Bradley Cooper parece estar gostando de dirigir. Depois de “Nasce uma Estrela” (2018), com o qual atestou seu fôlego para mergulhar nas entranhas dos personagens centrais por meio da música, Cooper deu um passo corajoso, e no injustamente desprezado “Maestro” (2023) faz um passeio ora brando, ora turbulento pela intimidade e, o mais louvável, pelos bastidores da singular carreira de Leonard Bernstein (1918-1990) ao longo de quatro décadas. Intrepidez é mesmo um predicado seu, agora visto em “Isso Ainda Está de Pé?”, dramédia sobre paranoias e desencontros da vida a dois levada num saboroso tom farsesco que exige sensibilidade e parcimônia, e aos poucos vai se desdobrando em cenas onde riso e choro têm a mesma força. E levam ao mesmo lugar.
Terapia em público
Contar uma história que inspire uma mensagem de otimismo sobre relações que soçobram no mar cinzento da melancolia é uma missão dura. O fantasma da separação e, pior, do divórcio, ronda todo casamento, e é neste ponto que estão Alex e Tess Novak, um casal de meia-idade com dois filhos ainda pequenos. Eles seguem frequentando juntos as reuniões na casa de amigos como Christine e Balls, mas falham vexaminosamente ao tentar convencê-los de que está tudo bem, como se vê no cara a cara entre as duas mulheres. O entrosamento de Cooper com Will Arnett e Mark Chappell possibilita o dinamismo frenético do roteiro, garantindo que ninguém ache nenhum absurdo que Alex busque curar as feridas do rompimento num bar de stand-up para humoristas anônimos. Arnett encarnar esse homem que expia suas faltas em público é uma prova da natureza autoral do longa — e o próprio Cooper materializar o abilolado Balls certamente também não é simples coincidência —, mas como sói acontecer, Laura Dern tem o condão de ir muito além do que já tenha apresentado num trabalho anterior e faz de Tess o motivo da raiva e da inquietação do público frente ao poder catártico de Alex. Qualquer pessoa que já tenha amado de verdade se vê em um ou na outra.

