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Quando eu fiz 65 anos, me falaram que atingir essa idade tinha várias vantagens. Agora que já tenho 66, ainda estou procurando essas vantagens e ainda não achei quase nenhuma, a não ser que considerem dores nas costas, levantar 4 vezes à noite para fazer xixi ou ter dificuldades até para vestir uma cueca como coisas boas. Sei lá, tem gosto pra tudo!

Mas tem uma vantagem que eu estou usando bastante: eu posso andar de graça no metrô! Basta chegar com a identidade na mão, mostrar para um funcionário que fica ao lado de uma das catracas e ele libera a passagem.

Estava fazendo isso sem problemas até a semana passada. Desta vez, cheguei à estação e não havia nenhum funcionário ao lado da catraca. Isso acontece de vez em quando, mas é só esperar um pouco que um funcionário do Metrô aparece.

Pois eu estava lá esperando, ao lado de mais uns dois ou três idosos, quando chegou um segurança do Metrô puto da vida. O sujeito careca e malhado, um clone do Vin Diesel, com os músculos apertando o uniforme, estava indignado por ter que liberar a catraca para os velhinhos e já chegou falando:

— Eu já disse que é só ir à estação da Central tirar uma carteirinha, pô!

Ninguém falou nada, mas o cara continuou:

— O que custa ir lá na Central uma vez? Um bando de gente que não faz nada!

Foi nesse momento que eu resolvi responder:

— Epa! Que história é essa que é gente que não faz nada?

— Não faz nada mesmo! Um bando de aposentados que não faz nada, não pode ir uma vez à Central?

— Não é assim! Eu faço um monte de coisas! — respondi, indignado.

— Não tô falando do senhor, mas a maior parte não faz nada mesmo!

— Mas não pode falar isso!

Eu parei para discutir, já que não tinha nada para fazer.

— Não é com o senhor! — ele repetiu. — Mas a maioria não faz nada e fica aqui me dando trabalho!

Eu cheguei a pensar em continuar a discussão, mas resolvi seguir o meu caminho. Passei pela catraca ainda discutindo aos gritos com o segurança fortão, que não podia vir atrás de mim porque tinha que liberar a catraca pra outros velhinhos que não fazem nada.

O segurança provavelmente estava indignado porque, enquanto fazia aquele trabalho que achava ser idiota, usando o seu bração malhado para liberar a catraca pra velhinhos, não podia fazer o que realmente lhe interessava, que é porrar pessoas.

Eu não ia explicar para o cara que o que ele estava falando era considerado etarismo, até porque não sei nem se ele conhece a palavra. E, por outro lado, o etarismo é um preconceito em baixa, considerado um preconceito menor: não causa nem cancelamento em redes sociais, até porque idoso não frequenta muito as redes sociais.

E, além do mais, como idoso que sou, eu tinha mais o que não fazer. E certamente o que eu tinha para não fazer não era ir até a estação Central tirar a tal carteirinha!

Imagina se eu ia ajudar aquele segurança a deixar de ajudar os velhinhos que não fazem nada!

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