Autor: Web Stuff

Adélia Prado faz 90 anos. A palavra é mais forte que o poder Foto / Nana Moraes

Adélia Prado faz 90 anos. A palavra é mais forte que o poder

Divinópolis, 1950. Chove. Os trilhos da Oeste de Minas reluzem quando o relâmpago abre a noite; o rádio chia notícias do pós-guerra, gols ainda por vir, promessas de um país em marcha. A missa segue em latim, o fogão a lenha dita o ritmo da cozinha, a cidade cresce entre metal e tecido, e uma casa respira trabalho, fé, fome de futuro. É o ano em que o Brasil perde uma Copa e ela perde a mãe. O pires tilinta, o orvalho pendura pérolas na couve, a cantiga antiga insiste. A menina escuta. Puxa o ar que falta e escreve. O verso inaugural rompe o silêncio e dá borda à dor.

A babá que fotografou o século e morreu anônima: por que Vivian Maier importa agora

A babá que fotografou o século e morreu anônima: por que Vivian Maier importa agora

Nascida em Nova York em 1926 e empregada por décadas como babá na região de Chicago, Vivian Maier produziu mais de 150 mil fotografias de ruas e personagens urbanos sem publicá-las em vida. Quando seus negativos foram leiloados por falta de pagamento de um box de armazenamento, em 2007, começou uma corrida por direitos, exposições e lucros. A trajetória tardia dessa obra expõe o encontro tenso entre trabalho doméstico, anonimato feminino e indústria global da imagem, do arquivo, da autoria e do esquecimento.

O cantor que virou pedreiro e só descobriu aos 56 anos que era mito em outro país Daily Beast / Mark Horton

O cantor que virou pedreiro e só descobriu aos 56 anos que era mito em outro país

Filho de imigrantes mexicanos e autor de dois discos de folk rock lançados em 1970 e 1971, Rodriguez voltou ao trabalho pesado em demolição após fracassar nas paradas dos Estados Unidos. Longe dali, suas músicas passaram a circular de forma quase clandestina na África do Sul do apartheid, onde fãs o chamavam de “mais popular que Elvis” sem saber se ele ainda vivia. Já nos anos 1990, uma investigação feita por admiradores o reencontraria em uma casa comprada por 50 dólares em Detroit, no meio-oeste industrial.

Ele disse: “ninguém abandona um homem como eu”. Ela pegou os filhos e saiu. A artista que recusou ser só mulher de Picasso Foto / Endre Rozsda

Ele disse: “ninguém abandona um homem como eu”. Ela pegou os filhos e saiu. A artista que recusou ser só mulher de Picasso

No fim da tarde, o apartamento em Nova York parece suspenso dentro de um aquário silencioso. As telas encostadas nas paredes guardam azuis ásperos, verdes que lembram campos dos arredores de Paris, rostos sem biografia de celebridade. Com mais de cem anos, Françoise Gilot se inclina sobre uma aquarela recente; a mão continua firme, disciplinada por décadas de teimosia. Ainda ecoa, entre livros e tintas, a frase antiga e intacta: ninguém abandona um homem como eu.

O tesouro invisível da internet brasileira: por dentro da Biblioteca Nacional Digital

O tesouro invisível da internet brasileira: por dentro da Biblioteca Nacional Digital

Disponível desde 2006, o portal da Fundação Biblioteca Nacional reúne milhões de páginas de livros, jornais, mapas, fotos e manuscritos em domínio público, acessíveis sem cadastro e de qualquer dispositivo. Com novos recursos da Finep para modernizar sistemas e ampliar a digitalização, a plataforma consolida-se como principal porta de entrada para a memória escrita e visual do país, aproximando pesquisadores, estudantes, jornalistas e leitores curiosos de documentos antes restritos ao prédio no Rio e aos processos atuais de preservação digital.