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A sensação de controle é um dos grandes enganos da vida. Pode-se, no máximo, fazer escolhas e, claro, arcar com as consequências de decisões que até soam prudentes, mas que guardam efeitos irreparáveis e geram um ciclo de arrependimento que arruína qualquer futuro. A culpa aprisiona os seres humanos numa masmorra onde os erros ditam as regras e pavimentam um caminho de autodestruição e perda de todo sentido, cenário que degringola num vazio existencial que só faz crescer. Método e cálculo são as ferramentas de trabalho de Lucas Hill, contrabandista de diamantes raros que ousa sair da linha e despenca no inferno mostrado por Matthew Ross em “Sibéria”, noir que equilibra niilismo e sexo de maneira atabalhoada. E sem propósito.

Tragédia oculta 

Lucas não se importa com o que seria certo nem errado, apenas levanta e derruba hipóteses, tentando manter-se vivo, um lugar hostil e limitado demais, tanto pior para alguém feito ele. Embora não pareça, o anti-herói criado pelos roteiristas Scott B. Smith e Stephen Hamel é um sujeito maltratado pela vida que se encontrou numa atividade marginal, sem contudo abdicar de todo o romantismo, numa acepção mais vaga. Ele dá asas a sua porção sonhadora no intervalo de compromissos profissionais em Mirny, na Sibéria Oriental, onde está para oferecer um diamante azul a um gângster local. Ross perde boas oportunidades de explorar o caos interno de seu personagem central, o que é ainda mais incômodo diante do óbvio empenho de Keanu Reeves.


Filme: Sibéria
Diretor: Matthew Ross
Ano: 2018
Gênero: Crime/Drama/Romance/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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