A vida parece obedecer a uma lógica que nunca se explica por completo, e isso talvez não seja mero acaso. Planejamos o futuro, mas nossas certezas desmoronam num imprevisto que, algum tempo depois, não deixa nada a dever aos pastelões televisivos de há meio século, evidência de que o universo lixa-se para as agruras de homens e mulheres cá embaixo. Cada rasteira é uma lembrança de que somos muito menos importantes do que pensávamos, de que o anseio por plenitude pode levar à dura conclusão de que a busca pelo sucesso talvez seja uma tentativa de exorcizar monstros que nós mesmos fomos nutrindo, ideia que arrebata Rudd Landy, o protagonista de “Little Brother”. Matt Spicer junta escracho e afeto numa história sobre gente que perdemos, mas que podemos reencontrar e com quem ainda temos muito em comum — embora as diferenças se imponham. Nada que uma boa conversa não possa resolver.
O (cômico) absurdo da existência
Surpresa é coisa para aqueles que não sabem administrar os problemas e a rotina, isto é, os incompetentes e os fracos, e foi com esse lema que Rudd subiu alto. Ele tornou-se um corretor imobiliário de luxo dos mais requisitados em Nova York, casou-se com Deidre, uma mulher linda e que sempre o apoiou, e agora vai estrelar um reality show contando os segredos da vitória. O roteiro de Andrew Mogel e Jarrad Paul detalha a personalidade competitiva de Rudd, chegando aos poucos em suas zonas cinzentas, como o relacionamento com Josh, o irmão mais velho interpretado por Christopher Meloni. Marcus, o caçula do título é, na verdade, um amigo de infância, de quando ele não passava de um garoto obeso e solitário, o único com quem jogava basquete numa vizinhança empobrecida da Grande Maçã. John Cena e Eric André jogam luz sobre o contraste entre os dois, e a inusitada química sustenta boa parte dos 102 minutos.

