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Pouco tempo depois dos acontecimentos de “Jumanji: Bem-Vindo à Selva”, Spencer Gilpin (Alex Wolff) descobre que a vida fora do jogo não tem o mesmo brilho que encontrou dentro dele. Na universidade, distante dos amigos e inseguro sobre seu futuro, ele passa a sentir falta da confiança que possuía quando assumia a identidade do aventureiro Dr. Smolder Bravestone (Dwayne Johnson). Movido por esse sentimento, toma uma decisão impulsiva. Recupera os restos da antiga máquina de videogame e volta sozinho para Jumanji.

Quando Martha Kaply (Morgan Turner), Anthony “Fridge” Johnson (Ser’Darius Blain) e Bethany Walker (Madison Iseman) descobrem o desaparecimento do amigo, percebem rapidamente o que aconteceu. A única maneira de trazê-lo de volta é entrar novamente no jogo. O problema surge no instante em que ligam a máquina. Jumanji já não funciona da mesma forma. Algo mudou durante a reconstrução do aparelho e isso afeta todos os participantes da nova missão.

A situação fica ainda mais complicada porque Eddie Gilpin (Danny DeVito), avô de Spencer, e Milo Walker (Danny Glover), um antigo amigo da família, acabam sendo transportados para dentro do jogo sem qualquer preparação. Diferentemente dos jovens, eles não sabem o que é Jumanji, desconhecem suas regras e sequer compreendem onde estão.

Essa novidade rende algumas das melhores passagens do filme. Eddie desperta no corpo musculoso de Dr. Smolder Bravestone, interpretado por Dwayne Johnson. Milo passa a ocupar o avatar de Franklin “Mouse” Finbar, vivido por Kevin Hart. Enquanto tentam entender aquela realidade absurda, os dois idosos transformam situações perigosas em momentos divertidos. Grande parte da graça está no contraste entre a aparência dos avatares e a personalidade de quem os controla.

Jake Kasdan aproveita essa dinâmica para dar nova energia à continuação. Em vez de repetir exatamente a fórmula anterior, o roteiro cria novas combinações entre personagens e corpos virtuais. O resultado produz confusões constantes e mantém a aventura em movimento.

Um mundo muito maior

Se a selva dominava a paisagem do filme anterior, agora Jumanji apresenta regiões desconhecidas. Os jogadores atravessam desertos escaldantes, enfrentam áreas montanhosas cobertas de neve e percorrem fortalezas escondidas. Cada ambiente impõe desafios diferentes e exige soluções improvisadas.

O objetivo principal continua sendo encontrar Spencer e retornar para casa. Entretanto, o caminho se torna cada vez mais complicado porque os personagens perdem referências importantes. Informações acumuladas na aventura anterior deixam de servir. Trilhas desaparecem. Recursos escasseiam. A sensação de segurança desaparece logo nos primeiros obstáculos.

Essa expansão geográfica ajuda a renovar a franquia. O espectador deixa de acompanhar apenas uma repetição da aventura anterior e passa a explorar territórios que nem mesmo os veteranos conhecem. Há sempre uma nova ameaça surgindo no horizonte e isso mantém o interesse durante toda a narrativa.

Velhas amizades e novas feridas

Entre perseguições e missões perigosas, o roteiro reserva espaço para algo menos barulhento. A relação entre Eddie e Milo ocupa um papel importante na história. Os dois carregam ressentimentos acumulados ao longo de décadas. Uma amizade que parecia inabalável foi interrompida por acontecimentos do passado que permanecem mal resolvidos.

O curioso é que Jumanji acaba funcionando como um território de reencontro. Em meio ao caos, ambos são obrigados a conviver novamente. Conversam, discutem e revisitam lembranças que permaneciam guardadas há anos. Essas cenas oferecem um contraponto interessante à ação constante e acrescentam alguma sensibilidade ao conjunto.

O filme também acompanha o crescimento dos jovens protagonistas. Martha, Fridge, Bethany e Spencer já não são adolescentes inseguros da primeira aventura. Cada um enfrenta dúvidas relacionadas ao futuro, aos relacionamentos e à própria identidade. Embora o roteiro trate dessas questões com leveza, elas ajudam a dar peso emocional à narrativa.

A força do elenco

Grande parte do sucesso de “Jumanji: Próxima Fase” passa pelas interpretações. Dwayne Johnson e Kevin Hart demonstram grande habilidade ao incorporar os trejeitos de Danny DeVito e Danny Glover. Não se trata apenas de reproduzir vozes ou expressões faciais. Os atores criam personagens diferentes dentro dos mesmos corpos, o que torna várias cenas especialmente divertidas.

Jack Black também continua sendo um dos grandes destaques. Seu Professor Shelly Oberon segue acumulando situações embaraçosas e reações exageradas que arrancam risadas sem esforço. Karen Gillan, no papel de Ruby Roundhouse, mantém a personagem como uma das figuras mais competentes da equipe e participa de algumas das melhores sequências de ação.

O elenco trabalha em sintonia e essa química sustenta boa parte do filme. Mesmo quando a história desacelera para desenvolver relações pessoais, os personagens permanecem interessantes porque existe uma conexão genuína entre eles.

Uma sequência que sabe por que existe

Muitas continuações acabam repetindo elementos do original sem acrescentar novidades relevantes. “Jumanji: Próxima Fase” segue por outro caminho. O filme preserva aquilo que funcionou anteriormente, mas acrescenta novos personagens, novos cenários e novas dinâmicas para justificar o retorno ao universo criado pela franquia.

Jake Kasdan equilibra ação, fantasia e comédia com eficiência. O ritmo continua ágil durante quase toda a projeção e as mudanças promovidas pelo jogo criam obstáculos suficientes para impedir qualquer acomodação. Enquanto o grupo tenta localizar Spencer e escapar daquele mundo novamente, cada etapa da aventura apresenta uma surpresa diferente.

A continuação é divertida, carismática e consciente de suas qualidades. Sem pretensões grandiosas, “Jumanji: Próxima Fase” transforma o reencontro com velhos personagens em uma aventura agradável, repleta de energia, bom humor e desafios capazes de manter o público envolvido até o último minuto.


Filme: Jumanji: A Próxima Fase
Diretor: Jake Kasdan
Ano: 2019
Gênero: Ação/Aventura/Comédia/Fantasia
Avaliação: 3/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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