Já foi o tempo em que havia várias posições políticas: extrema-direita, direita, centro-direita, centro, centro-esquerda, esquerda e extrema-esquerda. Ainda havia algumas nuances: centro-direita mais para o centro, direita envergonhada que dizia ser de centro, centro radical, extrema-direita que se dizia de centro, centro-direita com pitadas de extrema-direita, esquerda com recaídas para o centro — tinha de tudo.
Não tem mais. A vida política atualmente está dividida em apenas duas posições. São só dois os lados, não há espaço para nenhuma outra posição. Ou é cá ou lá. Ou está com um ou com outro. A coisa funciona como uma balança: só tem dois pratos. Às vezes, pesa mais para um lado; às vezes, mais para o outro, mas sempre em torno de 50% para cada lado.
Diante dessa nova realidade, está surgindo na sociedade brasileira um problema social: a existência dos nem-nem. Assim como existem os jovens nem-nem, que nem estudam nem trabalham, na área da política também há os nem-nem, aqueles que não querem votar nem em um nem no outro.
A vida dos nem-nem da política é muito difícil. Passam o dia ouvindo discursos em altos decibéis, quase sempre acompanhados de muito cuspe e raiva, vindos dos dois lados, exigindo que se posicionem de um lado ou do outro. Além dos megabytes de vídeos, memes e informações que recebem, explicando por que devem se posicionar em um dos lados.
O dia a dia dos nem-nem é bem problemático. O tempo todo, são intimados a se posicionar e, quando dizem que não conseguem, o bullying é certo. Eles ainda são poucos, mas já preocupam e vêm sendo tratados pelos estudiosos como um problema social muito difícil de ser resolvido. Não se sabe o que fazer com os nem-nem.
A tendência, agora que a Copa acabou e que as eleições viraram assunto de vez, é que a situação dessas pessoas piore muito. Tá dura a vida dos nem-nem este ano, viu?

