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Lançado em 2019 e dirigido por John Herzfeld, “Rota de Fuga 3: O Resgate” acompanha Ray Breslin (Sylvester Stallone) em uma operação que começa com o sequestro da filha de um empresário de tecnologia de Hong Kong e ganha peso pessoal quando Abigail Ross (Jaime King), namorada do especialista em segurança, também é capturada. O que parecia uma missão de resgate ligada a interesses corporativos vira uma corrida contra o tempo dentro da Devil’s Station, prisão de aparência hostil, regras próprias e pouca margem para erro.

O filme retoma a franquia “Rota de Fuga” com uma proposta mais enxuta, menos interessada em grandes labirintos tecnológicos e mais voltada ao confronto físico, à vingança e ao peso das antigas alianças. Breslin volta ao centro da ação, mas já não aparece apenas como o homem capaz de decifrar prisões impossíveis. Desta vez, ele precisa lidar com um inimigo que conhece sua história, ataca sua vida privada e obriga sua equipe a agir antes que o resgate vire execução.

Um sequestro com endereço certo

A trama começa quando Daya Zhang (Malese Jow), filha de Wu Zhang (Russell Wong), um poderoso executivo de tecnologia de Hong Kong, desaparece durante uma ação planejada por criminosos. A jovem não é escolhida por acaso. Ela carrega o sobrenome, o dinheiro e a influência de uma empresa cercada por interesses de segurança. Sua captura faz a história sair do terreno do crime comum e entrar em uma disputa na qual cada refém vale como moeda de pressão.

Bao Yung (Harry Shum Jr.), ligado à proteção de Daya, tenta impedir que a operação saia do controle, mas o ataque abre uma brecha que custa caro. O desaparecimento da jovem força a entrada de Ray Breslin, chamado porque entende prisões, rotas de fuga e estruturas criadas para apagar pessoas do mapa. O problema é que o caso não demora a deixar de ser apenas profissional. Quando Abigail Ross também é sequestrada, Breslin perde a distância que costuma ajudá-lo a pensar com frieza.

O responsável por essa armadilha é Lester Clark Jr. (Devon Sawa), filho de um antigo inimigo de Breslin. Ele não age apenas por dinheiro. Seu plano nasce de ressentimento, herança mal resolvida e vontade de ferir o homem que responsabiliza pela queda de sua família. Essa escolha dá ao filme um motor simples, mas eficiente. O vilão não quer apenas esconder reféns. Ele quer obrigar Breslin a entrar no jogo, aceitar o terreno imposto e carregar a culpa por cada atraso.

Breslin reúne sua equipe

Para invadir a Devil’s Station, Breslin precisa de gente que aguente pressão sem transformar cada porta fechada em drama de condomínio. Trent DeRosa (Dave Bautista) retorna como aliado de presença física incontornável, daqueles que parecem resolver uma discussão apenas entrando na sala. Hush (50 Cent) trabalha na parte de apoio e informação, tentando localizar brechas que ajudem a equipe a entrar sem perder os reféns de vista.

Jules (Lydia Hull) também participa da operação, enquanto Shen Lo (Jin Zhang) assume uma linha própria de ação. Shen tem ligação com Daya e carrega uma urgência menos calculada que a de Breslin. Ele se move por dever, afeto e culpa, o que dá às cenas de luta um impulso diferente. Enquanto Breslin observa cada entrada com a experiência de quem já viu muitas prisões por dentro, Shen avança com a pressa de quem sabe que uma pessoa conhecida está pagando o preço.

Essa combinação de estilos é uma das melhores escolhas do filme. Stallone sustenta Breslin com economia, rosto fechado e movimentos mais contidos. Bautista acrescenta peso e certa graça seca, mesmo sem receber tanto espaço quanto poderia. Jin Zhang injeta velocidade nas cenas corporais, com golpes mais limpos e uma energia menos cansada. Já 50 Cent fica em uma função mais discreta, mas ajuda a manter a ideia de equipe, ainda que o roteiro prefira resolver muita coisa no braço.

