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Beleza, em Los Angeles, nunca é só beleza. É capital simbólico, senha social, promessa de juventude e, quando convém, arma branca. “Skincare”, de Austin Peters, entende esse ambiente como uma vitrine iluminada demais, onde a pele perfeita esconde nervos em carne viva e qualquer mancha, real ou inventada, pode destruir uma reputação construída a pinça, laser e muita autopromoção.

Hope Goldman, vivida por Elizabeth Banks com uma mistura muito feliz de autoconfiança ensaiada e desespero mal disfarçado, é uma esteticista famosa prestes a lançar sua própria linha de produtos. Ela conhece a liturgia do sucesso em Los Angeles: sorrir, vender bem-estar, parecer íntima de todas as clientes e nunca admitir que está a um tropeço do fracasso. A chegada de Angel Vergara, o rival interpretado por Luis Gerardo Méndez, numa loja em frente à sua, funciona como afronta pessoal antes mesmo de se transformar em ameaça comercial. Angel é educado, bonito, profissional, e por isso mesmo Hope o enxerga como inimigo perfeito.

O roteiro de Sam Freilich e Austin Peters trabalha esse incômodo como um veneno lento. Primeiro surgem pequenos ataques à imagem da protagonista, depois situações mais estranhas, constrangimentos públicos, sinais de que alguém parece empenhado em empurrá-la para fora do próprio negócio. Hope começa a investigar, mas a investigação importa menos pelo que descobre do que pelo que revela dela: uma mulher treinada para controlar cada poro do rosto, incapaz de controlar a própria paranoia.

Peters acerta ao tratar o mercado da beleza como um submundo sem armas aparentes. Não há becos escuros nem cadáveres no tapete; há salas claras, espelhos, cremes, influencers, vitrines assépticas e uma violência de verniz. O filme perde força quando tenta sustentar o mistério por mais tempo do que deveria, pois a intriga não é tão ardilosa quanto imagina. Ainda assim, Elizabeth Banks segura o longa ao fazer de Hope uma figura ao mesmo tempo patética e compreensível, vaidosa e vulnerável, alguém que talvez esteja sendo sabotada — ou talvez apenas tenha acreditado demais na própria marca.

Lewis Pullman acrescenta ao jogo uma ambiguidade útil, enquanto Méndez evita transformar Angel num vilão de manual. “Skincare” é melhor quando observa a corrosão íntima de Hope do que quando tenta surpreender. Seu suspense não está exatamente em descobrir quem quer destruí-la, mas em notar como, num universo regido por aparência, basta uma rachadura mínima para que uma mulher inteira desabe diante do espelho.


Filme: Skincare
Diretor: Austin Peters
Ano: 2024
Gênero: Psicológico/Suspense
Avaliação: 4/5 1 1
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