Nosso tempo tem seus próprios problemas, alguns de mais fácil solução, outros que nos absorvem por completo, e só uma razão muito forte nos faria retroceder até que chegássemos a um lugar onde enfrentaríamos de novo medos superados, esperariam por nós aquelas pessoas que tentaram nos fazer mal (e, em muitas ocasiões, fizeram mesmo), mas que também deixaram-nos lembranças inestimáveis, as que nos definem e acabaram por nos fazer quem somos, pessoas a quem hoje amamos. Os perigos dos velhos erros é uma mensagem quase óbvia em “Avatar: Fogo e Cinzas”, propagada por James Cameron com os recursos tecnológicos que marcam sua obra. Cameron leva a terceira produção da série iniciada em 2009 com o rigor habitual e nitidamente dedicado a infundir no espectador uma discreta prostração frente à natureza exuberante de um mundo desconhecido, vulnerável à eterna ganância do homem.
O espetáculo pelo espetáculo
O diretor refresca a memória do público e volta a um ou outro detalhe perdido na jornada dos personagens messiânicos criados com os corroteiristas Amanda Silver e Rick Jaffa. Depois, Cameron introduz o enredo, a ameaça do Povo das Cinzas, tribo Na’vi determinada a subjugar Pandora, que lida também com a iminente volta da perversa colonização humana. Jake Sully e Neytiri tentam conservar a paz enquanto ainda choram a morte do primogênito, Neteyam, em “O Caminho da Água” (2022), ao resgatar Spider. Só ele aparece com seu próprio rosto, e por isso Jack Champion rouba a cena.