A Devil’s Station vira armadilha

A Devil’s Station é o grande espaço de pressão de “Rota de Fuga 3: O Resgate”. A prisão não precisa parecer sofisticada para cumprir sua função. Corredores estreitos, salas fechadas, grades, sombras e pontos de vigilância bastam para transformar cada avanço em risco. O filme trabalha melhor quando assume essa brutalidade sem enfeitar demais. Ninguém entra ali esperando um plano elegante. Entra porque há gente presa, pouco tempo e um sequestrador satisfeito em controlar a porta.

John Herzfeld aposta em uma ação mais áspera, com menos truques e mais impacto corporal. As lutas não têm o brilho coreografado de grandes produções orientais, embora Jin Zhang traga refinamento sempre que aparece. O interesse está na urgência. Breslin e seus aliados precisam atravessar o espaço, localizar Daya e Abigail, enfrentar homens armados e lidar com um inimigo que usa os reféns para manter vantagem. Cada passo dentro da prisão diminui a margem de manobra.

O suspense surge dessa pressão sobre o tempo. Lester Clark Jr. não precisa esconder suas intenções por muito tempo, porque sua força está em obrigar Breslin a reagir. Ele sabe onde estão os reféns, conhece o valor emocional de Abigail e explora Daya como peça de chantagem. O filme não cria um mistério complexo, mas sustenta a tensão pela ameaça física. Se a equipe demora, alguém sofre. Se avança sem cuidado, alguém morre. É simples, cruel e adequado ao tipo de ação que a franquia abraça aqui.

Ação sem muita cerimônia

“Rota de Fuga 3: O Resgate” funciona melhor quando aceita ser um filme de resgate sem grandes rodeios. A história tem vilão definido, vítimas em perigo, aliados convocados e uma prisão que precisa ser invadida. Quando tenta dar mais peso emocional ao passado de Lester, o roteiro nem sempre encontra profundidade. Devon Sawa cria um antagonista perturbado e ressentido, mas o texto prefere usá-lo como ameaça constante, não como figura realmente complexa.

Ainda assim, há algo honesto na maneira como o filme trata Ray Breslin. Stallone não tenta fingir que está no mesmo registro físico de décadas anteriores. Seu personagem age com cansaço, método e raiva controlada. Ele bate quando precisa bater, mas também depende de parceiros para avançar. Essa divisão favorece o elenco e impede que tudo vire uma demonstração solitária de força. Breslin continua sendo o nome que move a operação, mas a missão exige braços, olhos e acesso em mais de uma frente.

A graça discreta aparece nas entradas de DeRosa, porque Dave Bautista tem presença suficiente para tornar uma cena mais leve sem precisar fazer piada. Ele carrega o tipo de humor seco que nasce do contraste entre perigo e tamanho físico. Quando surge, a sensação é de que alguém chamou reforço pesado demais para um problema já ruim. Não salva todas as fragilidades do roteiro, mas dá respiro a uma história cercada por corredores, gritos e ameaças.

O filme também tem limitações evidentes. Alguns personagens entram mais pela função que pela personalidade, e certas soluções parecem apressadas. A relação entre Daya e Shen merecia mais tempo, assim como o papel de Abigail poderia ir além de colocar Breslin em sofrimento. Mesmo assim, a narrativa preserva um eixo compreensível. Há um sequestro, uma prisão, uma equipe e um inimigo que transforma vingança em método de tortura. Para um filme de ação, essa objetividade ajuda bastante.

“Rota de Fuga 3: O Resgate” não tem a engenhosidade do primeiro filme da franquia, mas entrega uma aventura mais dura, compacta e centrada no resgate. John Herzfeld dirige sem grande elegância, porém mantém a história em movimento e deixa o elenco ocupar o espaço. Stallone, Bautista, 50 Cent e Jin Zhang trabalham dentro de um terreno conhecido, onde a pancadaria vale mais que a surpresa. Quando Breslin atravessa a Devil’s Station, o filme cumpre sua promessa principal. Há reféns a retirar dali, e cada porta aberta cobra seu preço.


Filme: Rota de Fuga 3: O Resgate
Diretor: John Herzfeld
Ano: 2019
Gênero: Ação/Crime/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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