A vida é um mistério e o amor talvez seja o que há de mais inexplicável no mistério dessa vida. Dois caminhos opostos às vezes convergem numa direção comum e fazem o que parecia meio gris e sem sentido reviver num espetáculo de cores, brilho e novas perspectivas. Pode-se viver essa experiência em todas as quadras do nosso tempo sob o sol, mas é na juventude que conseguimos absorver todos os estímulos com que a vida nos regala e ter claro que viver é muito mais que esperar que o amor se concretize: é querer que a vida se revele em seus detalhes mais secretos, dominando os próprios medos e permitindo-se ser quem se é, por mais que as contingências não ajudem. Como seria bom se a vida fosse uma comédia romântica feito “Mensagens para Isabelle”, cujos temas passam por gente que se gosta, mas que precisa suportar a distância; doença; morte abrupta e traumática; luto; comida; chefes abusivos e, claro, mensagens enviadas e nunca recebidas — ou melhor, recebidas por engano. Leah McKendrick dosa passagens cujo sentimentalismo nunca saem do piloto automático e diálogos engraçadinhos, evidentemente mirando o público já acostumado ao gênero.
Fantasias românticas
Há algum tempo, Jill deixara a casa dos pais e resolveu levar a sério a vida adulta, suportando a rotina tediosa num bistrozinho de Los Angeles. Ela quer comandar as panelas, mas passa todo o tempo a tirar sementes de quincãs e ouvindo calada as ofensas do chef, e o que é ruim, piora. Ela sabe da morte de Isabelle, a irmã caçula, e decide seguir mandando áudios para o celular dela enquanto a dor da perda não arrefece, porém não contava que alguém bem vivo os ouvia aqui mesmo neste plano, e se interessou. O roteiro de McKendrick leva o espectador a pensar que a trama não irá muito além de um mero romance adolescente, apto a repisar chavões, acrescentando o elemento mais ou menos inusitado de que o título dá uma ideia vaga. Histórias de vidas desditosas, traumas que insistem em se sobrepor ao inexorável tempo, encontros, desencontros, algumas das situações adversas que se pode enfrentar ao longo de uma jornada ainda curta surgem com floreios numa trama ciente de suas limitações, amenizadas pelo bom trabalho de Zoey Deutch e Nick Robinson.

