ 1,55 milhão na conversão utilizada aqui, e estabeleceu na época o recorde de preço para uma única garrafa de vinho.

Cheval Blanc já ocupava um lugar privilegiado entre os grandes nomes de Bordeaux. A safra de 1947, por sua vez, havia conquistado reputação quase mítica. Junte-se a isso um formato excepcionalmente raro e fica montada a receita que costuma provocar acidentes bancários em leilões. Há também uma dimensão prática curiosa nesses formatos gigantes. O vinho tende a envelhecer de maneira diferente porque a proporção entre líquido e oxigênio é menor do que numa garrafa comum. Para o colecionador, portanto, tamanho, raridade e potencial de conservação se misturam.

O preço continua sendo o elemento capaz de capturar a atenção de qualquer pessoa normal, claro. R$ 1,55 milhão por seis litros. O equivalente a mais de R$ 258 mil por litro. Neste ponto, perguntar se combina com carne vermelha começa a parecer irrelevante.

Características

Saint-Émilion; safra 1947; Imperial de 6 litros; grande Bordeaux da margem direita, historicamente apoiado em Merlot e Cabernet Franc; formato extremamente raro.

Harmonização

Cordeiro assado, carne bovina, caça, cogumelos, trufas e queijos curados.

7

Romanée-Conti 2005, Methuselah

Côte de Nuits, Borgonha, França Preço de referência: US$ 297.600 (R$ 1,52 milhão)
Garrafa do vinho Romanée-Conti 2005, Methuselah

Vinho milionário, pensamos automaticamente, precisa ser muito velho. A Romanée-Conti 2005 resolveu atrapalhar essa explicação confortável. Em 2020, quando tinha apenas quinze anos, uma Methuselah de seis litros foi arrematada em Nova York por US$ 297.600, aproximadamente R$ 1,52 milhão. Naquele momento, era o maior valor já obtido por uma garrafa desse formato de Borgonha.

O caso serve para mostrar que idade, sozinha, explica pouco. O preço nasce de uma combinação mais traiçoeira: produtor, safra, formato, disponibilidade, procedência e quantidade de compradores suficientemente ricos querendo a mesma coisa naquela mesma tarde. E, quando se fala em Domaine de la Romanée-Conti, o nome do produtor pesa de forma quase absurda. No mercado internacional, DRC virou uma espécie de senha. Mesmo safras ainda relativamente jovens podem alcançar valores que antigos Bordeaux de grande reputação passam décadas tentando atingir.

A Methuselah contém o equivalente a oito garrafas normais. Fazendo a conta, cada uma sairia por cerca de R$ 190 mil. A rigor, portanto, não era sequer necessário esperar o vinho envelhecer muito para que ficasse velho o suficiente para custar uma casa.

Características

Pinot Noir; Romanée-Conti Grand Cru; safra 2005; Methuselah de 6 litros, equivalente a oito garrafas convencionais.

Harmonização

Pato assado, caça de pena, vitela, pratos com trufas ou cogumelos e queijos de sabor delicado.

8

Henri Jayer Richebourg 1985, Magnum

Côte de Nuits, Borgonha, França Preço de referência: US$ 241.706 (R$ 1,23 milhão)
Garrafa do vinho Henri Jayer Richebourg 1985, Magnum

Finalmente aparece outro grande nome da Borgonha. O problema é que Henri Jayer pertence justamente ao pequeno grupo capaz de produzir cifras quase tão insanas quanto a Romanée-Conti. Em outubro de 2020, uma magnum de Richebourg 1985 foi arrematada em Hong Kong por US$ 241.706, aproximadamente R$ 1,23 milhão. Entre os Borgonhas vendidos naquele ano pela Sotheby’s que não pertenciam à Domaine de la Romanée-Conti, foi o maior resultado.

Jayer morreu em 2006 e já era tratado em vida como uma figura quase lendária da Borgonha. Produzia em pequena escala e deixou atrás de si aquilo que qualquer mercado de colecionadores adora: uma oferta definitivamente encerrada. A garrafa tinha ainda uma procedência especialmente atraente. Havia passado por um leilão dedicado à adega pessoal do próprio produtor. Para quem coleciona vinho, saber que uma garrafa esteve sob os cuidados do homem que a fez é algo próximo de comprar um quadro diretamente do ateliê de um pintor morto.

