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Em 1984, durante os últimos anos da Guerra Fria, o capitão soviético Marko Ramius (Sean Connery) assume o comando de um submarino nuclear capaz de navegar quase sem ser detectado. Quando a embarcação muda de rota e segue pelo Atlântico em direção aos Estados Unidos, Moscou mobiliza sua frota para destruí-la. Em Washington, o analista da CIA Jack Ryan (Alec Baldwin) suspeita que o oficial pretende desertar. O problema está em provar essa hipótese antes que russos ou norte-americanos disparem o primeiro torpedo.

Lançado em 1990 e dirigido por John McTiernan, “A Caçada ao Outubro Vermelho” adapta o romance de Tom Clancy e combina aventura militar, espionagem e suspense tecnológico. O submarino que dá nome à história carrega mísseis nucleares e um sistema de propulsão silencioso, chamado de lagarta. Essa tecnologia permite que a embarcação desapareça dos sonares comuns e se aproxime da costa inimiga sem anunciar sua presença. Nas mãos erradas, seria a arma perfeita para iniciar uma guerra sem aviso.

Um capitão abandona a rota

Marko Ramius (Sean Connery) é um dos oficiais mais respeitados da Marinha soviética. Experiente e admirado por seus homens, ele recebe o comando do Outubro Vermelho e parte da costa soviética com a missão oficial de realizar exercícios militares. Pouco depois, muda o rumo do submarino e começa a avançar em direção ao território norte-americano.

Ramius informa aos marinheiros que a viagem faz parte de uma operação autorizada. Apenas os oficiais mais próximos conhecem suas verdadeiras intenções. Dentro da embarcação, a disciplina permanece intacta, embora o espectador perceba que o capitão executa um plano pessoal e depende do silêncio de seus aliados para mantê-lo vivo.

A União Soviética reage enviando navios e submarinos atrás do Outubro Vermelho. Para os norte-americanos, aquela grande movimentação naval parece confirmar o pior cenário. Um comandante soviético teria roubado uma arma nuclear e estaria se preparando para atacar os Estados Unidos. Se essa interpretação estiver correta, qualquer demora poderá custar milhares de vidas.

Sean Connery oferece a Ramius uma autoridade serena. O capitão fala pouco, observa os homens ao redor e raramente deixa alguma dúvida aparecer no rosto. O sotaque escocês do ator passa longe de uma pronúncia russa convincente, mas seria difícil imaginar alguém interrompendo Connery no meio do oceano para reclamar do detalhe. Sua presença sustenta a patente e o respeito que o personagem desperta.

Jack Ryan desconfia da versão oficial

Jack Ryan (Alec Baldwin) entra na história como um analista da CIA especializado em assuntos navais. Ele recebe fotografias do Outubro Vermelho e procura descobrir por que o submarino possui portas incomuns na estrutura. A investigação revela a existência do sistema de propulsão silencioso, uma novidade que muda o equilíbrio entre as duas potências.

Quando autoridades norte-americanas concluem que Ramius pretende lançar um ataque nuclear, Ryan apresenta outra leitura. Ele acredita que o capitão quer abandonar a União Soviética e entregar o submarino aos Estados Unidos. Sua aposta nasce do conhecimento que reuniu sobre a vida do oficial, do rumo escolhido pela embarcação e da reação desesperada de Moscou.

O vice-almirante James Greer (James Earl Jones), superior de Ryan na CIA, dá atenção à hipótese, mas acreditar nela não basta. O governo precisa decidir se tenta estabelecer contato com Ramius ou ordena que a Marinha afunde o submarino. Ryan recebe poucas horas para localizar a embarcação e provar que o capitão procura asilo, não uma guerra.

Alec Baldwin interpreta Ryan antes de Harrison Ford, Ben Affleck, Chris Pine e John Krasinski assumirem o personagem em outras produções. Seu agente da CIA ainda não tem a postura de um herói acostumado a trocar tiros. Ele sente medo de voar, sofre durante os deslocamentos e precisa convencer militares experientes de que uma análise feita num escritório pode impedir um desastre no oceano.

Essa vulnerabilidade favorece “A Caçada ao Outubro Vermelho”. Ryan não vence discussões pela força ou pela patente. Ele insiste porque percebeu algo que os oficiais, pressionados pelo risco de um ataque, preferiram descartar. Quanto mais o tempo passa, menor fica a chance de alguém ouvir sua interpretação.

O submarino desaparece do sonar

Enquanto Ryan viaja para o Atlântico, o USS Dallas tenta recuperar o rastro do Outubro Vermelho. O submarino norte-americano é comandado por Bart Mancuso (Scott Glenn), oficial cuidadoso que precisa proteger sua tripulação sem perder a embarcação soviética. Quando o novo sistema de propulsão entra em funcionamento, os operadores deixam de ouvir os ruídos habituais de motores.

