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Em “O Bad Boy e Eu”, filme de 2024 dirigido por Justin Wu, Dallas Bryan, vivida por Siena Agudong, tenta conquistar uma bolsa de dança para a CalArts enquanto Drayton Lahey, interpretado por Noah Beck, entra em sua rotina e bagunça um plano que parecia fechado. O drama romântico se passa no ambiente escolar de uma pequena cidade, onde a protagonista enxerga na dança uma saída possível, um projeto de vida e uma forma de manter viva a memória da mãe.

Dallas Bryan não trata a dança como passatempo. Para ela, cada ensaio tem peso de prova, cada movimento pode contar a favor de uma vaga e cada distração parece uma ameaça ao futuro. A jovem quer estudar na CalArts, uma das instituições de arte mais desejadas por quem sonha em transformar talento em carreira. Seu objetivo é sair da cidade pequena, ganhar espaço fora daquele ambiente conhecido e provar que a própria disciplina pode levá-la mais longe do que todos imaginam.

Siena Agudong interpreta Dallas com energia e certa rigidez emocional. A personagem vive numa fase em que qualquer gesto fora da agenda parece capaz de desorganizar tudo. Ela carrega o luto pela mãe, a cobrança interna por não desperdiçar uma chance e a pressão silenciosa de quem sabe que talvez não tenha muitas rotas disponíveis. A dança, nesse contexto, vira ferramenta de sobrevivência. Quando Dallas ensaia, ela não busca apenas aplauso. Ela tenta manter algum controle sobre a própria vida.

O roteiro acerta quando coloca essa ambição antes do romance. Dallas não começa a história esperando alguém aparecer para salvá-la da monotonia. Ela já tem um plano, uma meta e um caminho possível. Isso faz diferença, porque o envolvimento com Drayton Lahey não surge como solução mágica para seus problemas. Surge como um problema novo, embora bonito o bastante para ser levado a sério.

O astro que atravessa o plano

Drayton Lahey, interpretado por Noah Beck, é o famoso quarterback do colégio. Ele tem popularidade, presença e aquele ar de garoto acostumado a ser observado até quando apenas entra num corredor. O filme usa essa figura conhecida do romance adolescente, o atleta admirado e aparentemente inalcançável, mas tenta dar a ele uma camada mais vulnerável. Drayton também lida com perdas, expectativas familiares e uma imagem pública que nem sempre corresponde ao que sente.

A relação entre Dallas e Drayton nasce do atrito. Ele cruza seu caminho num momento em que ela não queria dividir atenção com ninguém. Ela, por sua vez, não se deixa impressionar com facilidade, o que tira o rapaz de uma zona confortável. Esse jogo entre aproximação e resistência sustenta boa parte do filme. Há provocações, olhares, pequenas faíscas de constrangimento e aquela tensão típica de quem finge ter tudo sob controle enquanto já perdeu metade da compostura.

O mais interessante é que “O Bad Boy e Eu” não tenta transformar Drayton em prêmio. Ele não é apenas o menino bonito que aparece para colorir a vida da garota dedicada. O romance só funciona porque ambos carregam cobranças concretas. Dallas precisa proteger sua chance na dança. Drayton precisa lidar com o peso de ser sempre visto como promessa esportiva. Quando os dois se aproximam, nenhum deles ganha folga. Pelo contrário, cada encontro cobra tempo, coragem e alguma renúncia.

A dança como chance real

A CalArts ocupa papel importante na história. Ela representa mais do que uma escola distante. Para Dallas, a bolsa é a possibilidade de romper o círculo da cidade, sair de um ambiente pequeno e entrar num espaço onde sua habilidade possa ser reconhecida. O filme ganha força quando lembra que um sonho juvenil não é feito apenas de inspiração. Também depende de prazo, treino, apoio, dinheiro e foco.

Nathan, interpretado por Drew Ray Tanner, aparece nesse ambiente familiar como uma presença que ajuda a dar peso ao drama de Dallas. A casa dela não é apenas o lugar para onde ela volta depois da escola. É um espaço marcado por ausência, memória e responsabilidades. A personagem quer partir, mas partir nunca é um gesto sem custo. Alguém fica. Alguma conversa precisa acontecer. Alguma ferida reaparece quando o futuro começa a parecer possível.

Justin Wu trabalha melhor quando deixa o romance caminhar ao lado dessas preocupações. O filme poderia cair com facilidade numa fantasia adolescente sem chão, mas encontra alguma firmeza ao mostrar que Dallas não pode simplesmente abandonar tudo por um sentimento novo. Ela precisa avaliar o que ganha e o que perde quando Drayton passa a ocupar espaço em sua vida. A paixão chega, mas a inscrição, os ensaios e o medo de fracassar continuam no mesmo lugar.

Romance com charme conhecido

“O Bad Boy e Eu” conhece bem o terreno que pisa. Há a garota determinada, o atleta popular, a pequena cidade, o sonho artístico e a atração que nasce em hora inconveniente. Nada disso é exatamente novo. Ainda assim, o filme encontra algum frescor na forma como trata Dallas. A protagonista não é ingênua nem passiva. Ela tem desejo, ambição e pavio curto quando percebe que alguém pode atrapalhar sua rota. Quem nunca ficou um pouco antipática antes de uma grande chance que atire a primeira sapatilha.

O filme também se beneficia da química entre Siena Agudong e Noah Beck. Ela sustenta a firmeza de Dallas sem apagar sua vulnerabilidade. Ele entrega um Drayton menos invencível do que a fama escolar sugere. O resultado é um romance simples, acessível e apoiado em emoções reconhecíveis. Há leveza nas trocas entre os dois, mas a história não esquece que cada sorriso aparece dentro de uma fase decisiva para os personagens.

Como drama, “O Bad Boy e Eu” funciona melhor quando deixa o luto e a ambição respirarem sem transformar tudo em sofrimento excessivo. A ausência da mãe de Dallas dá contorno à busca pela dança, mas o filme não pesa a mão a ponto de sufocar o romance. Existe tristeza, existe insegurança, existe medo de perder a chance certa. Também existe aquele tipo de encanto adolescente em que uma conversa atravessada no corredor já parece suficiente para mudar o dia inteiro.

Um futuro em movimento

A crítica principal ao filme está na previsibilidade. Em alguns momentos, o roteiro segue caminhos bastante conhecidos para quem acompanha romances adolescentes. Certas viradas parecem anunciadas antes de acontecer. Mesmo assim, “O Bad Boy e Eu” se mantém agradável porque sabe quem é sua protagonista e por que o sonho dela importa. Dallas não quer apenas viver uma paixão. Ela quer chegar a algum lugar.

Essa diferença sustenta a narrativa. O romance com Drayton mexe com sua rotina, mas não apaga sua identidade. A dança continua sendo o centro da personagem, e isso impede que o filme reduza Dallas a par romântico. O envolvimento entre os dois tem graça porque coloca em disputa duas necessidades muito humanas. A vontade de ser amado e a urgência de não abandonar aquilo que pode mudar a própria vida.

“O Bad Boy e Eu” não reinventa o gênero, mas entrega uma história sensível sobre escolhas feitas cedo demais, quando o coração ainda aprende a diferenciar impulso de compromisso. Dallas Bryan e Drayton Lahey vivem um romance marcado por charme, insegurança e planos concorrentes. Quando a protagonista volta ao que sabe fazer melhor, dançar para não perder de vista quem deseja ser, o filme encontra seu gesto mais honesto.


Filme: O Bad Boy e Eu
Diretor: Justin Wu
Ano: 2024
Gênero: Drama/Romance
Avaliação: 3/5 1 1
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