A música brasileira tem um problema agradável. Há canção demais disputando qualquer lista que se pretenda minimamente séria. Basta escolher vinte títulos para descobrir imediatamente os outros vinte que cometemos a grosseria de deixar de fora. Com letras, a situação piora. Estamos falando de um país que produziu Cartola e Chico Buarque, Aldir Blanc e Caetano Veloso, Vinicius de Moraes e Paulo César Pinheiro, Belchior, Gonzaguinha, Cazuza, Fernando Brant, Djavan. Vinte e cinco lugares, diante dessa turma, já começam parecendo poucos.
Por isso a seleção abaixo não nasceu de uma única votação. A Revista Bula voltou a uma antiga enquete entre seus leitores sobre os versos mais bonitos da música brasileira e cruzou aquele resultado com outras listas publicadas ao longo dos anos pela própria revista, incluindo levantamentos sobre as canções mais belas, as melhores músicas e os grandes letristas do país. O levantamento foi confrontado ainda com duas eleições de referência, a da “Rolling Stone Brasil”, feita com especialistas, e a da “Folha de S.Paulo”, que ouviu 214 músicos, artistas e jornalistas.
Naturalmente, somar votos e contar aparições não resolveria o problema. Melhor canção e melhor letra são parentes, não gêmeas. Há músicas extraordinárias cuja grandeza depende de uma melodia, de um arranjo, de uma interpretação específica, daquela nota que entra no momento certo e faz o serviço que palavra nenhuma faria. Aqui procuramos outra coisa, versos que conservam uma força própria quando arrancados, com alguma violência, da música que lhes deu casa. Palavras que valem pela imagem, pela precisão, pelo achado, pela maneira inesperada de dizer o que todo mundo já sentiu e ninguém tinha conseguido dizer daquele jeito.
O cruzamento das listas serviu, sobretudo, para evitar injustiças gritantes. Era difícil, por exemplo, sustentar uma seleção de grandes versos brasileiros em que Aldir Blanc não aparecesse uma única vez. Igualmente estranho seria ignorar “Construção” e “Águas de março”, justamente duas canções que trocaram de posição no alto de algumas das mais conhecidas eleições sobre a música brasileira. Ao mesmo tempo, foi preciso conter a tentação de transformar isto numa antologia telefônica. Grandes compositores perderam músicas pelo simples fato, bastante inconveniente, de terem escrito grandes músicas demais.
O resultado não pretende encerrar discussão alguma. Deus nos livre. Uma lista de versos sobre a qual todos concordassem seria provavelmente uma lista muito ruim. Estas 25 canções sobreviveram ao cruzamento, à comparação e, por fim, ao único critério que nenhuma planilha consegue substituir, a leitura. Tiradas da boca dos cantores e colocadas por alguns instantes diante dos olhos, suas palavras ainda cantam.
25 canções · uma leitura
A seleção
↑ Voltar ao índice“O mundo é um moinhoVai triturar teus sonhos”
↑ Voltar ao índice“Tu pisavas nos astros distraída”
↑ Voltar ao índice“Seus olhos embotados de cimento e lágrima”
↑ Voltar ao índice“É pau, é pedra, é o fim do caminho”
↑ Voltar ao índice“A saudade é o revés de um parto”
↑ Voltar ao índice“Uma semente de ilusãoTem que morrer pra germinar”
↑ Voltar ao índice“Eu queria querer-te amar o amorConstruir-nos dulcíssima prisão”
↑ Voltar ao índice“Só vigia um ponto negro: o meu ciúme”
↑ Voltar ao índice“Qualquer canto é menor do que a vida”
↑ Voltar ao índice“Também se chamavam sonhosE sonhos não envelhecem”
↑ Voltar ao índice“Porque sabe passarE eu não sei”
↑ Voltar ao índice“Sou chama sem luzJardim sem luar”
↑ Voltar ao índice“Na pureza de um limãoOu na solidão do espinho”
↑ Voltar ao índice“Tristeza, me desculpeEstou de malas prontas”
↑ Voltar ao índice“Queixo-me às rosasMas que bobagem, as rosas não falam”
↑ Voltar ao índice“E os meus olhos ficam sorrindo”
↑ Voltar ao índice“Tu és divina e graciosaEstátua majestosa do amor”
↑ Voltar ao índice“Quando o verde dos teus olhosSe espalhar na plantação”
↑ Voltar ao índice“Meu sangue errou de veia e se perdeu”
↑ Voltar ao índice“Quando você foi emboraFez-se noite em meu viver”
↑ Voltar ao índice“A esperança dança na corda bamba de sombrinha”
↑ Voltar ao índice“O que é que a vida vai fazer de mim”
↑ Voltar ao índice“Coração na bocaPeito abertoVou sangrando”
↑ Voltar ao índice“Eu quero a sorte de um amor tranquilo”
↑ Voltar ao índice“Hoje eu quero paz de criança dormindo”
25 canções · uma leitura
A seleção
↑ Voltar ao índice“O mundo é um moinhoVai triturar teus sonhos”
↑ Voltar ao índice“Tu pisavas nos astros distraída”
↑ Voltar ao índice“Seus olhos embotados de cimento e lágrima”
↑ Voltar ao índice“É pau, é pedra, é o fim do caminho”
↑ Voltar ao índice“A saudade é o revés de um parto”
↑ Voltar ao índice“Uma semente de ilusãoTem que morrer pra germinar”
↑ Voltar ao índice“Eu queria querer-te amar o amorConstruir-nos dulcíssima prisão”
↑ Voltar ao índice“Só vigia um ponto negro: o meu ciúme”
↑ Voltar ao índice“Qualquer canto é menor do que a vida”
↑ Voltar ao índice“Também se chamavam sonhosE sonhos não envelhecem”
↑ Voltar ao índice“Porque sabe passarE eu não sei”
↑ Voltar ao índice“Sou chama sem luzJardim sem luar”
↑ Voltar ao índice“Na pureza de um limãoOu na solidão do espinho”
↑ Voltar ao índice“Tristeza, me desculpeEstou de malas prontas”
↑ Voltar ao índice“Queixo-me às rosasMas que bobagem, as rosas não falam”
↑ Voltar ao índice“E os meus olhos ficam sorrindo”
↑ Voltar ao índice“Tu és divina e graciosaEstátua majestosa do amor”
↑ Voltar ao índice“Quando o verde dos teus olhosSe espalhar na plantação”
↑ Voltar ao índice“Meu sangue errou de veia e se perdeu”
↑ Voltar ao índice“Quando você foi emboraFez-se noite em meu viver”
↑ Voltar ao índice“A esperança dança na corda bamba de sombrinha”
↑ Voltar ao índice“O que é que a vida vai fazer de mim”
↑ Voltar ao índice“Coração na bocaPeito abertoVou sangrando”
↑ Voltar ao índice“Eu quero a sorte de um amor tranquilo”
↑ Voltar ao índice“Hoje eu quero paz de criança dormindo”