O especialista em sonar Ronald Jones, conhecido como Jonesy (Courtney B. Vance), examina os sons registrados pelos equipamentos e percebe um padrão que havia sido confundido com atividade natural do oceano. Sua descoberta permite ao Dallas acompanhar o Outubro Vermelho. Encontrar o submarino, porém, resolve apenas parte do problema. Mancuso ainda desconhece as intenções de Ramius e não pode colocar seus homens em perigo baseado somente na convicção de Ryan.

Scott Glenn oferece sobriedade a Mancuso. O comandante escuta o analista, faz perguntas e protege a autoridade que possui dentro do Dallas. O atrito entre os dois nasce de responsabilidades distintas. Ryan quer ganhar tempo para falar com Ramius, enquanto Mancuso precisa considerar a possibilidade de estar seguindo uma embarcação pronta para lançar mísseis.

A situação fica ainda mais tensa porque os soviéticos também procuram o Outubro Vermelho e não demonstram interesse em recuperá-lo. Eles querem afundar o submarino antes que ele chegue aos Estados Unidos. Essa ordem reforça a hipótese de Ryan, mas também coloca várias embarcações armadas na mesma área, cada uma trabalhando com informações incompletas.

A guerra depende de uma interpretação

John McTiernan havia dirigido “Duro de Matar” dois anos antes, mas escolhe um ritmo diferente para esta história. A ação nasce de ruídos captados pelo sonar, mudanças de curso e ordens transmitidas entre navios. Mesmo quando pouca coisa se move dentro das salas de comando, uma decisão tomada ali pode mandar centenas de homens para a morte.

O diretor alterna os interiores do Outubro Vermelho, do Dallas e dos gabinetes de Washington. Essa divisão permite acompanhar o que cada lado sabe e, principalmente, o que permanece escondido. Ramius guarda seu plano, Ryan tenta decifrá-lo e Mancuso precisa decidir quanto risco aceita correr. O público recebe informações suficientes para acompanhar a disputa sem ser soterrado por termos militares.

A tecnologia ocupa bastante espaço, mas o roteiro não transforma a sessão numa aula sobre submarinos. O sonar, os torpedos e a propulsão silenciosa aparecem ligados às escolhas dos personagens. Quando Jonesy (Courtney B. Vance) identifica um som, o Dallas recupera uma rota. Quando o Outubro Vermelho desaparece dos equipamentos, Ramius ganha distância. Cada informação modifica o tempo disponível para agir.

“A Caçada ao Outubro Vermelho” também se beneficia do contraste entre Connery e Baldwin. Ramius parece ter pensado em cada etapa antes de deixar a União Soviética. Ryan passa boa parte da história tentando chegar ao lugar certo antes que sua hipótese perca qualquer utilidade. Um domina a embarcação que comanda. O outro precisa pedir passagem em navios, aviões e reuniões onde quase ninguém deseja ouvi-lo.

Um suspense que respeita o silêncio

Embora seja vendido como filme de ação e aventura, “A Caçada ao Outubro Vermelho” prefere a apreensão ao espetáculo barulhento. Há perseguições, manobras perigosas e armamento nuclear, mas a força da história está na incerteza sobre quem disparará primeiro. O oceano oferece espaço de sobra, enquanto os submarinos mantêm dezenas de homens confinados em corredores estreitos.

O filme permanece envolvente porque transforma uma crise internacional numa corrida para interpretar corretamente um homem. Jack Ryan (Alec Baldwin) acredita conhecer as intenções de Marko Ramius (Sean Connery), mas precisa atravessar o Atlântico e colocar sua reputação em risco para comprovar isso. Bart Mancuso (Scott Glenn), por sua vez, decide quanto crédito pode oferecer a um analista que chega ao seu submarino trazendo uma hipótese e muita urgência na bagagem.

McTiernan preserva o suspense sem abandonar a compreensão do enredo. O espectador sabe quem procura o Outubro Vermelho, por que Moscou deseja destruí-lo e o que Ryan pretende fazer para impedir uma guerra. Essa organização permite que a história avance com firmeza mesmo entre mapas, sonares e ordens militares. Quando o Dallas se aproxima da embarcação soviética, uma tentativa de contato passa a separar a diplomacia dos torpedos.


Filme: A Caçada ao Outubro Vermelho
Diretor: John McTiernan
Ano: 1990
Gênero: Ação/Aventura/Suspense
Avaliação: 4.5/5 1 1
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