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Alguns filmes não precisam ser vistos para circular. Basta o nome aparecer numa conversa, uma cena ficar famosa, um cartaz virar estampa, uma imagem voltar em lista de internet. Muita gente reconhece esses sinais e sente que já chegou perto o suficiente. Os filmes deste desafio não costumam funcionar assim. Eles aparecem mais em cursos, mostras, retrospectivas e conversas de quem foi atrás deles de propósito.

Não é uma lista de filmes simplesmente longos, antigos ou difíceis. Há títulos enormes e outros bem curtos; alguns pedem uma tarde inteira, outros só pedem que o espectador aceite ficar sem as respostas de sempre. Uns quase não se mexem. Outros parecem começar no meio de alguma coisa. Vários terminam sem a gentileza de arrumar tudo antes dos créditos.

Marque apenas os filmes que você viu do começo ao fim. Não conte título conhecido, trecho visto por acaso, leitura sobre o filme, tentativa abandonada ou lembrança vaga de ter ouvido alguém falar. Se começou e largou, fica fora.

A regra é contar só o que foi visto inteiro. Não vale marcar porque conhece o nome, leu a respeito, viu um trecho solto, sabe que é importante ou começou e largou no meio. Familiaridade não conta como experiência.

Você marcou 0 de 100 filmes. Ainda há esperança

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0 filme — Ainda há esperança

Sua vida segue em ordem. Você escolhe um filme sem abrir três abas, não pesquisa duração antes de aceitar um convite e provavelmente nunca transformou uma noite livre em sessão com intervalo para café e arrependimento.

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Gabarito completo

0 filme — Ainda há esperança

Sua vida segue em ordem. Você escolhe um filme sem abrir três abas, não pesquisa duração antes de aceitar um convite e provavelmente nunca transformou uma noite livre em sessão com intervalo para café e arrependimento.

1 a 3 filmes — Entrou por engano

Pode ter sido um curso, uma mostra, um amigo insistente ou uma fase em que você achou boa ideia ver “um negócio diferente”. Você foi, viu pelo menos uma parte desse mundo e saiu com assunto para fingir segurança quando o nome aparecer de novo.

4 a 7 filmes — Seu streaming não entende mais nada

Alguma coisa saiu do trilho. Você já aceitou filme sem promessa de explicação, sem grande cena para comentar depois e sem aquela sensação confortável de que tudo foi feito para agradar. Daqui em diante, a página inicial do streaming começa a parecer ofensiva.

8 a 10 filmes — Na beira do problema

Ainda dá para circular em sociedade. Você aceita uma comédia no domingo, comenta um lançamento ou outro e não assusta ninguém de imediato. Mesmo assim, já considera normal reservar horas para um filme em que pouca coisa acontece e quase ninguém pergunta se está tudo bem.

11 a 15 filmes — Passou, e isso já complica

A marca era 10, e você passou sem cair aqui por engano. Em algum momento, foi atrás de títulos que não aparecem por acaso, ficou até o fim de sessões pouco convidativas e descobriu que abandonar um filme, às vezes, dá mais trabalho do que continuar.

16 a 20 filmes — Já anota ficha técnica sem perceber

Você termina um filme e vai procurar outra coisa além do próximo. Quer saber de onde veio, em que versão circula, quem exibiu, por que ficou fora de catálogo, por que aquele corte tem outra duração. Até o descanso vem com rodapé.

21 a 30 filmes — Alguém devia perguntar se está tudo bem

Não é alarme, é gentileza. Quando uma pessoa escolhe por vontade própria um filme de muitas horas, outro quase parado e mais um que parece discutir com o espectador, alguém próximo deveria aparecer com água, comida e uma pergunta simples.

31 a 40 filmes — Já escolhe filme como quem aceita penitência

Você não foge quando alguém diz que o filme é seco, lento, estranho ou pouco simpático. Em certos casos, isso até ajuda. O que para muita gente soa como aviso, para você começa a parecer recomendação.

41 a 50 filmes — Você já virou a pessoa que indica coisas difíceis

Seu repertório deixou de caber em conversa rápida. Você sabe que alguns títulos precisam de aviso prévio, mas às vezes esquece disso e recomenda um filme de quatro horas como se estivesse sugerindo uma caminhada leve.

51 a 60 filmes — Veio pelo teste e ficou pela discordância

Você marcou os filmes e, no meio do caminho, já começou a trocar mentalmente uma escolha por outra. Sentiu falta de nomes, desconfiou de alguns anos, pensou em diretores que entrariam melhor com outro título. O desafio virou trabalho.

61 a 70 filmes — Risco real em almoço de família

Alguém diz que gosta de filme “diferente” e você precisa medir a resposta. Se falar tudo o que vem à cabeça, a conversa sai de férias, entra em Straub-Huillet, passa por Hollis Frampton e talvez não volte antes da sobremesa.

71 a 80 filmes — Seu descanso precisa de legenda rara

Para você, ver filme pode envolver procurar cópia, aceitar imagem ruim, comparar versões, esperar retrospectiva e se conformar com legenda que parece ter vindo de outra década. O sofá continua ali, mas o programa já ficou trabalhoso.

81 a 90 filmes — Você lembra de filmes que ninguém perguntou

Você chegou a uma parte do cinema que raramente aparece sem procura deliberada. Se viu mesmo essa quantidade, já não é pose nem acaso; é tempo gasto com obras que quase nunca chegam até alguém por distração.

91 a 99 filmes — Falta pouco, e isso é quase pior

Chegar tão perto dos 100 cria outro tipo de incômodo. Agora não basta ter visto quase tudo; os poucos que faltam começam a chamar pelo nome, como pendências pessoais deixadas numa prateleira.

100 filmes — Ou você viu tudo, ou mente com método

Se viu todos, sua relação com cinema já não cabe em gabarito. Se não viu, mas marcou mesmo assim, pelo menos escolheu uma mentira sofisticada. E, pelo visto, você ainda vai escolher outro pior.

Revista Bula

A Revista Bula é uma plataforma digital brasileira fundada em 1999, que atua como revista e também como editora de livros. Com foco em literatura, cultura, comportamento e temas contemporâneos, adota uma linha editorial autoral, com ênfase em textos opinativos e ensaísticos. Seu conteúdo é amplamente difundido por meio das redes sociais e alcança milhões de leitores por mês, consolidando-se como uma das referências em jornalismo cultural no ambiente digital. Além da produção de conteúdo editorial, a Bula mantém uma linha de publicações próprias, com títulos de ficção e não ficção distribuídos em formato digital e impresso.

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