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Em 2009, Troy Duffy levou Connor e Murphy MacManus de volta a Boston em “Santos Justiceiros II: O Retorno”, oito anos depois da fuga dos irmãos para a Irlanda. Escondidos com o pai em uma fazenda de ovelhas, eles são obrigados a abandonar o isolamento quando descobrem que foram acusados de assassinar um padre católico. A partir desse ponto, a vida pacata entre animais, frio e silêncio rural dá lugar a uma missão perigosa. Eles precisam limpar o próprio nome, descobrir quem os incriminou e sobreviver a uma cidade que ainda se lembra bem demais deles.

Connor MacManus, vivido por Sean Patrick Flanery, e Murphy MacManus, interpretado por Norman Reedus, passaram oito anos longe de Boston. Os irmãos vivem com o pai, Noah MacManus, também conhecido como Il Duce, papel de Billy Connolly, em uma fazenda nas profundezas da Irlanda. O lugar parece distante o suficiente para enterrar o passado, mas o passado, no cinema de Troy Duffy, tem ótimo senso de localização.

A rotina dos três muda quando chega a notícia do assassinato de um padre católico em Boston. O crime foi cometido de um jeito que aponta para os irmãos, embora eles estejam longe dos Estados Unidos havia anos. A acusação não ameaça apenas a liberdade dos MacManus. Ela atinge a reputação que eles construíram como justiceiros violentos, religiosos e convencidos de que estavam fazendo uma espécie de faxina moral na cidade.

Esse ponto de partida dá a “Santos Justiceiros II: O Retorno” sua força principal. Connor e Murphy não voltam por saudade, nem por vontade de reviver velhos tempos. Eles voltam porque alguém usou seus nomes como arma. O objetivo é simples de entender, mas difícil de cumprir. Para provar a inocência, eles precisam entrar de novo no mesmo ambiente criminoso que os obrigou a fugir.

Boston ainda conhece os irmãos

Quando retornam a Boston, os MacManus reencontram uma cidade marcada por antigas dívidas, máfia, polícia e gente interessada em lucrar com a volta deles. Connor e Murphy circulam por esse território com a confiança de quem conhece os becos, os códigos e os inimigos, mas essa familiaridade também pesa contra eles. Quanto mais aparecem, mais deixam rastros.

O roteiro trabalha bem essa sensação de caça invertida. Os irmãos procuram os responsáveis pela armação, enquanto outras pessoas tentam encontrá-los antes. A polícia acompanha a investigação, a máfia observa a oportunidade e os aliados surgem com níveis variados de utilidade. Nesse meio entra Romeo, personagem de Clifton Collins Jr., um sujeito empolgado, falastrão e disposto a participar da lenda dos MacManus antes mesmo de calcular o tamanho do problema.

Romeo ajuda a deixar o filme menos sisudo. Ele não transforma a história em comédia, mas injeta um tipo de graça meio atrapalhada, nascida do contraste entre a pose grandiosa dos irmãos e a energia ansiosa de quem chegou depois. Em algumas cenas, a presença dele quase diz que até justiceiro precisa de um amigo inconveniente por perto, embora isso costume piorar a logística.

Uma agente muda a investigação

Do lado oficial da história, Eunice Bloom, interpretada por Julie Benz, entra como agente do FBI encarregada de examinar o caso. A personagem ocupa um espaço importante porque não trata Connor e Murphy apenas como boatos de rua. Ela observa padrões, liga pistas e percebe que a morte do padre carrega uma encenação. Sua presença torna a perseguição mais apertada, pois os irmãos deixam de lidar apenas com criminosos armados e passam a enfrentar uma investigação com método.

Eunice também ajuda o filme a organizar melhor o suspense. Enquanto os MacManus agem fora da lei para provar que não cometeram aquele crime, ela tenta entender quem se beneficia da acusação. O resultado é uma corrida em duas frentes. De um lado, Connor e Murphy precisam chegar aos verdadeiros culpados. Do outro, o FBI se aproxima de respostas que podem tanto salvá-los quanto colocá-los em uma situação pior.

Essa ambiguidade é uma das partes mais interessantes da trama. Os irmãos estão tentando provar inocência em um caso específico, mas não são exatamente homens inocentes. O passado deles pesa em cada conversa, em cada fuga e em cada decisão tomada sob pressão. O filme brinca com essa contradição sem pedir que o público esqueça o sangue já derramado.

A máfia aproveita a brecha

O elo criminoso ganha força com Concezio Yakavetta, vivido por Judd Nelson. Ligado ao universo mafioso que os irmãos enfrentaram no passado, ele representa uma Boston que não superou a passagem dos MacManus. A acusação contra Connor e Murphy funciona como uma forma de tirá-los do esconderijo. Para quem deseja vingança ou controle, nada melhor do que fazer o inimigo voltar por vontade própria.

A presença de Noah MacManus também muda o peso da história. Billy Connolly dá ao personagem uma mistura de dureza, cansaço e autoridade paterna. Noah não surge apenas como figura lendária. Ele é o pai que conhece a violência por dentro e sabe que a volta dos filhos a Boston pode cobrar um preço alto. Sua relação com Connor e Murphy dá à ação um lado familiar, sem transformar o filme em drama choroso.

Troy Duffy mantém o interesse em uma ação carregada de símbolos religiosos, armas, frases solenes e certo exagero assumido. O estilo pode soar excessivo em alguns trechos, principalmente quando a pose ameaça ficar maior que a cena. Ainda assim, “Santos Justiceiros II: O Retorno” tem ritmo e personalidade. O filme sabe que seus personagens vivem entre a crença sincera, a violência teatral e uma noção bastante particular de justiça.

A volta cobra seu preço

O melhor da sequência está na ideia de retorno. Connor e Murphy tentaram deixar Boston para trás, mas a cidade ainda tinha uma cobrança pendente. A fazenda na Irlanda oferecia abrigo, silêncio e distância. Boston oferece suspeitos, armas, sirenes e conhecidos demais. Esse contraste deixa o enredo fácil de acompanhar e ajuda a sustentar a tensão sem precisar complicar demais a trama.

“Santos Justiceiros II: O Retorno” funciona melhor para quem aceita seu tom intenso, meio operático e muitas vezes divertido pelo próprio excesso. O filme não tenta suavizar os irmãos MacManus. Eles continuam impulsivos, religiosos, violentos e convencidos de que podem fazer justiça com as próprias mãos. A diferença é que, desta vez, a lenda deles foi usada contra eles.

O filme passa por esse desequilíbrio entre ação, suspense e fanfarronice. Algumas escolhas parecem mais interessadas em reafirmar o culto em torno dos personagens do que em aprofundar suas contradições. Mesmo assim, a história tem uma premissa forte e um conflito fácil de prender a atenção. Dois irmãos acusados de um crime que não cometeram voltam ao lugar onde já deixaram muitos corpos para provar que, pelo menos daquela vez, a culpa não era deles. Para Connor e Murphy, até a inocência chega armada.


Filme: Santos Justiceiros II: O Retorno
Diretor: Troy Duffy
Ano: 2009
Gênero: Ação/Crime/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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