E assim uma bebida produzida para ser consumida vai adquirindo camadas de sentido que tornam cada vez menos provável que alguém a consuma. A rolha permanece intacta. Talvez seja justamente esse o luxo.

Características

Pinot Noir; Richebourg Grand Cru; safra 1985; Magnum de 1,5 litro; Côte de Nuits; produção de escala minúscula por um dos nomes mais cultuados da Borgonha.

Harmonização

Pato, aves de caça, vitela, carne bovina, pratos com cogumelos ou trufas e queijos de média a longa cura.

9

Château Lafite Rothschild 1869

Pauillac, Bordeaux, França Preço de referência: US$ 232.692 (R$ 1,18 milhão)
Garrafa do vinho Château Lafite Rothschild 1869

Em 2010, três garrafas de Château Lafite Rothschild 1869 apareceram num leilão em Hong Kong. A estimativa para cada uma ficava muito abaixo do que aconteceria quando os compradores começaram a disputar. As três chegaram, separadamente, ao equivalente a US$ 232.692 cada. Pela conversão utilizada nesta reportagem, aproximadamente R$ 1,18 milhão por garrafa. Na época, o vinho tinha 141 anos.

Hoje teria 157, o que introduz uma pergunta inevitável para quem não vive no planeta dos colecionadores: estará bom? Pode estar. Pode não estar. A conservação de um vinho dessa idade depende de uma quantidade enorme de circunstâncias. Só que, a essa altura, essa já não é necessariamente a questão principal. Uma Lafite 1869 sobreviveu à Guerra Franco-Prussiana, a duas guerras mundiais, ao surgimento do automóvel, do avião, da televisão, da internet e a sucessivas gerações de pessoas que poderiam simplesmente ter decidido bebê-la no jantar.

Não decidiram. Há um momento em que a sobrevivência passa a fazer parte do valor do objeto. O comprador leva para casa não apenas o vinho produzido naquele ano, mas todos os anos durante os quais alguém resistiu à tentação de abrir a garrafa.

Características

Pauillac, Premier Grand Cru Classé; safra 1869; garrafa de 750 ml; vinho pré-filoxera; Bordeaux tinto de excepcional longevidade.

Harmonização

Em teoria, cordeiro, carne bovina, caça e queijos maturados. Aos 150 anos, porém, estado e procedência pesam mais do que qualquer combinação de mesa.

10

Château Lafite Rothschild 1870, Magnum

Pauillac, Bordeaux, França Preço de referência: US$ 200 mil (R$ 1,02 milhão)
Garrafa do vinho Château Lafite Rothschild 1870, Magnum

A última garrafa da lista é uma das mais recentes a alcançar o clube do milhão de reais e talvez tenha a melhor história. Em abril de 2026, duas magnums de Château Lafite Rothschild 1870 foram levadas a leilão em Nova York. Tinham passado quase toda a existência nas adegas do Glamis Castle, na Escócia. Quarenta e oito magnums daquela safra haviam sido compradas em 1878. Quase 150 anos depois, duas saíram do castelo.

Uma foi arrematada por US$ 106.250. A outra, mantida em condição original, provocou uma disputa de quase quatro minutos e chegou a US$ 200 mil, quatro vezes o teto da estimativa. Aproximadamente R$ 1,02 milhão pela conversão adotada nesta reportagem. O detalhe delicioso é que ela não tinha rótulo. Era identificada pela cápsula de cera vermelha e, principalmente, por uma procedência que atravessava quase um século e meio.

É uma inversão perfeita da lógica do luxo contemporâneo, tão dependente da marca exibida em letras grandes. Ali estava uma Lafite Rothschild milionária sem “Lafite Rothschild” estampado na frente. O comprador não precisou ler o nome. A história da garrafa já funcionava como rótulo.

Características

Pauillac, Premier Grand Cru Classé; safra 1870; Magnum de 1,5 litro; vinho pré-filoxera; exemplar de procedência Glamis Castle, preservado em condição histórica.

Harmonização

Cordeiro, carne bovina, caça e queijos maturados. Num exemplar de 1870, a conservação da garrafa importa mais do que qualquer regra de harmonização.

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